MENU
BUSCAR
Artigo

A luta contra o gigante

"Um dos grandes problemas enfrentados não só pela indústria, mas por todos os setores econômicos e os brasileiros, é a inflação, que neste ano deve ser de 9.77%"

José Francisco Caseiro Publicado em 03/12/2021 às 14:08Atualizado há 2 meses

A Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) acaba de divulgar o Levantamento de Conjuntura da Fiesp/Ciesp. A pesquisa traz uma visão ampla do desempenho do setor ao longo de outubro, além do indicador Sensor Fiesp que monitora o andamento da atividade industrial no mês corrente. O que os números mostram é uma queda de 2,8% no Total de Vendas Reais da Indústria de transformação paulista, em comparação a setembro. 

O quadro apresentado nos últimos meses do ano é resultado de uma somatória de fatores que tem sido uma verdadeira batalha de Davi e Golias. De um lado, temos a forte pressão de custos, escassez de matéria-prima e insumos – uma situação crônica desde o início da pandemia, especialmente quando se trata de itens eletrônicos que impactam de forma direta nossa produção, incluindo o setor automotivo - uma inflação que beira os dois dígitos e aumento elevado da taxa de juros Selic. Do outro, temos a indústria que trabalha para retomar o patamar de pré-pandemia, buscando gerar empregos e fortalecer a economia. 

A pesquisa da Fiesp mostra ainda que a queda registrada em outubro é a sexta consecutiva do Total de Vendas Reais. Somando o período entre maio e outubro, a redução é de 15,1%. Outro indicador que apresentou uma diminuição foi o de Horas Trabalhadas na Produção, com -0,6%, alcançando a terceira redução seguida. Esse cenário mostra a perda de fôlego do setor. 

No entanto, um dos indicadores que apresentou uma estabilidade em relação a setembro, foi o Nível de Utilização da Capacidade Instalada (NUCI), que alcançou +0,1 ponto percentual atingindo 81,3%. A boa notícia é que o NUCI está em patamar acima dos seus níveis históricos, tendo 1,9 ponto percentual acima da média histórica da indústria de São Paulo de 79,4%.

Já a pesquisa Sensor de novembro terminou em 50,0 pontos, na série com ajuste sazonal. O percentual é muito parecido com o de outubro, quando apresentou 50,2 pontos. Os valores acima de 50,0 pontos mostram a estabilidade da atividade industrial no estado para o mês. 

O Emprego teve resultado positivo no penúltimo mês do ano chegando a 50,4 pontos, o que mostra alta das contratações se comparado com outubro, quando o índice foi de 49,3 pontos.   

Outro indicador que apresentou melhora em relação a outubro, foram as condições de Mercado, que saíram de 48,2 pontos para 49,7 pontos. No entanto, mesmo com o crescimento, o percentual não ultrapassou a faixa de 50,0 pontos, o que representa condições menos favoráveis para o mercado.

Segundo o Sensor, as Vendas apresentaram redução em novembro chegando a 49,1 pontos, percentual diferente dos 55,7 pontos registrados em outubro. Já os Investimentos ficaram no mesmo patamar que o mês anterior, 49,5 pontos, o que mostra indícios de redução de investimentos. 

Os dados vão ao encontro de outro estudo feito pela entidade. O Cenário Econômico apresenta alguns dados que não sugerem descanso. As estimativas mostram que a indústria, assim como o comércio varejista, ainda permanece abaixo dos níveis de pré-pandemia. Já a performance da indústria brasileira é pior do que a mundial, algo que tentamos reverter pleiteando reformas administrativas, especialmente, a tributária, o que traria mais competitividade para nosso setor que há anos não pode competir de igual com o mercado internacional, principalmente, pelos entraves burocráticos e os altos tributos brasileiros.   

No período da pandemia o real foi um dos que mais se desvalorizou, se compararmos com as moedas emergentes. No entanto, após uma forte queda voltou a se valorizar nos últimos tempos.  

Um dos grandes problemas enfrentados não só pela indústria, mas por todos os setores econômicos e os brasileiros, é a inflação. O estudo da Fiesp demonstra que a expectativa do mercado para este ano é de um índice de 9.77%, já para 2022, o percentual deve ficar em 4.79% e atingir 3.32% em 2023. 

Temos que encarar o aperto monetário que está em curso no Brasil, as incertezas sobre os caminhos das contas públicas, os gargalos nas cadeias de suprimentos e pressão de custos, além da possibilidade de racionamento de energia, caso o volume nos reservatórios das hidrelétricas não aumente, bem como o alto índice de desemprego que está perto dos 13%.  

Por outro lado, temos o avanço da vacinação e a reabertura da economia, assim como a recuperação do setor de serviços, a performance positiva da agropecuária e um cenário externo favorável. Agora, resta saber se as pedras de Davi serão suficientes para derrubar Golias.

José Francisco Caseiro é diretor do Sistema Fiesp/Ciesp no Alto Tietê

ÚLTIMAS DE Colunistas