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POLÍTICA

É melhor do que ser surdo?

Não cabe voltar no tempo para novamente escrever sobre o negacionismo do Governo Federal em relação a pandemia e suas erráticas decisões, ou omissões

Laerte SilvaPublicado em 17/09/2021 às 18:10Atualizado há 2 meses

Mesmo as pessoas que defendem extremamente uma corrente política, especial e particularmente os atos do Governo Federal, podem bem enxergar exageros ditos em nome de uma narrativa que não se enquadra na realidade.  Afastada a controvérsia gratuita que seja levantada, fato é que o ministro da Saúde, Marcelo Queiroga, apesar da vacinação lenta, atrasada e da falta de imunizantes em alguns estados, esta semana disse que no Brasil há excesso de vacina.

Se houvesse verdadeiramente um excesso de vacinas não haveria necessidade de agendamento, o imunizante não estaria em falta para complemento de segunda dose e os postos de saúde de todo o país teriam porta aberta para aplicar a desejada proteção.

Na semana que em se comemorou o dia internacional da democracia, parece bizarro que, em nome da liberdade de expressão, tenhamos que ouvir uma barbaridade destas. Todo servidor público de elevado escalão da República deve ter o cuidado e a competência para informar e prestar contas, sem despejar na imprensa dados divorciados da realidade brasileira.

Não cabe voltar no tempo para novamente escrever sobre o negacionismo do Governo Federal em relação a pandemia e suas erráticas decisões, ou omissões, que contribuíram para o cenário de descontrole na saúde pública neste momento tão delicado, para dizer o mínimo.

Não se trata de debater o viés político da declaração do Ministro, é preciso honestidade intelectual para não replicar falsa informação e adotar uma fala destas como natural.  Não, não é natural, qualquer cidadão atento ao momento do país consegue ver que o atendimento vacinal brasileiro está ainda longe do ideal, e não sobram vacinas.  As filas que o digam.

O que se extrai da realidade Brasil é que há muito tempo precisamos que a página da campanha eleitoral seja virada e abandonada neste momento por todos aqueles que pretendem se lançar candidato ano que vem, e que o trabalho seja feito sem preciosismos e sem que os agentes públicos se enverguem ao discurso fácil para agradar quem está no comando.

O verdadeiro e legítimo ambiente democrático pressupõe que as pessoas entendam que não é criando verdades paralelas que as soluções brasileiras chegarão, que não é aceitável que profissionais em exercício de ministérios tratem de modo raso os dramas nacionais e digam qualquer coisa, só para dizer algo, para passar a sensação de que é melhor ouvir qualquer bobagem do que ser surdo.  

Laerte Silva é advogado

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