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VIOLÊNCIA

Governo de SP repudia e investiga agressão a jornalista desferida por professor de Mogi

Agressor identificado pelo Sindicato dos Jornalistas é um professor que atua em escola pública de Mogi das Cruzes. Estado investiga o fato

O DiárioPublicado em 13/10/2021 às 13:50Atualizado há 4 dias
Reprodução
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Em resposta a O Diário sobre a agressão sofrida pelo repórter cinematográfico Leandro Matozo, durante cobertura de uma das missas no Santuário Nacional de Aparecida, no final de semana, a Secretaria da Educação do Estado de São Paulo (Seduc-SP) afirmou que "repudia todo e qualquer ato de violência, dentro ou fora do ambiente escolar".

A pasta e a Diretoria de Ensino de Mogi das Cruzes informaram que estão apurando o fato e após a apuração, "as medidas cabíveis serão tomadas".

A Pasta ressalta que está à disposição para colaborar com o que for preciso na apuração da agressão, que passou a ser repudiada por entidades nacionais desde o final de semana.

O Diário também solicitou informações à Secretaria de Segurança Pública a respeito da conduta dos policiais militares que atenderam ao caso, e não levaram o agressor à delegacia (veja reportagem).

Em uma postagem em rede social, o jornalista Vitor Ferreira lamentou a agressão sofrida pelo  cinegrafista Leandro Matozo, da GloboNew, ocorrida na terça-feira (12).

Segundo o jornalista, um apoiador do presidente Jair Bolsonaro (sem partido) abordou a equipe para insultar o trabalho dos profissionais e da emissora, e em seguida deu uma cabeçada no repórter cinematográfico.

“Registramos uma ocorrência na PM, que não quis conduzir o agressor para a delegacia para não 'prender a viatura' no DP, alegando uma tal resolução 150. O agressor foi liberado antes mesmo que nós e ainda pegou carona no carro da PM para voltar ao santuário”, disse o jornalista em sua conta no Twitter.

O agressor, identificado pelo Sindicato dos Jornalistas Profissionais no Estado de São Paulo (SJSP), é o professor Gustavo Milsoni, que trabalha na escola Cid Boucault, de Mogi as Cruzes.

O repórter fotográfico teve sangamento no nariz, após receber uma cabeçada, e ouvir o agressor dizer: "se eu pudesse, matava vocês".

Em nota em seu site, o Sindicato dos Jornalistas afirma que "a agressão não é um ato isolado. Acontece num momento de escalada de violência contra jornalistas, estimulada pelos discursos de ódio do presidente Jair Bolsonaro, seus apoiadores e tantas figuras que fazem parte ou orbitam em torno desse governo proto-fascista que não demonstra qualquer respeito à vida."

Acrescenta ainda que o "ato covarde se insere num contexto de intimidação cada vez mais constante de profissionais de imprensa que estão nas ruas para cumprir a função social de levar informação às pessoas. 

Confira a publicação do Sindicato dos Jornalistas::

"O repórter cinematográfico Leandro Matozo, da Globonews, foi covardemente agredido por um apoiador do presidente Jair Bolsonaro na tarde desta terça-feira (12) no Santuário de Nossa Senhora Aparecida, no interior de São Paulo. O agressor se chama Gustavo Milsoni e trabalha como professor na Escola Estadual Cid Boucault, em Mogi das Cruzes, na Grande São Paulo.

Matozo estava acompanhado pelo repórter Victor Ferreira, também da Globonews. Eles estavam se preparando para fazer um link ao vivo para a emissora quando foram abordados pelo agressor. 

O agressor ofendeu a equipe com diversos xingamentos e afirmou: “se eu pudesse eu matava vocês”. Em seguida, diante de policiais militares que faziam a segurança do evento, se aproximou de Leandro Matozo e deu uma cabeçada no nariz dele. O repórter cinematográfico teve sangramento no nariz, mas passa bem.

Os policiais militares conduziram o agressor e os jornalistas até uma companhia da PM e registraram apenas uma Notificação de Ocorrência (NOC). Não quiseram levar o agressor para a delegacia, apesar de terem flagrado a agressão. E ainda levaram o agressor de volta ao santuário em uma viatura da polícia.

Escalada de violência

A agressão não é um ato isolado. Acontece num momento de escalada de violência contra jornalistas, estimulada pelos discursos de ódio do presidente Jair Bolsonaro, seus apoiadores e tantas figuras que fazem parte ou orbitam em torno desse governo proto-fascista que não demonstra qualquer respeito à vida.

O ato covarde se insere num contexto de intimidação cada vez mais constante de profissionais de imprensa que estão nas ruas para cumprir a função social de levar informação às pessoas. 

A agressão é um ato de ataque à liberdade de imprensa. Atinge a ponta mais exposta nesse processo, que é o profissional da comunicação. Um trabalhador que, no Dia das Crianças, deixou seu filho em casa para trabalhar e é agredido de maneira covarde.

O Sindicato dos Jornalistas de São Paulo exige da Secretaria de Segurança Pública do Estado de São Paulo e do governo de João Doria que esta agressão não seja relativizada ou negligenciada para que, desta forma, o agressor responda judicialmente na medida de seus atos. 

Exige, ainda, que episódios como esses sejam investigados com rigor e que os responsáveis sejam punidos.

É urgente que se interrompa essa escala de violência contra os trabalhadores da comunicação antes que algo mais grave aconteça.

Baixada

Durante este feriado, outras agressões ocorreram na passagem do presidente pela Baixada Santista, o que comprova que tem sido ele próprio um indutor da violência contra jornalistas. https://www.sjsp.org.br/noticias/cinegrafista-da-tv-tribuna-e-agredido-enquanto-cobria-chegada-de-bolsonaro-ao-gu-afa6"

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