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Política no Alto Tietê: quem ganha e quem perde

A região do Alto Tietê sai do primeiro turno das eleições deste ano com a sua representatividade política abalada, tanto na Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo quanto na Câmara Federal. A bancada regional em São Paulo foi reduzida pela metade, pois apesar das reeleições de André do Prado e Marcos Damasio, ambos do […]

8 de outubro de 2022

Reportagem de: O Diário

A região do Alto Tietê sai do primeiro turno das eleições deste ano com a sua representatividade política abalada, tanto na Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo quanto na Câmara Federal.

A bancada regional em São Paulo foi reduzida pela metade, pois apesar das reeleições de André do Prado e Marcos Damasio, ambos do PL, perdeu Estevam Galvão de Oliveira (União), que desistiu de concorrer, e Rodrigo Gambale (PODE), que se elegeu deputado federal.
E se a bancada do Alto Tietê em Brasília recebeu o reforço de Gambale, junto com as reeleições de Marcio Alvino (PL) e Marco Bertaiolli (PSD), também sofreu duas baixas consideráveis, dos deputados Roberto Lucena (Republicanos) e Katia Sastre (PL), que não conseguiram se reeleger.

Outro abalo para a política regional foi a derrota do candidato a governador Rodrigo Garcia (PSDB), que recebeu apoio maciço dos prefeitos do Alto Tietê, mas acabou em terceiro lugar, atrás de Tarcísio de Freitas (Republicanos) e Fernando Haddad (PT).

Na opinião do sociólogo e professor universitário Afonso Pola, a queda na representação política do Alto Tietê nas duas casas legislativas se deve à falta de uma cultura voltada para a valorização dos chamados “candidatos da terra”, como a que se instalou, após muito tempo, no ABC, onde os eleitores acostumaram concentrar seus votos em políticos daquela região.

Pola defende uma atuação mais conjunta entre deputados regionais eleitos, independentemente de partidos, na solução de questões regionais, o que serviria para conscientizar o eleitor da importância de se apoiar mais os candidatos locais.

Além de uma divisão natural de votos com os candidatos mais ideológicos ou famosos, faltou aos candidatos regionais maior integração política com suas bases, como foi o caso de Katia Sastre, que não conseguiu avançar além da fama obtida por haver matado um bandido diante de uma escola de Suzano, aonde estudava sua filha.

Da mesma forma, Roberto Lucena pode ter confiado unicamente nos votos dos evangélicos, que sempre o elegeram.

Por outro lado, houve os que avançaram, como foi o caso de André do Prado, que ultrapassou os 216 mil votos, parte deles vindos de Suzano, onde recebeu o apoio do prefeito Rodrigo Ashiuchi (PL) e certamente herdou parte dos sufrágios normalmente destinados a Estevam Galvão de Oliveira.

Damásio também surpreendeu ao ir além dos 183 mil votos, resultantes, segundo ele, de grupos de apoio que conseguiu formar no interior, mas grande parte advindos em função da semelhança de seu número 22222 com o 2222 do campeão de votos para federal, Eduardo Bolsonaro (PL). A confusão de muitos eleitores na hora do voto o beneficiou, a exemplo de quando o dono do número era o humorista Tiririca.
Os federais Márcio Alvino, mais de 187 mil votos, e Marco Bertaiolli, mais de 157 mil, conseguiram ampliar as respectivas performances em eleições passadas. 
Ainda na seara doméstica, faltaram votos e um trabalho mais intenso para que o candidato Rodrigo Valverde (PT) chegasse à Assembleia. Mesmo tendo de vencer as dificuldades de seu partido junto ao eleitorado da cidade, ele alcançou mais de 35 mil  votos, ultrapassando os 30 mil recebidos para prefeito de Mogi, nas eleições de 2020. Mas ficou de fora. 
Assim como o atual presidente da Câmara, Marcos Furlan (PODE), que ultrapassou os 18 mil, mesmo recebendo o apoio de seu companheiro de partido, o prefeito Caio Cunha.
A cidade também continuou  sem o deputado estadual Gondim Teixeira (União), que a representou por cinco legislaturas, mas que, pela segunda vez, não conseguiu retornar à Assembleia, mesmo ultrapassando os 19 mil votos.
Outros não eleitos por Mogi conseguiram somente votações que lhes garantiriam a eleição ou reeleição para vereador na cidade, como foram os casos de Felipe Lintz (Patriota), com 21,5 mil votos, Clodoaldo de Moraes (PL), com pouco mais de 14 mil; Inês Paz (PSOL), 7 mil; Romildo Campello (PV), 3, 3 mil e Rodrigo Romão, 2,8 mil.

Voto preferencial

Segundo o sociólogo Afonso Pola, a perda de espaços, tanto na Assembleia quanto na Câmara, também demonstra que a parcela de eleitores das dez cidades que vota nos candidatos da região apenas se manteve, não aumentando o suficiente para elevar a quantidade de representantes da região nas duas casas.

Ao analisar a eleição de cinco políticos que já ocupavam mandatos, o sociólogo afirma que “aqueles com mandatos e que não decepcionam seus eleitores têm mais chances de continuar nos cargos, pois passam a manter uma relação maior com o eleitorado, prestando contas de suas atuações ou simplesmente se comunicando com eles e cativando seus aliados”, diz Pola, lembrando que deputados de fora adotam idêntico sistema para preservar os vínculos com seus eleitores na região.  

