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ARTIGO

A nova velha política

"Duas posições políticas estranhas foram destaque nos últimos dias"

Laerte SilvaPublicado em 03/12/2021 às 14:07Atualizado há 2 meses

A pré-campanha para Presidente da República acabou trazendo momentos hilários e significativos do quanto o sistema político brasileiro é tosco, sob certa visão claro, ao criar alianças que tratam os brasileiros como débeis. São articulações que servem para uma boa foto, sorriso largo, afagos de companheirismo desde o nascimento, uma junção de óleo com vinho que parece folhetim. Pior são as declarações de “respeito” aos parceiros como se nunca tivesse ocorrido nada entre os atores políticos, transformando figuras problemáticas em figuras imaculadas.

Não surpreende, diga-se, pois é da essência da política brasileira que aproximando-se a época das eleições os conchavos e os tapinhas nas costas apareçam criando pano de fundo para alianças improváveis, justificadas pelo tempo de propaganda política na televisão, pelo dinheiro que a junção de cofres trará na montagem de campanhas.

Duas posições políticas estranhas foram destaque nos últimos dias, a primeira o ex-presidente Lula (PT) flertando e elogiando o adversário de outros tempos e ex-governador de São Paulo, Geraldo Alckmin (sem partido), como se o petista e ex-tucano tivessem alinhamento ideológico desde os tempos de Noé.  Óbvio que o pragmatismo político enxerga na união de opostos um jeitinho de capitalizar votos com a imagem um do outro.

A segunda união, estável ou não, o que somente o tempo dirá, trata-se da filiação do presidente Jair Bolsonaro ao PL, cujo comandante Valdemar Costa Neto outrora aplaudia outra banda.  O envolvimento do presidente do PL em fatos que lhe custaram o mandato não foi suficiente para evitar o “casamento” daquele antes bastião de combate à corrupção com uma corrente política que nunca foi sua praia.

Ciro Gomes (PDT), João Dória (PSDB), Sergio Moro (Podemos) e outros mais ainda trarão as esquisitices partidárias, certamente, e é até bom que tenhamos diversidade para comparar, afinal, polarização de partidos já cansou no cenário nacional, empobreceu os pleitos anteriores. 

Fato é que os amantes do governo federal sob a batuta de Bolsonaro têm que somar à sua lista de argumentos para reeleição, uma explicação para a união partidária que ocorreu, uma aproximação que, se tem o seu viés de sustentação da eleição do ano que vem, óbvio, por sua vez aumenta a distância do discurso de anos atrás.  Oportuno, contudo, repetir que a crise econômica atual refletirá no cenário de 2022. Por enquanto temos apenas mais do mesmo, a nova velha política.

             

Laerte Silva é advogado

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