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Show renova e dá continuidade ao ‘Clube da Esquina’ em Mogi, neste sábado

Grande clássico da música brasileira, o álbum ‘Clube da Esquina’ está completando 50 anos em 2022. Descendentes dos membros originais do grupo, os mineiros Rodrigo Borges e Ian Guedes já prestaram homenagem ao disco em Mogi das Cruzes com o show ‘Novas Esquinas’ em pelo menos três shows. Mas eles realmente gostaram da cidade, e […]

28 de junho de 2022

Reportagem de: O Diário

Grande clássico da música brasileira, o álbum ‘Clube da Esquina’ está completando 50 anos em 2022. Descendentes dos membros originais do grupo, os mineiros Rodrigo Borges e Ian Guedes já prestaram homenagem ao disco em Mogi das Cruzes com o show ‘Novas Esquinas’ em pelo menos três shows. Mas eles realmente gostaram da cidade, e por isso vão voltar para uma quarta apresentação, neste sábado (2 de julho). Depois de subir ao palco do Maria Fumaça Casa, em Sabaúna, dessa vez a dupla se apresentará, via parceria no espaço Mais Brasil, que fica no Centro, a partir das 20 horas.

“Me parece que a cidade valoriza muito a cultura. São pessoas que apreciam a história cultural brasileira. E o ‘Clube da Esquina’ é um cânone”, justifica o cantor e instrumentista Rodrigo Borges, que é filho de Marilton Borges, e portanto sobrinho de Lô, Márcio e Telo.

Também instrumentista e filho caçula de Beto Guedes e neto de Godofredo, Ian Guedes completa: “Mogi realmente é muito especial. Estamos conseguindo formar público bem legal, muito quente, carinhoso, muito ligado à música mineira, ao Clube. É um prazer voltar”.

Eles chegam ao palco do Mais Brasil, espaço alugado pelo Maria Fumaça Casa, com a intenção de difundir o material original de Lô Borges e Milton Nascimento entre os jovens, e também de oferecer aos mais velhos uma nova visão e interpretação sobre o que é clássico.

“O nome tem a ver com a herança que eu e Ian temos de ser das famílias que participaram da fundação do Clube, e que estiveram envolvidas e bem ativas na gravação do disco de 1972. Criamos um show para homenagear o repertório e também tem esse lado muito prazeroso de defender as canções”, explica Rodrigo.

Em Minas Gerais, entre uma peripécia de infância e outra, tanto ele como Ian se acostumaram, desde meninos, a “presenciar o processo criativo dos autores, tios e pais”. Por isso, não foi difícil escolher músicas como ‘Clube da Esquina II’, ‘Trem de Doido’, ‘Nada Será como Antes’, ‘Trem Azul’, ‘Nuvem Cigana’ e outras.

Carinho pelo Clube da Esquina muita gente tem. Mas poucos são como o Rodrigo. Quando ele fala sobre o “segundo álbum duplo a ser lançado no Brasil, que perdeu por poucos meses para a Gal Costa”, fica perceptível o respeito, o carinho e a admiração. E não poderiam ser diferentes disso as palavras proferidas por ele, que é vice-presidente do museu dedicado ao grupo.

A O Diário, explicou que estão sendo retomadas as conversas para que os trabalhos do grupo se tornem Patrimônio Imaterial da Cultura de Minas Gerais. Também revelou cuidar de um acervo com “memorabilia, fotografias, discos” e outros itens.

Citar o respeito de Rodrigo, e também de Ian, pelo material fonte, é imprescindível neste ponto da reportagem. Isso porque é preciso ficar claro que as ‘Novas Esquinas’ são novas mesmo. Mas não desrespeitam, nem por um segundo, as músicas que contam meio século de história.

“Tem essa própria personalidade que nós imprimimos ao tocar essas canções. No meu caso tenho uma escola, para além da harmonia, do Clube, que acho que herdei muito do meu pai, Marilton Borges: o groove, tocar as coisas de forma suingada. Ele sempre fez ponte entre Rio de Janeiro e Minas. Grande pianista de samba jazz e samba, naquele estilo bem João Donato, Tom Jobim. Me inspiro nele para tocar o repertório de forma bem groovada”, detalha Rodrigo.

Ian, por sua vez, apresenta outras influências, “com uma pegada rock, que é interessante, o que acaba conferido às canções um punch”. Em outras palavras, um som presente, marcante, mas, novamente, harmonioso e coerente.

Para explicar como funcionam as ‘Novas Esquinas’, Rodrigo dá um exemplo prático. No documentário ‘A Música Segundo Tom Jobim’, de 2012, diz ele, as músicas são, claro, as de Tom Jobim, mas “em diferentes estilos”. E “por mais diferente que seja a releitura da bossa nova dele, o DNA autoral permanece”.

O mesmo acontece com o Clube da Esquina. A novidade é o tempero que diz muito sobre a história da dupla, que teve o “privilégio de acompanhar as canções desde menino”, por meio da convivência com nomes como Bituca e Milton. O entendimento das harmonias ali, ao vivo, possibilita o encaixe, hoje, de novos arranjos. Mas a essência está lá. Aliás, com um toque especial, ao estilo de ‘Gaó’, álbum do pianista Carlos Eduardo Zappile Albertini: “bem mogiano”.

“Como diria um amigo meu, Celso Moreira, professor de violão, a gente estuda para esquecer, na hora que vai tocar. Nesse momento tem recriação de obra junto com público, por meio de interação e troca de energia. Cada show sai de maneira diferente, e a plateia de Mogi é especialíssima. É onde a gente mais gosta de tocar. Tem comunhão, sempre. E isso acaba potencializando o trabalho”, conclui Rodrigo, feliz com a apresentação deste sábado (2 de julho).

Igualmente feliz, Ian compleenta o pensamento. Para ele, ‘Novas Esquinas’ é uma continuidade, mas também significa renovação. “Temos liberdade muito boa e frescor muito legal para esse trabalho de interpretar. Colocar o nosso processado de tudo, de Clube, de Beatles, de MPB, sem nos preocupar em ser igual, ou em seguir uma estética determinada, mas sim em fazer de forma verdadeira e espontânea. É um privilégio”.

Serviço

O quê? Show ‘Novas Esquinas’, com Rodrigo Borges e Ian Guedes

Quando? Sábado (2 de julho), às 20 horas

Onde? Espaço Mais Brasil (Rua Engenheiro Gualberto, 199 – Centro – Mogi das Cruzes/SP)

Quanto? Informações sobre ingressos pelo WhatsApp (11) 9.9378-2239

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