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GUERRILHA URBANA

A violência nossa de cada dia

Morte no trânsito, fogo em caminhão após batida de veículos e os índices de homicídios nas cidades são um triste, atual e preocupante recorte da violência no Brasil

O DiárioPublicado em 04/10/2021 às 19:55Atualizado há 2 meses

Em abril deste ano, um dos mais duros registros de crônica policial mogiana decorreu de uma discussão de trânsito, quando mãe e o filho de 4 anos viram o pai ser atingido por um tiro em um cruzamento da Vila Oliveira. Alguns dias depois, a vítima não resistiu ao ferimento e morreu no Hospital das Clínicas Luzia de Pinho Melo. No último final de semana, um caminhão de um feirante carregado de melância acabou em chamas poucos instantes após uma batida também marcada por um bate-boca entre os condutores.

Esses dois crimes estão atados por um mesmo fio condutor: a vida vale cada vez menos e a rua anda cada vez mais violenta e imprevisível. Motivos fúteis são argumento para sacar uma arma e matar, ou comprar um galão de gasolina e atear fogo no “inimigo”. São esses os recortes da violância nossa de cada dia e mais próxima de pobres e também dos ricos. 

Mogi das Cruzes não é exceção. Mas, como a cidade tem reagido a esses casos?

 A violência é crônica no Brasil e sobressai no cotidiano das pessoas mesmo em um período completamente atípico, como uma pandemia. O mais complicado é o sentimento de banalização e aceitação dos casos relacionados à essa guerrilha urbana. 

A rapidez com que as transações do PIX movimentaram a indústria dos sequestros-relâmpagos e do crime organizado compõe esse estado insuportável de insegurança e vulnerabilidade sentida pelo cidadão.

Quando se escava pouco mais essa teia, os números revelam um acúmulo de desastres nas políticas públicas para a segurança. 

Em recente levantamento da Organização das Nações Unidas (ONU) sobre as mortes violentas no mundo, o Brasil ocupa um dos dez primeiros lugares entre os países analisados. A taxa global de homicídios é de 6,4 mortes a cada 100 mil habitantes. Esse índice, no Brasil, é de 31,1 ou seja, 5 vezes maior do que a média no planeta.

Chama atenção o fato de o Brasil viver uma situação política e econômica muito diferenciada da encontrada nas nações mais violentas, a maior parte delas, localizadas na América Latina. Na Europa, Ásia e Oceania, essa taxa vai de 2,3 a 3,0.

Os dados, o carro incendiado, as mortes no trânsito, os sequestros por causa do PIX, derrubam aquele idílico mito de ser este um país de gente amistosa, pacífica, camadara. Refletem quanto as cidades e o país seguem direção oposta do desenvolvimento e do equilíbrio social e humano.

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