“O direcionamento dos votos para candidatos regionais acontece desde que haja alguma vantagem para o eleitor. Por isso, é preciso que os partidos e os eleitos se unam para desenvolver políticas públicas de resultado em favor da região que eles representam. Mais diálogo sobre questões regionais envolvendo partidos e eleitos vai criar um caldo cultural que leva o eleitor a pensar que é muito melhor votar em alguém da região do que em candidatos de fora”, garante Pola.

Faltou voto

O primeiro turno das eleições de 2 de outubro terminou sem que algum novo nome da política surpreendesse nas cidades da região. Entre os candidatos, apenas os “medalhões” conseguiram se eleger. Mas houve quem poderia ter chegado lá, não fosse a divisão, proposital ou não, de votos.  Caso do candidato a estadual Edson da Paiol (PODE), que apesar de seus mais de 51 mil votos, foi vítima da divisão incentivada pelo prefeito Eduardo Boigues (PP), que lançou os candidatos Lucas do Liceu (36,7 mil votos) e Adriana do Hospital (14,7 mil), ambos de seu partido, impedindo que o adversário ganhasse musculatura para atrapalhar sua reeleição em 2.024.

Em Ferraz de Vasconcelos, outra divisão de votos que manteve a cidade sem representante na Assembleia: o vereador Álvaro Costa, o Kaká (PODE), com o apoio de Rodrigo Gambale – que também apoiou Lucas da Paiol em Itaquá -, chegou a 47 mil votos, enquanto outro candidato da cidade, Dr. Rafu (PL), ultrapassou os 45 mil. 

Já em Suzano, os candidatos locais, que poderiam ser beneficiados com a ausência de Estevam Galvão (União), acabaram com desempenhos pífios. Estevam preferiu apoiar um candidato do interior paulista, enquanto o prefeito Rodrigo Ashiuchi (PL) voltou a mostrar que é bom de voto, ao assegurar as expressivas votações de eleitores suzanenses para André do Prado (30,8 mil votos) e Marcio Alvino (24,3 mil). O mais bem posicionado entre os candidatos da cidade de Suzano foi Lacerda Filho (SD), com 5,68 mil votos. 

A VOTAÇÃO DOS CANDIDATOS DA REGIÃO

DEPUTADO FEDERAL

Mogi das Cruzes
Marco Bertaiolli (PSD) – 157.552
Felipe Lintz (Patriota) – 21.533
Marcelo Brás (PSDB) – 8.993
Michael Della Torre Neto (PTB) – 975
Ralf Naure (PV) – 494
Airton dos Santos (PP) – 895

Suzano
Kátia Sastre (PL) – 60.330
Andréia Vaz (MDB) – 1.431

Ferraz de Vasconceloz
Rodrigo Gambale (PODE) – 108.209
Jorge Abissamra Filho (PSB) – 6.952
Renatinho Se Ligue (PSB) – 3.332
Juliane Gallo (MDB) – 2.476
Augustinho do Jornal (AGIR) – 575 (não eleito)

GUARAREMA
Márcio Alvino (PL) – 187.314

ARUJÁ
Pastor Roberto Lucena (REP) – 69.341

DEPUTADO ESTADUAL

Mogi das Cruzes
André do Prado (PL) – 216.268 (reeleito)
Marcos Damasio (PL) – 183.166 (reeleito)
Rodrigo Valverde (PT) – 35.128
Luiz Carlos Gondim (União Brasil) – 19.642 
Marcos Furlan (PODE) – 18.265 
Clodoaldo Moraes (PL) – 14.401
Fernanda Moreno (MDB) – 7.903
Inês Paz (PSOL) – 7.032
Juliano Botelho (PSB) – 4.385 
Romildo Campello (PV) – 3.335 
Rodrigo Romão (PC do B) – 2.820
Fernando Muniz (PP) – 1.764 
Anderson dos Santos, Anderson da Acessibilidade (PP) – 498 
Josué Gonçalves, Jô do Alho (PDT) – 434 

Arujá
Gilberto Daniel Junior (UB), Betinho – 17.794

Itaquaquecetuba
Edson da Paiol (PODE) – 51.580
Lucas do Liceu (PP) – 36.777
Adriana do Hospital (PP) – 14.735
Edimar Cowboy (MDB) – 2.578
Osório Brasileiro (PMN) – 780 (não eleito)

Ferraz de Vasconcelos
Kaká (PODE) – 47.055
Dr. Rafu Jr (PL) – 45.732
Edson Cury (PSB) – 819 (não eleito)

Poá
Saulo Souza (PP) – 21.614
Marquinhos do Indaiá (MDB) – 4.785

Santa Isabel
Fábia Porto (PP) – 4.734

Salesópolis
Rebecca Barbosa (PDT) – 3.002

Suzano
Lacerda Filho (SD) – 5.684
Lilian Diniz (Rede) – 1.203
Dr. Mauro (MDB) – 915
Joab Lira (AGIR) – 945 (não eleito)

Fonte: TSE

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