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ARTIGO

Parques, viadutos e a várzea do Tietê

"Colocam “os olhos” do povo no parque mas vão fazer viadutos sobre o Tietê. Vão redimensionar a ETE Cesar até hoje sem projeto e sem licenciamento ambiental"

José Arraes Publicado em 10/09/2021 às 17:47Atualizado há 1 mês

Gostei muito das notícias dadas pelo jornalista Darwin Valente, em O Diário, e de suas conclusões, sobre a entrevista presencial com dada pelo prefeito Caio Cunha, alguns dias atrás.

Gostei muito quando ele se referiu ao movimento do Lixão e da “nossa” briga. Aliás, não disse (sei que foi por falta de tempo) de outras lutas junto com o Diário de Mogi, o DM, eu, por exemplo,  estive no desassoreanento do Tietê, nos Chacareiros, no Cadeião do Taboão, nas ETAs, ETEs e ECRs, Enrocamentos, retificações, drenagens (rua Dr Deodato, Cabo Diogo, Theófilo Salustiano, Pref. Carlos F. Lopes, etc) canalizações (taí a população ribeirinha do Córrego do Gregório pleiteando a reversão daquela canalização) e etc. etc.

Sem falar do nosso lixo.

Quando o prefeito Junji Abe enviou funcionários da Prefeitura para fazer estágio de como fazer coleta seletiva ao Japão, eu me lembro, que pedimos audiência para “lembrar” pra ele  que o japonês está no Oriente, e nós aqui no Ocidente, culturas totalmente diferentes e aproveitamentos e separações de resíduos que não iriam nunca se aproximarem aos nossos.

Taí, hoje nada que se viu lá foi aplicado aqui.

A Sociedade Civil já fez seminários e  abaixo-assinados para que tenhamos aqui um destino eficiente, diferente, ecológico e até econômico  para o trato de quase 500 t/dia que produzimos.

Parece que ninguém aqui leva isso a sério, assim como nunca levaram a sério o rio Tietê, a Serra do Itapety, a Mata Atlântica e os mananciais.

Mas estamos em tempos de “Viva Mogi” e continuamos fazendo as coisas sem dar conhecimento ao cidadão. Se a gente não participa de uma entidade estratégica, como CONCIDADE, conselhos de Meio Ambiente e APA do Tietê, não ficamos sabendo nem onde as obras serão executadas.

O governante já deveria ter promovido, uma, duas ou até dez audiências públicas para explicar o projeto, principalmente aos moradores dos arredores.

Há poucos dias, o projeto do Parque Antônio de Almeida foi apresentado ao Conselho Gestor da APA da Várzea do Tietê, do qual faço parte.

Fizemos um punhado de observações, algumas fundamentais por estarem na várzea do Tietê, como por exemplo, a questão dos estacionamentos (pois a entrada do Parque se dará para rua Antônio de Almeida, sabidamente estreita, inserida na APA, com muitas limitações), e outras como os sistemas de esgotamentos sanitários (pois a Estação Elevatória está longe) não poderão trazer terras de fora para fazerem os aterros, os alteamentos das cotas, o monitoramento das árvores a serem cortadas e  compensadas, não pode ter passarelas e nem trilhas, não pode ter “bota fora”.

E como a “entrada” no Parque será monitorada e sobre pilotis, os agravos devem ser mensurados e compensados 

Tudo isso com o compromisso da obrigatoriedade de serem fiscalizadas pelo Conselho da APA,  periodicamente.

(na realidade quem deveria fazer isso seria o Conselho municipal de Meio Ambiente)

O mais preocupante é que esse parque ficará estrategicamente em área de intensa ocupação. Hoje, lá já existem condomínios muito populosos e no futuro, existem projetos aprovados da Fazenda Rodeio que está previsto ter 250 mil habitantes daqui a 20 anos 

Então esse Parque terá uma população, no mínimo, de 5  a 10 mil pessoas por dia.

Isso sem falar que podem pleitear festas, apresentações, comícios e etc.

E muito pior: existe em frente ao Parque,  um grande terreno devoluto, uma grande área “privada” em área de ZUC que certamente será ocupada por imobiliárias e trará, no futuro, outra  descompensação territorial do rio Tietê.

O governo municipal deveria, antes de anunciar esse projeto, ter comprado essa área ou composto com o proprietário com o objetivo de manter a várzea e o Tietê integrais.

Por isso, nestes encontros, deveriam estar a sociedade civil interessada, aquela que mora ao lado dos empreendimentos para contrapor a obras que estão servindo somente de “desculpa” para se fazer viadutos para carros, beneficiar condomínios privilegiados e agravar a natureza.

Colocam “os olhos” do povo no parque mas vão fazer viadutos sobre o Tietê. Vão redimensionar a ETE Cesar até hoje sem projeto e sem licenciamento ambiental. E nós, somos os “chatos” da história, pedimos o que não devemos pedir e pedimos o crescimento da cidade  Estou nesse grupo há anos.

Está cidade nunca foi do pedestre, nunca! 

Em inúmeras vezes de revisão do Plano Diretor pleiteamos sermos os privilegiados, mas os governantes  continuam motorizados em viadutos e falam em “mobilidade urbana” 

Ora, pra quem?

José Arraes é presidente do Icati (Instituto Cultural do Alto Tietê)

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