MODERNIZAÇÃO

Santa Casa de Mogi completa 147 anos em meio a obras

ESTATÍSTICA Os números são superlativos na Santa Casa de Mogi, que faz 450 partos por mês e atende 10 mil pacientes no Pronto-Socorro. (Foto: arquivo)
ESTATÍSTICA Os números são superlativos na Santa Casa de Mogi, que faz 450 partos por mês e atende 10 mil pacientes no Pronto-Socorro. (Foto: arquivo)

Com números expressivos e importantes para a cidade, a Santa Casa de Misericórdia de Mogi das Cruzes completa 147 anos nesta segunda-feira. Somete no Pronto-Socorro da unidade passam cerca de 10 mil pacientes mensalmente – o que caiu pela metade durante a pandemia do novo coronavírus –, enquanto na maternidade – que é referência no Alto Tietê – são cerca de 450 partos por mês. Desde 2018, o prédio do hospital tem passado por obras de melhorias que devem ter mais uma parte finalizada nos próximos 60 dias.

Outros prazos já foram estipulados para a conclusão das intervenções, mas eles tiveram de ser postergados por conta de imprevistos e também pelo fato de o atendimento nunca ter sido paralisado. O plano de contingência colocado em prática foi o ideal para alcançar uma otimização absoluta e, mesmo que com alguns espaços interditados, manter todos os serviços em funcionamento.

“Nós tivemos alguns percalços por causa de todas as readequações que foram necessárias, com a interdição de algumas salas. Mas conseguimos manter o atendimento e isolar o local que receberia as obras. Agora, a estimativa é de terminar dentro desses 60 dias que foram estipulados, porque tudo já está previsto neste prazo e a gente espera que não apareça mais nenhum problema. Essa é a nossa programação”, afirma o provedor da Santa Casa, José Carlos Petreca.

Desde o início, a obra foi dividida em três partes. Na primeira, o pronto-socorro obstétrico, onde são recebidas as gestantes em trabalho de parto, ganhou uma reformulação, que já foi concluída. Depois, teve início a reforma no setor de retaguarda do PS – que inclui todos os consultórios, salas de observação masculina e feminina, banheiros e farmácia. Já nesta última, a recepção e o setor de Emergência serão readequados.

A maternidade também deverá ser readequada e para isso aguarda agora por uma autorização da Prefeitura, já que todos os procedimentos por parte do hospital já foram cumpridos. No setor, os espaços físicos precisam ser alterados para que possam estar de acordo com o atendimento que vem sendo prestado atualmente. A unidade neonatal, por exemplo, já foi redimensionada, passando de dez para vinte leitos de UTI. Mas ainda assim, algumas mudanças precisam ser efetivadas na estrutura.

O receio de estar em locais cheios devido ao risco da contaminação pelo novo coronavírus, fez com que as pessoas buscassem a Santa Casa somente em casos de urgência e emergência. A medida diminuiu pela metade o número de atendimentos mensais, indo de uma média de 10 mil pacientes para 5 mil. Mesmo que o fluxo mais baixo tenha ajudado no andamento das obras, os gastos ainda são os mesmos e o deficit do hospital continua em cerca de R$ 500 mil por mês.

“O custo para manter o hospital é fixo, porque mesmo que a gente diminua os atendimentos precisamos manter a nossa infraestrutura de saúde. Precisamos estar sempre prontos para uma situação mais grave e temos a obrigação moral e profissional de manter tudo isso. Não podemos dispensar ninguém da equipe, por exemplo”, explica o provedor.

Petreca ressalta ainda que os pacientes que chegam com Covid ou suspeita da doença são caros, porque as medicações têm um preço elevado e estão em falta no mercado. Quando são encontradas, o valor pago é alto. Além disso, o atendimento ficou mais caro também por todos os equipamentos individuais de segurança que os profissionais precisam usar.

Culto comemorativo terá transmissão

As normas de isolamento social estipuladas devido à pandemia do novo coronavírus impedem aglomerações e os abraços de comemoração. Elas, entretanto, não podem deixar de lado uma data tão importante como o 147º aniversário da Santa Casa de Misericórdia de Mogi das Cruzes. Os eventos tradicionais na data foram repaginados, mas não deixarão de acontecer. O culto ecumênico, por exemplo, será transmitido pela internet.

Nesta segunda-feira, a partir das 16h30, a celebração acontece na capela da instituição sem a presença física dos colaboradores, mas com transmissão ao vivo pelo Facebook do hospital, que pode ser encontrada pelo link www.facebook.com/santacasamc.

Ainda evitando as aglomerações, os funcionários que estiveram no local vão receber um almoço especial na segunda e na terça-feira, além de um café da tarde com bolo cupcake individual, café, suco e chá também amanhã, das 15 às 16 horas.

Há um ano e meio como provedor da instituição, José Carlos Petreca, diz que o aniversário vem para reforçar o quanto a Santa Casa é sólida, necessária, importante e uma parte integrante da cidade e de todo o Alto Tietê. Ele frisa que tudo isso mostra que os preceitos dos fundadores, de atender a população necessitada, estão sendo mantidos.

“Nós somos referência em todas as clínicas que somos credenciados hoje e conseguimos prestar os serviços que a população necessita. Mais do que isso, nós fazemos tudo com muito carinho. Quando a gente chega para trabalhar e vê a dedicação de todos os colaboradores é uma coisa que cativa todos nós e nos dá um conforto e uma esperança enorme de vida e de futuro. Nós temos esse compromisso de que a instituição não sofra com os percalços e mantenha esse espírito”, conclui o provedor.

Padre articulou a criação do hospital filantrópico

A fundação da Santa Casa de Misericórdia de Mogi das Cruzes ocorreu por iniciativa do vigário da cidade, padre Antônio Cândido Alvarenga, que reuniu representantes da comunidade mogiana em sua casa para criar uma sociedade cujo fim seria o de acudir os menos favorecidos. No dia 6 de julho de 1873, cerca de 130 pessoas participaram deste encontro que culminou com a idealização do Asylo da Sociedade Mogyana de Beneficência, primeira denominação da entidade.

O primeiro artigo do Estatuto dizia que a sociedade praticaria a caridade cristã, especialmente aplicada à visita e ao curativo da pobreza enferma. Naquela época, os serviços eram feitos procurando-se os doentes carentes nos próprios bairros.

A primeira diretoria foi composta pelos seguintes membros: presidente, padre Antônio Cândido Alvarenga; vice-presidente, Joaquim Augusto Ferreira Alves; primeiro-secretário, tenente-coronel Joaquim de Campos Freitas; tesoureiro, tenente-coronel Antônio Mendes da Costa; procurador, José de Almeida Grant e, ajudante, capitão Tristão Augusto de Oliveira. Os primeiros médicos foram: Dr. Paulo Malheiro de Melo, Dr. Rodrigo Gomes Vieira de Almeida e Dr. Salvador José Corrêa Coelho.

Em 6 de novembro de 1881, foi inaugurada a primeira sede do Asylo da Sociedade Mogyana de Beneficência. O primeiro imóvel era alugado e ficava no largo do Bom Jesus, nº 1. Em 31 de julho de 1899, a sede passou a ser na rua Olegário Paiva, onde hoje fica a Delegacia de Ensino de Mogi das Cruzes. Mais tarde, em setembro de 1956, inaugura-se definitivamente, na rua Barão de Jaceguai, nº 1148, a atual sede.


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