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SOCIAL

Ocupação na Vila São Francisco, longe de uma resolução

A nova invasão, onde 120 crianças de 1 a 12 anos estão fora da escola, lembra o inicio do Jardim Nova União, um conflito iniciado há 40 anos

O DiárioPublicado em 01/10/2021 às 08:03Atualizado há 2 meses
Terreno na Vila São Francisco abriga 270 famílias, segundo os responsáveis pela ocupação / Eisner Soares
Terreno na Vila São Francisco abriga 270 famílias, segundo os responsáveis pela ocupação / Eisner Soares

A repórter Carla Olivo, de O Diário, entrevistou um dos moradores e integrantes do Movimento Ocupa Mogi, iniciado por um grupo de amigos e que resultou na ocupação do terreno de 94 mil metros quadrados, que deveria e não foi utilizado pela emprega Trefiltubo Trefilação Mogi Ltda. para atividade industrial, na Vila São Francisco.

O motoboy Luiz Ricardo Alves, 36 anos, rebate informações do governo municipal e cobra amparo, sobretudo, ao grupo estimado por ele em 120 crianças de 1 a 12 anos, que não está na escola.

A esta questão, o atendimento à comunidade infantil (nesta conta sequer estão os adolescentes até 18 anos), soma-se outros desamparos como a inacessibilidade das atuais 270 família a condições básicas de moradia - água e esgoto.

 O ritmo da busca de uma solução para esse mais recente conflito de terra indica que Mogi das Cruzes está diante de um drama humano e urbano complexo e de inestimável prazo para um final que contemple tanto a assistência social a essa comunidade, agora já formalizada,  e o cumprimento da lei.

Desde maio, afirma Alves, os passos dados pelo poder público municipal na composição de um dálogo foram suspensos. A questão é objeto de um processo judicial e sabe-se lá quando surgirá uma sentença definitiva.

O Jardim Nova União foi um dos mais longos conflitos de terra da cidade. Durou mais de 40 anos, embora em condição pouco diferente do atual (lá o terreno era particular e este, hoje, embora esteja nas mãos de uma empresa, é originalmente do município).

Nesse lapso de tempo, fracassamos todos nós. Governos, presidentes, prefeitos, sociedade brasileira. Se mantém igual a completa ausência de um cobertor social a milhares de famílias alojadas em escalas abaixo da linha da pobreza, no subemprego e desalento, e na educação incompleta. Com a pandemia, isso piorou e terá reflexos no futuro.

A invasão de terra não será defendida neste espaço. 

Mas, a desigualdade de acesso ao teto, ao emprego e a uma escola - veja, estamos falando de 120 crianças, segundo o Ocupa Mogi, longe de uma sala de aula - ajuda a construir uma situação que empurra muitas pessoas para as ruas ou uma ocupação ilegal. 

Neste caso, difere o número de famílias vivendo essa situação de uma só vez: mais de 250. Porém, há alguns anos, a Prefeitura combate a chegada de duas, três famílias a invasões ilegais. Esse é um problema que não se encerra na Vila São Francisco ou em áreas rurais e afastadas de cidades como Mogi que, como vemos, não está preparada para esse tipo de conflito.

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