MEIO AMBIENTE

Represa em Salesópolis recebe espécies de peixes

Soltura dos peixes na barragem de Ponte Nova está programada para esta quarta-feira. (Foto: arquivo)
Soltura dos peixes na barragem de Ponte Nova está programada para esta quarta-feira. (Foto: arquivo)

“Um rio só pode ser integrante de uma cidade quando ele é vivo e, para isso, ele precisa de peixes”. A frase é do professor e pesquisador do Núcleo Integrado de Biotecnologia da Universidade de Mogi das Cruzes (UMC), Alexandre Hilsdorf, que promove hoje, a partir das 9 horas, o repovoamento de algumas espécies de peixes na barragem de Ponte Nova, em Salesópolis. Aproximadamente mil exemplares de curimbatá-da-lagoa – espécie considerada extinta na região – serão liberados no Tietê.

O projeto nascido nos anos 2000 é uma contrapartida do Departamento de Águas e Energia Elétrica (DAEE), que teve início após a construção das represas de Biritiba e Paraitinga, ambas integrantes do Sistema Produtor Alto Tietê. Na época, Hilsdorf, que também coordena o Laboratório de Genética e Organismos Aquáticos e Aquicultura da UMC, foi selecionado para trazer de volta a operação na estação de piscicultura da Ponte Nova.

Agora, a ação conta também com o apoio financeiro da Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo (Sabesp). “A questão não é só a ciência, mas envolve toda uma conscientização. Por isso, vamos levar alunos do Ensino Médio de algumas escolas de Mogi, para que isso cause um impacto e chame a atenção das pessoas. Apesar de a população não ver os peixes, eles precisam ser cultivados”, comentou o pesquisador.

Para que o projeto tenha sucesso, os peixes começam a ser produzidos em setembro, a fim de que nesta época já comecem a ser levados para os rios e afluentes. Realizada há anos, desta vez a soltura conta com uma novidade. Hilsdorf explica que solicitou à Companhia Ambiental do Estado de São Paulo (Cetesb) para que o curimbatá-da-lagoa também fosse repovoado. Com base em alguns indícios, as pesquisas apontaram que a espécie já fez parte da Bacia do Tietê, mas não é mais encontrada por aqui.

A reintrodução é importante não apenas por ser um tipo ameaçado de extinção, mas também porque esses peixes exercem papel fundamental na ciclagem de nutrientes dos rios e reservatórios, agindo como condutores de energia e biomassa dos níveis inferiores para os superiores da cadeia alimentar aquática, contribuindo ainda na dinâmica das comunidades ictiofaunísticas, ou seja, que vivem na região.

Também serão levados para Salesópolis exemplares de outras três espécies, sendo elas a tabarana – que é símbolo do Alto Tietê – além do acará e do lambari de rabo vermelho.