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Vereador dorme em túmulo para impedir invasão de cemitério

A propósito dos furtos, cada dia mais comuns no Cemitério São Salvador, vale lembrar aqui o fato que envolveu um ex-vereador mogiano. Guaraci Galocha, um ilustre desconhecido da maioria da cidade, foi o primeiro vereador eleito pela Igreja Universal do Reino de Deus, algum tempo após a chegada do grupo de Edir Macedo a Mogi. […]

26 de março de 2023

Reportagem de: O Diário

A propósito dos furtos, cada dia mais comuns no Cemitério São Salvador, vale lembrar aqui o fato que envolveu um ex-vereador mogiano.

Guaraci Galocha, um ilustre desconhecido da maioria da cidade, foi o primeiro vereador eleito pela Igreja Universal do Reino de Deus, algum tempo após a chegada do grupo de Edir Macedo a Mogi.

A igreja vivia, quem sabe, um de seus melhores momentos na cidade, abrindo um templo atrás do outro e atraindo grandes públicos para os cultos de pastores treinados pelo comando da Universal, em São Paulo.

Os fiéis eram pessoas que obedeciam quase cegamente às orientações dadas durante os cultos e, dessa forma, não foi difícil para o então candidato surfar na no prestígio da IURD para chegar até à Câmara.

Galocha, um jovem rapaz de aparência moderna, usava os cabelos arrepiados, seguindo a moda lançada, à época, pelos sertanejos Chitãozinho & Xororó que, curiosamente, explodiram no mercado fonográfico com o sucesso “Fio de Cabelo”.

Recém-eleito e desfrutando da força do grupo que o apoiava, o vereador passou a abusar da criatividade. Uma de suas medidas foi comprar uma Towner, novidade da montadora chinesa Hafei Moto, que acabava de chegar ao Brasil, pintar o veículo com cores berrantes, com seu nome em destaque, e dar a ela o apelido de “Ambulocha”, no caso, a ambulância do Galocha, usada por ele para transportar pacientes para São Paulo e outras unidades de saúde da região. 

Clientelismo puro, que ganhou desdobramentos com a “Farmalocha”, que era uma espécie de farmácia montada em seu gabinete, abastecida com medicamentos que lhe eram oferecidos, como amostra grátis, pelos fabricantes.

Adepto do sensacionalismo, o vereador chegou a convocar a imprensa para fotografá-lo no interior de uma cratera, aberta na rua de um bairro da cidade. 

Mas nada disso superou a ação do evangélico que não aceitava, de jeito algum, os “despachos” que eram deixados no interior do Cemitério São Salvador (sempre ele!), nos finais de semana.

Galocha decidiu enfrentar os adeptos dos cultos de origem africana e foi para o interior de um túmulo ( isso mesmo, um túmulo), onde passou a noite, para surpreender os visitantes.

Antes, chamou a imprensa para registrar sua presença no interior daquele lugar inusitado.  Naquele final de semana, os responsáveis pelos “despachos”, talvez alertados pela notícia no jornal, não apareceram. 

Mas Galocha fez o seu comercial.

Foram inúmeras outras passagens nada comuns na carreira do vereador que terminou de uma maneira nada convencional: ele acabou sendo preso em razão da denúncia de uma funcionária que era obrigada a lhe repassar parte de seu salário.

A Universal também o afastou de seus quadros. E assim, sem apoio e no ostracismo, acabou a carreira do espalhafatoso vereador mogiano.

 

No lixão, um filme de terror

Guaraci Galocha vinha atormentando o prefeito Waldemar Costa Filho por conta de um lixão que, segundo, estava se formando próximo à residência de sua família.

Tanto cobrou que Waldemar decidiu agir a seu modo: na surdina, colocou alguém com uma câmera escondida para filmar o local onde o lixo realmente se acumulava.

Tempos depois, Waldemar  chamou Galocha e os demais vereadores para apresentar uma possível solução para o problema tão discutido.

Todos foram à Prefeitura e Waldemar apagou as luzes do gabinete, prometendo mostrar um filme feito no local. A expectativa era grande.

E eis que logo nas primeiras imagens, veio a surpresa inesperada: entre as pessoas que despejavam detritos no lixão estavam justamente familiares muito próximos de Galocha, vizinho do local.

Surpreso com o que via no filme, o vereador reclamante deixou a sala ruborizado.
 

Do cemitério para a Prefeitura

Os cemitérios estão sempre presentes nas histórias da política.

Que o diga o motorista de ambulância da Prefeitura de Salesópolis, Francisco Pereira, o “Quico”, que ousou lançar sua candidatura a prefeito daquela cidade.

O ato provocou a ira do titular do cargo, José Rodrigues Feital Filho, que entendeu o fato como uma “traição” e mandou “promover” o ousado funcionário a administrador do único cemitério da cidade, distante do centro e dos eleitores, alguns meses antes da eleição.

“Quico” chorou, mas acabou recebendo apoio dos futuros colegas de trabalho e fazendo um discurso em meio aos túmulos, pedindo ajuda das almas para sua candidatura.

O caso chegou à imprensa e Feital, acuado, chamou o funcionário para uma reconciliação, por ele rejeitada de pronto.

Resultado: “Quico” alcançou 71% dos votos e, num fato inédito, um administrador de cemitério se tornou prefeito de Salesópolis.

 

Decreto proíbe a morte

A rigidez da Lei de Proteção dos Mananciais acabou fazendo com que o cemitério de Biritiba Mirim, já lotado, não pudesse ser ampliado.

Sem ter lugar para enterrar os mortos da cidade e sem uma solução por parte das autoridades estaduais, o prefeito de Biritiba à época, Roberto Pereira da Silva, o “Jacaré”, na teve dúvida: baixou um decreto proibindo as pessoas de morrer em Biritiba, por falta de vagas no cemitério.

A medida virou assunto nacional.

E Biritiba, finalmente,  viu o governo do Estado, rapidamente, encontrar uma solução para o cemitério, que só voltou a lotar na época da pandemia. Mas aí o decreto já havia sido revogado…
 

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