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EDITORIAL

Saúde de hoje e do amanhã

"Quando o distrito de Braz Cubas sonhou e lutou durante ano por um hospital municipal, jamais poderia imaginar o lugar que ocuparia em uma pandemia"

O Diário Publicado em 29/11/2021 às 18:38Atualizado há 2 meses

Assunto que não pode ser legado a segundo plano, o combate à pandemia da Covid-19 deverá legar ao Hospital Municipal de Braz Cubas um lugar de referência no atendimento do Sistema Único de Saúde.

Coube ao hospital municipal abrir todos os seus leitos nos períodos mais agudos de contaminação, internações e mortes. Foi nessa unidade mogiana que a rede pública do Alto Tietê recebeu guarida com a abertura de todas as vagas exclusivas para a Covid-19, auxiliando os demais hospitais para atender pacientes com outras doenças graves crônicas ou eventuais, como acidentes e quedas graves que não podiam deixar o doente esperando por mais tempo para conseguir uma vaga.

Atualmente, com a estababilidade nos números, o Municipal reservou uma parte de seus leitos apenas para a Covid-19 e, felizmente, a ocupação se mantém em queda. O restante está servindo para cuidar da fila de espera por procedimentos eletivos na área de ginecologia.

Apenas o futuro irá cravar o tamanho e a extensão de sequelas nos pacientes e nos índices gerais de mortalidade resultante do represamento de consultas, exames e cirurgias - o que só não foi maior em Mogi e outras cidades porque o Luzia, Santa Casa e até o Dr. Arnaldo compuseram essa rede.

Quando o distrito de Braz Cubas sonhou e lutou durante décadas por um hospital jamais poderia imaginar o lugar que ele ocuparia em hora tão excepcional como a ainda vivida por nós.

No atual estágio - salvo uma mudança com o surgimento de novas variantes graves, já começa a ser possível avaliar o que foi realizado neste período e formatar planos para a sáude. Essa não será a última pandemia vivida pelo mundo cada vez mais afetado pela redução das reservas florestais e a maior integração de animais silvestres com o homem e o meio urbano.

A Covid-19 acabou com qualquer ilusão sobre os impactos de um novo vírus e suas variantes. Todos perdem.

É neste contexto que pesquisas como a realizada pelo Tribunal de Contas do Estado ganham relevância. Na semana passada, este jornal mostrou os índices de mortes na rede hospitalar pública. O Municipal Braz Cubas tem a maior taxa de óbitos (23.6%), seguido do Hospital Dr. Arnaldo (16,6%) e Luzia (14,9%). Os menores percentuais foram no Santa Marcelina, de Itaquá (7,8%), e Hospital Geral da mesma cidade (7,4%). Contam a gravidade dos pacientes recebidos e outras condições como a alta demanda.  

É de um apurado olhar técnico e científico, desapaixonado e livre de politização que as cidades do Alto Tietê podem se sair melhor na reordenação da rede hospitalar - para atender o passivo dessa terrível crise - na preparação para outras situações de risco máximo à saúde pública, como uma grave pandemia. A região escreve um balanço interessante. A articulação do Condemat, por exemplo, resultou na abertura da UTI no Dr. Arnaldo. Que tudo isso sirva para uma saúde melhor, igualitária e baseada na ciência, nas estatísticas.

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