ECONOMIA

Procura por gás de cozinha cresce em Mogi e forma filas

ESPERA Mogianos formaram fila ontem nas proximidades de distribuidora que receberia gás de cozinha. (Foto: Eisner Soares)

O gás acabou no Alto Tietê. Desde o último sábado, os moradores que precisaram de um botijão para as atividades de casa certamente ficaram sem. A reportagem de O Diário tentou falar com as distribuidoras da cidade durante a manhã de ontem, mas não conseguiu, porque os telefones ou davam sinal de ocupado ou chamavam até cair a ligação. Quem fez contato no fim de semana recebeu a informação de que o abastecimento voltaria hoje ou amanhã.

A professora de inglês Juliana Prado de Oliveira mora com a mãe no Jardim Universo. Ela ficou sabendo na quinta-feira que os botijões estavam em falta na cidade. Tentou garantir um porque o de casa estava acabando, mas não conseguiu. No último sábado, zerou o que tinha em casa.

“A gente deu sorte porque tem panela de pressão, arroz e fritadeira elétricas, e também consegue pedir alguma coisa no delivery. Imagino as famílias com cinco ou mais pessoas que não têm esses recursos. Estamos na lista de espera de uma distribuidora. A previsão é de que o abastecimento seja feito nessa terça-feira”, explica.

Situação parecida enfrentou o contato de novos negócios Rodrigo Gonçalves. Morador do Rodeio, ele também soube da falta de reposição de gás no sábado. Como o dele estava acabando, tratou de tentar renovar, mas não conseguiu. Encontrou o dono de uma das distribuidoras que lhe disse, segundo conta, que os estoques zeraram porque teve gente que comprou de quatro, cinco botijões.

“O meu ainda tem um pouco, mas deve durar só hoje ou no máximo amanhã. As pessoas são muito individualistas em comprar desse jeito. Elas não pensam que estão prejudicando os demais? Na última vez em que troquei, estava R$ 65,00. Agora já está R$ 75,00 e com lista de espera para conseguir um”, diz.

A jornalista Ana Figueiredo também não encontrou botijão no bairro do Botujuru onde mora e em outras duas distribuidoras. Com o nome na lista, ela não foi informada quando uma nova remessa deve chegar. “As pessoas que compram mais do que vão usar não pensam que elas estão prejudicando um vizinho, ou até um parente dele? A pandemia fica ainda mais difícil com essas pessoas que pensam apenas no próprio umbigo”, pontua.

Na última semana, o Procon de Mogi havia recebido duas denúncias de sobrepreço no preço do botijão de gás na cidade, mas o valor não passava de R$ 80,00, o que foi considerado dentro da média. Mas preocupado com o desabastecimento do produto, que inclusive motivou ligações de clientes ao Procon, ainda que não seja a responsabilidade deles cuidar da distribuição da mercadoria, o diretor da unidade, Fernando Muniz, entrou fez contato com a Ultragaz.

“Eles me passaram que costumam distribuir por mês, em São Paulo e região metropolitana, 1,5 milhão de botijões. E que apenas na semana passada foram entregues 300 mil a mais, e ainda assim acabou. Na terça-feira agora, eles recebem a matéria da Petrobrás e ainda nessa semana isso deve ser normalizado”, afirma o diretor.


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