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Projeto ‘Mogi por Dentro’ mostra a variedade turística e cultural da cidade

Criar roteiros, passeios e caminhos para o turismo local, e nesse processo, valorizar patrimônios históricos, paisagens naturais e produtos locais. Tudo isso “de dentro para fora” – por isso ‘Mogi por Dentro’. São os objetivos do projeto da agência de turismo Quintal de Vó, aprovado pela Lei Municipal de Incentivo à Cultura (LIC) e apoiado […]

7 de novembro de 2021

Reportagem de: O Diário

Criar roteiros, passeios e caminhos para o turismo local, e nesse processo, valorizar patrimônios históricos, paisagens naturais e produtos locais. Tudo isso “de dentro para fora” – por isso ‘Mogi por Dentro’. São os objetivos do projeto da agência de turismo Quintal de Vó, aprovado pela Lei Municipal de Incentivo à Cultura (LIC) e apoiado pelo grupo Marbor, que começa agora.

Em três etapas (planejamento;  conhecimento entre parceiros/sensibilização para o turismo; e definição dos roteiros – leia mais abaixo) a ideia é revelar Mogi das Cruzes para o turista que vem de fora, mas também e principalmente para o mogiano, para a mogiana. A idealizadora Debora de Souza Mello resume bem: se trata de “pensar a valorização da essência, valor e riqueza, aquilo que a gente não olha de primeira” em Mogi.

Para entender, um bom exemplo é a Vila Helio, região histórica no centro do município, que vem passando por uma grande transformação desde 2018. O ‘Mogi Por Dentro’ pretende inseri-la em diferentes rotas enquanto núcleo de gastronomia, cultura e lazer. E o mesmo vai acontecer com outros espaços e pontos turísticos.

“É uma grande demanda que a cidade tem”, explica Debora. Na visão dela, que é formada em Lazer e Turismo pela Universidade de São Paulo (USP), trabalha como guia e é membro do Conselho Municipal de Turismo (Comtur), existe uma cena, e uma das boas, na cidade. Mas as pessoas estão “espalhadas, cada um fazendo sua parte”. O que ela pretende é desenvolver uma “rede”.

Pensar de modo amplo faz parte deste processo de oferecer um novo olhar a Mogi. O projeto se voltará para a zona rural, para os bairros distantes, para as serras do mar e Itapeti, para o centro, para os parques urbanos, como o Centenário. E muito mais. A intenção é conectar todos estes atrativos em espécies de “pacotes” voltados para diferentes tipos de turistas. 

Os roteiros devem deixar próximos lugares geograficamente distantes, onde “as pessoas nem sabem que acontece turismo”, como “fazendas em que é possível ficar o dia inteiro colhendo frutas, morango, tomando café, almoçando”.

Além de revelar bons atrativos e redescobrir os que já são conhecidos, a exemplo do Pico do Urubu, os roteiros vão contar com pelo menos uma apresentação artística cada. “Seja ela de música, dança ou uma oficina para as pessoas aprenderem”, promete Debora, que continua: assim como os artistas, os artesãos também serão incluídos. 

“Vamos promover o artesanato dentro de cada roteiro. Teremos sempre um produto associado ao turismo que tem possibilidade de ser comercializado, como um souvenir, alguma lembrança, algum artesanato que a pessoa possa levar para casa”.

E isso não acontecerá somente no turismo rural, mas em todos os tipos. “Visitar patrimônio tombado pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), falar de algum bem material, fazer uma apresentação de uma manifestação folclórica, religiosa, no sentido da cultura”, lista a organizadora, que pensa em diversas possibilidades.  

Contudo, não serão consideradas apenas as ideias de Debora Mello. Será somente no final dos nove meses de duração do projeto que os roteiros serão formatados. Até lá, muito planejamento, conversas, oficinas. 

O ponto não é perguntar para o turista o que ele gostaria de ver; e sim para as propriedades rurais, espaços culturais e religiosos, parques e reservas naturais, guias de turismo e monitores, meios de hospedagem e alimentação, organizadores de passeios, empresas de transporte e prestadores de serviço das mais variadas áreas. É esta rede de parceiros que garantirá o ângulo necessário para que se veja Mogi por dentro.

 

Diversidade, equidade e sustentabilidade

A primeira etapa do ‘Mogi por Dentro’ começa no próximo dia 1º de dezembro, com o ‘Fórum de Turismo Local – Pelos Caminhos da Cidade’, que será realizado na Vila Helio. É a partir deste evento que terá início a participação pública do projeto, apoiada em três pilares: diversidade, equidade e sustentabilidade.

Os bastidores se movimentam antes disso. A marca já foi criada – e conta com perfis nas redes sociais-, os parceiros já foram selecionados.  “Vamos ver o que eles têm de potencial, qual o valor deles e o que podem oferecer para o município nessa fase de conhecimento”, explica a organizadora, Debora Mello, que fala em “sensibilização para o turismo” por meio de “oficinas e visitas técnicas”.

Será somente em um terceiro momento que os roteiros serão de fato definidos. A princípio, o ‘Mogi Por Dentro’ criará 10 deles, com direito a um teste experimental de cada um, com a presença de clientes reais. Estas primeiras excursões serão custeadas pelo projeto, com recursos do grupo Marbor via Lei Municipal de Incentivo à Cultura (LIC).

Todo o processo será permeado pela inclusão. “Teremos diálogos com diferentes públicos. Além de conversar com as próprias pessoas que vão receber os turistas, vamos conversar com entidades, lideranças que trabalhem com a equidade e inclusão social”. Um dos nomes que já pode ser revelado é o de Gustavo Don, do Fórum Mogiano LGBT. 

Os debates devem ser disponibilizados em vídeo na internet e devem abordar temas como “pessoas com deficiência (PCD), ancestralidade e cultura afro”. “Mogi tem forte influência japonesa, mas não vamos falar só deles. Vamos falar dos negros, dos árabes, dos portugueses, dos indígenas”, promete Debora, que mostra ainda preocupação com a sustentabilidade. “Além de preservação histórica e dos patrimônios, precisamos falar de preservação ambiental”, finaliza ela.

 

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