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Rota da Luz volta a contar com passaporte

Eliane JoséPublicado em 05/10/2020 às 16:59Atualizado em 24/10/2020 às 04:45
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DISPOSIÇÃO Tem início em Mogi das Cruzes, o trajeto de 201,5 km que garante um acesso mais tranquilo à Basílica de Aparecida, sem os riscos da rodovia Presidente Dutra. (Foto: Eisner Soares)

O passaporte da Rota da Luz voltou a ser disponibilizado na bilheteria da Estação de Trem Estudantes. Por causa da pandemia, desde março passado estava suspensa a entrega do documento, usado para receber os carimbos e confirmar a caminhada de fé e oração. Apesar disso, moradores de Sabaúna e a Associação Amigos da Rota da Luz, que possui uma representação em cada cidade dos 201,5 quilômetros traçados a partir de Mogi das Cruzes, acompanham a passagem dos primeiros peregrinos.

Nesta véspera do dia de Nossa Senhora Aparecida, a expectativa é de se reduzir pela metade o número de usuários da Rota da Luz, criada pelo Governo do Estado, em 2016, com o objetivo de oferecer uma alternativa mais segura aos caminhantes. A maior parte das romarias segue pela via Dutra.

De outubro a março deste ano segundo o presidente da Associação Amigos da Rota da Luz, Ubirajara Nunes Pereira de Souza, foram cadastradas 1,3 mil pessoas que percorreram o roteiro. De uns tempos para cá, o caminho começou a ser mais divulgado entre devotos e moradores das cidades interligadas por ele.

Um dia antes da data em homenagem à padroeira, a expectativa era de se receber entre 1,5 mil e 2 mil caminhantes e ciclistas. Por causa da pandemia, Souza acredita que esse número poderá chegar a 600 ou 700 pessoas.

De março até agora, a Amigos da Rota da Luz seguiu estritamente o que determinou o poder público. Desde a retomada da entrega dos passaportes, no entanto, o site voltou a cadastrar os peregrinos.

E a previsão é de se receber mais peregrinos e os “bicigrinos”, como são chamados os ciclistas do caminho, nos próximos anos. “Temos recebido muitas pessoas de outras cidades, de São Paulo, e até do exterior, que buscam as informações sobre o trajeto, pousadas, e pontos de apoio”, comenta.

Outro impulso a ser dado será a interligação das trilhas do Sal, que parte de São Bernardo, e da Luz. Outro projeto visa estimular o início da viagem em Itaquera, na Congregação Dom Bosco, que tem um forte histórico neste tipo de expedição, o que fomentaria o turismo em Mogi: hoje, como a cidade é ponto de partida, a rede de restaurantes e pousadas recebe pouquíssimos viajantes, porque eles começam a jornada abastecidos e alimentados.

Via Dutra ainda é opção para viagem mais rápida

Com um número maior de romarias, a rodovia Presidente Dutra atrai os peregrinos que dispõem de menos tempo para chegar a Aparecida. É o caso da turma conduzida por Geraldo Ramos Moisés que cumprirá o roteiro a partir da 1 hora da madrugada do dia 10 e chegará ao destino na festa da padroeira do Brasil, dia 12.

Ele faz o caminho pela 12ª vez, mas o grupo está nesta estrada há 14 anos. Neste ano, estão inscritas 150 pessoas de 14 a 73 anos. Em 2019, foram 194. Moisés pensou em fechar a romaria com 120 pessoas, por causa da pandemia.

“Não consegui dizer ‘não’ para muitas pessoas que têm esse compromisso todos os anos”, comenta, contando que alguns cuidados extras serão tomados, como a distribuição de máscaras descartáveis e a orientação para manter o distanciamento e outros cuidados.

REDUÇÃO Geraldo Moisés admite diminuição no número de romeiros. (Foto: divulgação – Paulo Pinhal)

O arquiteto Paulo Pinhal desistiu da caminhada de agradecimento e fé neste 2020. Apesar de ter assegurado o lugar no grupo, ele ponderou que teria de ficar em quarentena, no retorno, para não expor seus clientes aos riscos de contágio. Mas, ano que vem, ele retoma a tradição.

Geraldo acredita em redução de peregrinos no caminho pela insegura Via Dutra. Inclusive, há uma expectativa a se confirmar: a direção do Santuário de Nossa Senhora Aparecida não irá realizar missas presenciais no dia 12 – justamente para inibir a aglomeração de fiéis. “Algumas pessoas desistiram, mas muitas fazem a caminhada por fé, para pedir ou agradecer bênçãos”, algo muito marcante entre os devotos da santa.