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EDITORIAL

Pressão pela paz e justiça

Não fosse a reação das Mães Mogianas, Lucimara, Claudete, Regina, Ivani, Cida e outras,os assassinos poderiam ter acabado com mais vidas em Mogi

O DiárioPublicado em 16/12/2020 às 17:08Atualizado em 17/12/2020 às 14:49

A busca pela paz, justiça e uma investigação que não deixe dúvidas sobre a autoria do tiro que atingiu o professor de zumba Lucas de Souza Garcia, na quadra da Arena Água Verde, faz lembrar a luta das Mães Mogianas, uma ação popular que foi decisiva para estancar a sértie de chacinas ocorridas entre 2015 e 2017 em Mogi das Cruzes.

A quem não se lembra ou chegou à cidade depois desse período, vale rememorar a campanha nascida após as execuções registradas na noite de 24 de janeiro de 2015, no Jardim Camila e em Jundiapeba, quando cinco homens morreram, sendo um deles, um garoto de 14 anos. 

Foi a reação popular após o primeiro ato público praticamente familiar, mas acompanhado por este jornal e outros órgãos de impresnsa, no Largo do Rosário, que conseguiu chamar a atenção para os assustadores assassinatos praticados por policiais militares em bairros da periferia. Até hoje, há discordância sobre o número final dos executados.

O grupo Mães Mogianas estima que 21 pessoas morreram e pelo menos 12 alvos ficaram feridos.

Essas chacinas compõem a pior página da violência urbana de Mogi das Cruzes. Uma violência que a cidade não pode esquecer, sob o risco de ver repetidas a dor e a injustiça sofrida por moradores da periferia.

Deve-se. sobretudo aos familiares, amigos e professores dos jovens assassinados, a condenação dos ex-policiais Fernando Cardoso Prado de Oliveira e Vanderlei Messias Barros, que assumiram a autoria dos crimes, que ainda têm pontas soltas. 

Passados cinco anos, Polícia Civil não solucionou em definitivo esses casos porque as vítimas relatavam que mais de dois homens estavam em carros e moto durante os ataques ocorridos em pontos próximos aos locais de venda e consumo de drogas. Apenas dois policiais foram condenados. Ainda há inquéritos abertos.

Descobrir hoje quem atirou em Lucas é salutar para resolver esse misterioso registro policial. O ato público realizado no Largo do Rosário, ontem, é passo para isso. O silêncio das vítimas e da sociedade colabora com a impunidade, ratifica a violência estrutural.

Não fosse a reação das Mães Mogianas – Lucimara, Claudete, Regina, Ivani, Cida e outras, os assassinos poderiam ter acabado com mais vidas. Foi graças a esse grupo de mulheres, que contou com apoio de defensores contados nas mãos dos dedos, que as chacinas em Mogi, naquele período, foram contidas. 

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