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Secretária de Cultura fala de planos e do Escritório de Projetos

A Secretaria de Cultura de Mogi das Cruzes mudou de endereço algumas semanas após a chegada da historiadora paulista, museóloga e professora universitária Claudinéli Moreira Ramos. Desde fevereiro passado, ela responde pela pasta. O setor funcionava no Casarão do Carmo, onde está instalado o Museu Mogiano, e agora atende no prédio da Prefeitura, à rua […]

10 de junho de 2023

O Diário

A Secretaria de Cultura de Mogi das Cruzes mudou de endereço algumas semanas após a chegada da historiadora paulista, museóloga e professora universitária Claudinéli Moreira Ramos. Desde fevereiro passado, ela responde pela pasta. O setor funcionava no Casarão do Carmo, onde está instalado o Museu Mogiano, e agora atende no prédio da Prefeitura, à rua Senador Dantas. A mudança estratégica, para deixar o prédio antigo e histórico do Casarão do Carmo com a vocação  para ser museu, veio acompanhada de lances administrativos e políticos que começarão a ser melhor observados nos próximos meses. Por exemplo: Claudinéli pretende abrir um edital para a ocupação do prédio da banda Santa Cecília, atua para deslindar um entrave técnico antigo no prédio do Centro Cultural para atender uma recomendação do Corpo de Bombeiros e ampliar o acesso à Biblioteca Municipal, e começa a revitalizar museus da cidade em parceria com os entes responsáveis. Uma das jogadas de relevo foi a criação do Escritório de Projetos, que promete alargar a busca de fomento financeiro por meio de amparo técnico a artistas e organizações culturais.

Em conversa com O Diário, a secretária falou sobre as articulações para descentralizar o acesso aos equipamentos de cultura e atuar em flagrante urgência – o aumento do orçamento da pasta, hoje estimado em cerca de R$ 8 milhões/ano, sendo boa parte usado para a folha de pagamento da pasta que tinha 35 servidores concursados e de confiança, um número que chega, agora, a 45. Cidades menores do que Mogi das Cruzes têm recursos públicos bem mais robustos para a Cultura que,  para a historiadora, deve ser tratada como um direito, um status a cima do que ser um serviço público de acesso a uma parte da população.

Esse conceito, aliás, da cultura como um direito do cidadão e dever da gestão pública, foi citado por ela quando comentou  sobre passos para levar, junto a outras secretarias, como Educação e Planejamento, produtos culturais a escolas e espaços comunitários de bairros como o Nova União, jardins Bela Vista e Novo Horizonte, e outros. Pilotos de projetos com essa mirada são arquitetados. Um dos arranjos será ampliar essas ações de expressões diversas – música, teatro, enfim – no contraturno de escolas com ensino integral.

É nessa direção que caminha a pasta, segundo indica, para o planejamento do setor para o curto prazo, mas com vistas ao futuro, daqui a 40 anos, como prega o Mogi 500 Anos. 

O Escritório de Projetos está aberto ao público, nasceu para  gabaritar os bons projetos, aprimorar o que já existe, captar recursos, detectar potenciais patrocinadores, divulgar as leis de fomento (LIC, PROAC e a Rouanet). 

A ideia, resume a gestora, é ofertar soluções para destravar a burocracia e demonstrar claramente como funcionam e como se qualificar para editais (veja mais ao lado).

Paralelo a isso, em parte da agenda da paulistana que está procurando um imóvel para vir residir na cidade, ocorrem encontros para atos como a Conferência Municipal de Cultura, em julho, que pretende nortear agendas, com o respaldo dos artistas, produtores e artesões. Claudinéli defende a retomada de programas paralisados e cita como urgência o diálogo com os artistas e o público – rompido pela pandemia e na troca do governo municipal, lembrando que ela é a segunda secretária da pasta durante a atual gestão.

Após o convite para integrar a equipe de Caio Cunha (PODE) e chegada à cidade, ela diz ter ficado surpresa positivamente com a qualificação técnica dos profissionais do setor e projetos. 

Destaca, entre outros,  a formação musical da Orquestra Sinfônica, programa que tem na ficha de nascimento antecessores como “Um Canto em Cada Escola” e o “Canarinhos”, e hoje forma 560 alunos, no prédio  significativo para a cidade e o Centro, o Cine Odeon, na Praça Oswaldo Cruz e ao lado das estações de trem e ônibus. O local  será reformado e sediará a Escola de Cinema. A Prefeitura espera recursos financeiros para tocar o projeto, e há o compromisso de se zelar por um espaço para a continuidade da formação dos músicos que ganhou capilaridade na cidade e destaque no Estado de São Paulo.

 

Quando conheci Mogi, o primeiro passeio foi na Serra do Mar

Profissional da área de história e museus, Claudinéli Moreira Ramos veio a Mogi das Cruzes pela primeira vez quando, ainda jovem, desceu a pé a Serra do Mar por uma das belas e sinuosas trilhas abertas entre a região de Taiaçupeba e Bertioga.

