PROBLEMA

Sob sol e chuva, quem precisa de remédio da Farmácia de Alto Custo de Mogi enfrenta falta de infraestrutura

EM FILA A Farmácia de Alto Custo de Mogi das Cruzes funciona na Avenida Narciso Yague Guimarães e registra fila diariamente. (Foto: Elton Ishikawa)

O termômetro marcava mais de 30 graus de sensação térmica na manhã da última quinta-feira quando a reportagem de O Diário acompanhou o drama de quem precisa de remédio da Farmácia de Alto Custo de Mogi das Cruzes. Ontem, a fila também era grande. O problema por lá não é a falta de medicamento, mas sim a de infraestrutura para atender aos pacientes com dignidade. Há a distribuição de senhas, inclusive com preferencial, mas boa parte não consegue espaço para esperar dentro do prédio e precisa ficar na calçada à mercê do sol e da chuva.

No início do mês de janeiro, o secretário de Estado da Saúde, José Henrique Germann Ferreira, visitou a unidade e avaliou que o prédio realmente não comporta mais a demanda de pacientes e ficou de encontrar uma alternativa, em parceria com a administração municipal.

Mas, enquanto isso não acontece, pessoas como a idosa Maria José Felipe, de 72 anos, fica vulnerável às condições climáticas uma vez ao mês, quando deixa a cidade de Poá e vem até Mogi a fim de buscar a medicação para controlar o colesterol alto. “Seja preferencial ou não, aqui todo mundo tem de ficar no mesmo espaço. Se for para mudar e oferecer um atendimento melhor para a gente, eu não ligo. Faz tempo que aqui não comporta mais tanta gente”, ressalta.

Também na fila estava Ricardo Cordeiro, de 43 anos. Há quatro meses, ele vai uma vez por mês buscar remédio para o irmão, que tem transtorno psiquiátrico. “Esse sol de hoje chega a desanimar e faz a gente se sentir destratado, porque na verdade isso é um direito nosso, poderia ter mais dignidade”, avalia.

Em nota enviada a O Diário, o Departamento Regional de Saúde (DRS) da Grande São Paulo informou que segue em diálogo com autoridades municipais, a fim de viabilizar um novo espaço para a Farmácia de Alto Custo de Mogi das Cruzes.

Simultaneamente, para melhorar a assistência, foi adotada uma nova lógica a partir deste mês, com fornecimento de remédios em quantidade suficiente para tratamento por três meses para protocolos de patologias como asma, entre outros, reduzindo o fluxo de pacientes no local. “É realizada triagem para orientações sobre a documentação necessária para retirar os remédios, otimizando o tempo dos usuários. Além disso, foram instaladas mais 20 novas cadeiras para melhor acomodá-los”, destacou o texto.

A farmácia funciona das 8 às 16 horas e, durante o expediente, os pacientes são atendidos no intervalo de 30 a 40 minutos, em média, segundo o departamento, que ressaltou que os pacientes não precisam chegar antes do horário de abertura, pois todos são atendidos. Em média, são 16 mil atendimentos por mês, sendo 37% de pacientes residentes em Mogi das Cruzes.


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