Ela conheceu o professor Jurandyr Ferraz de Campos (ex-secretário da pasta) e endereços como as Igrejas do Carmo, por força de reuniões como gestora na Secretaria de Estado da Cultura. “Clau”, como é chamada, destaca a riqueza cultural e ambiental da cidade a caminho dos 500 anos, a forte presença da comunidade japonesa e patrimônio natural formado pelas serras do Mar e do Itapeti.

Decisão da sociedade e as verbas

O educador Paulo Freire é citado por Claudinéli Moreira Ramos quando a prosa aborda tema de interesse da cidade, a preservação do patrimônio histórico. “Não existem prioridades que não se manifestem na forma de verbas”, é a frase do pensamento do educador brasileiro lembrada por ela. Para a gestora, a definição sobre a prioridade deve levar em conta a complexidade da distribuição do dinheiro público entre pastas  e demandas e a garantia da cultura como um direito do cidadão.

A secretária alia as decisões sobre as políticas de preservação patrimônio ao desejo da sociedade. Sobre o Casarão dos Duque, ela lembrou as ações judiciais tocadas pelo governo municipal (deste a gestão passada) contra os responsáveis pelo local, que pertencente a uma incorporadora. Para ela, a decisão sobre o que deve ser preservado ou não, não é unilateral. “A definição do que será preservado, num país democrático, que a gente defende que continue democrático, como o nosso, não é uma exclusiva do titular de um mandato, mas  resulta da discussão sobre a construção do orçamento público. Mogi tem muitos e grandes desafios em várias áreas e também na Cultura A gente precisa demonstrar quanto os desafios da Cultura são importantes”. Destaca a importância de a sociedade auxiliar na recuperação Museu das Igrejas do Carmo, que pertence à Ordem do Carmo, e outros locais. Porém, no caso do Casarão dos Duque, realça que o imóvel é de uma incorporadora e, hoje, não há uma obrigatoriedade de o poder público intervir financeiramente em bem particular. “Eu, particularmente, como cidadã, defendo que o compromisso da cidade é com o patrimônio municipal”. (E.J.)

O que mais virá por aí

Descentralização de projetos e ações culturais nos bairros para a formação de profissionais e agenda cultural, e não apenas eventos episódicos, com aulas de dança, balé, músicas e outros.

Reforma no telhado e construção de nova escada no Centro Cultural para obtenção do Auto de Vistoria do Corpo de Bombeiros – hoje, o acesso à Biblioteca é parcial.

Teatro Vasques e sede da Banda Santa Cecília – Mudanças no edital de ocupação para usos diversos e especificação para cotas de gratuidade.

Espaço Arte e Cultura de César de Souza – compartilhamento entre as secretarias de Cultura, Esporte, Desenvolvimento Social e Assistência Social.

Instalação da Escola de Cinema

Pinacoteca: desenvolver um Ateliê de Artes

Formação de profissionais de arte em parceria com grupos e entidades de bairro

Otimizar o uso cultural do Mercado Municipal.

 

Lei Paulo Gustavo garante r$ 3,4 mi a artistas de Mogi

Nos próximos dias, deverá ser divulgada a regulamentação para que os artistas e trabalhadores de arte e cultura disputem os R$ 3,4 milhões que Mogi das Cruzes receberá do governo federal por meio da Lei Paulo Gustavo.

Há uma expectativa sobre a injeção desses recursos – um dos maiores já liberados até aqui, para a execução de projetos por um grupo formado por cerca de 5,5 mil artistas, técnicos e profissionais de outros desse setor.

A maior parte do recurso, conta Claudinéli Moreira Ramos – cerca de R$ 1,8 milhão, será destinado ao audiovisual – o restante de repartirá em capacitações, salas de cinema itinerantes e outras linguagens como música, literatura, artes urbanas.

O Escritório de Projetos da Secretaria de Cultura é uma ferramenta para auxiliar os participantes. A expectativa é de divulgar o edital nas próximas semanas. Há uma perspectiva de aprovação de cerca de 116 projetos, um número considerável, que irá impactar a classe artística e, sobretudo o público, quando os programas se tornarem realidade.

As pessoas devem acompanhar as divulgações sobre a Lei Paulo Gustavo em Mogi nas redes sociais da pasta. Outra fonte de conexão são os Diálogos Abertos, que reúnem dezenas de pessoas.  Claudinéli  coloca a pasta à disposição das pessoas. O acesso aos técnicos da pasta se dá pelo telefone (11) 4798-6900, o e-mail [email protected],  ou na sede da pasta (rua Senador Dantas, 326, 3º andar, no Centro) de segunda a sexta-feira, das 9h às 16h30. (E.J.)

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