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Vacinação injeta dose de esperança em Mogi

As informações sobre a vacinação contra o novo coronavírus em Mogi das Cruzes e região nos últimos dias foram conturbadas. A todo momento surgiam novidades que mudavam os rumos da programação. O drive thru de Mogi, que deveria ser permanente, foi interrompido logo no primeiro dia, na última quarta-feira (10) por esgotamento das doses. Em […]

Por O Diário
12/03/2021 13h45, Atualizado há 65 meses

As informações sobre a vacinação contra o novo coronavírus em Mogi das Cruzes e região nos últimos dias foram conturbadas. A todo momento surgiam novidades que mudavam os rumos da programação. O drive thru de Mogi, que deveria ser permanente, foi interrompido logo no primeiro dia, na última quarta-feira (10) por esgotamento das doses.

Em diversas ocasiões, o Consórcio de Desenvolvimento dos Municípios do Alto Tietê (Condemat) criticou a falta de comunicação do Estado sobre o envio das vacinas.“Este problema persiste. Somente nesta semana, a região recebeu dois lotes e os municípios foram avisados com um dia de antecedência. Essa falta de comunicação compromete o planejamento com relação às definições importantes sobre preparo de equipes e locais para recebimento e aplicação das vacinas, além de eventuais alterações no funcionamento dos demais serviços de saúde e comunicação com os grupos a serem vacinados”, citou a coordenadora da Câmara Técnica de Saúde do consórcio, Adriana Martins.

A boa notícia é que parte das cidades da região já tem maior número de vacinados do que de contágios do coronavírus. A informação pode parecer alentadora, mas a imunização, ainda anda a passos lentos, pontua Adriana. “Os municípios estão seguindo o Plano Estadual de Imunização, trabalhando no limite de sua capacidade para imunizar o maior número possível de pessoas dos grupos prioritários, porém o quantitativo de vacinas que recebemos para determinados públicos é inferior à real necessidade, em especial dos trabalhadores da saúde, que foi o primeiro grupo a ser imunizado.

Ainda temos um quantitativo significante de trabalhadores da área que não receberam nenhuma dose e o envio de mais vacinas para atender à totalidade deste público é algo que estamos cobrando do Governo do Estado, porém ainda não tivemos retorno”, aponta. Além disso, “é preciso reforçar que o grupo prioritário já vacinado representa uma minoria da população e, mesmo para quem já tomou as duas doses ainda não há informações sobre o tempo que o imunizante leva para fazer efeito, portanto, as medidas de distanciamento, uso de máscara facial e álcool em gel devem ser mantidos”, acrescenta ela.

O prefeito Caio Cunha (PODE) encaminhou na última quarta-feira (10) um projeto de lei à Câma  a de Mogi das Cruzes, em regime de urgência, a fim de obter a autorização do Legislativo para que o município possa participar do consórcio formado pela Frente Nacional de Prefeitos (FNP) e disponibilizar os recursos necessários para a compra de vacinas por conta própria. Mogi das Cruzes já está confirmada na lista de cidades integrantes desse grupo, que se une para agilizar a aquisição de imunizantes, independentemente dos programas estadual e federal estabelecidos para a vacinação nas cidades.

Segundo Adriana, a aquisição de doses por parte dos municípios pode acelerar a imunização e ampliar os grupos prioritários. Ela lembra que desde o início do ano, o Condemat faz gestão para aquisição de cerca de 300 mil doses de maneira regionalizada, já contando com dois termos de intenções assinados, sendo o primeiro com o Butantan, e o segundo com o Grupo União Química. “A possibilidade de adesão ao consórcio nacional é benéfica, pois o valor a ser pago pelos imunizantes deve ser menor por conta da grande quantidade a ser adquirida, considerando que o consócio tem abrangência nacional”, acrescenta a profissional.

Crescem internações

Enquanto a esperança na vacina segue firme com otimismo de mais rapidez e eficiência, o momento, hoje, é crítico e chegamos no temido dia, com hospitais lotados e um dado preocupante: o aumento da frequência de entrada de pessoas abaixo de 55 anos e sem comorbidades nos pronto-socorros e unidades de terapia intensiva com quadros graves de Covid-19.

Embora não haja dados epidemiológicos que confirmem se é tendência ou recorte do momento, profissionais de saúde observam a distinção deste cenário em relação ao que se constatou no pico de casos e mortes em 2020. O cenário é observado pelo enfermeiro Davi Chagas, que há quase um ano passou a se dedicar ao trabalho na linha de frente da pandemia no Hospital Municipal de Braz Cubas, onde atua no Centro de Referência do Coronavírus.

Um ano após o primeiro registro de infecção pela doença na região, os municípios enfrentam o pior momento da pandemia, com alta nos indicadores da doença. Nos últimos 14 dias houve elevação de 22% nos casos e 9% nos óbitos, com relação aos 14 dias anteriores. Há uma semana, a taxa de ocupação de leitos de UTI se mantém acima de 90%, chegou a 117% na quinta-feira e nesta sexta (12) estava em 100%, mesmo com a abertura de novas vagas em Mogi e Suzano. “Está complicado porque o povo não está obedecendo. Depois que começou a vacinação em alguns postos, as pessoas voltaram a fazer festas, confraternizações e aí acabam contaminando os pais, avós, tios e tias. É muito triste saber de todas essas histórias reais sendo noticiadas, mas as pessoas só acreditam (na Covid-19) quando acontece na sua própria família”, alerta o enfermeiro.

“A demanda está muito grande, várias pessoas da mesma família contaminadas. Internamos pais, mães e irmãos juntos”, conta ele, que defende a reabertura do Hospital de Campanha, anunciada pelo prefeito Caio Cunha, porém em moldes diferentes da primeira onda. “Só assim para colocar na cabeça de todos os mogianos que temos que ficar em casa, que respeitar o prefeito e as autoridades”, acrescenta Davi. Um fato é indiscutível: desde o fim do ano passado, houve uma tendência à normalização da vida cotidiana, com mais pessoas nas ruas e aglomerações – muitas delas necessárias, como no transporte público usado por trabalhadores, mas outras ilegais, a exemplo de festas lotadas de participantes sem máscaras.

Há quem pontue também que a diferença possa ser explicada pela variante de Manaus, que é mais severa justamente com os jovens, porém, o Consórcio de Desenvolvimento dos Municípios do Alto Tietê (Condemat), informa que a nova mutação do vírus não foi identificada na região. Outro problema apontado por Davi é o atendimento a pessoas de fora da cidade no Hospital Municipal. “Essa questão de localização está atrapalhando muito. Estão vindo pessoas de fora para serem atendidas no (Hospital) Municipal, porque onde residem não tem hospital especializado. É muito triste ouvir isso, mesmo assim, temos que estar bem para trazer conforto”, conta o enfermeiro.

Ele descreve um pouco do trabalho nos hospitais. Na linha de frente, atende emergências e também faz intubações de pacientes que não conseguem mais respirar. “Vou colhendo exames, conversando, dando ânimo e até colocando hinos de cura para eles ouvirem, e falo ‘calma, calma que logo, logo vocês estarão em casa’. Mas, muitas vezes eu sou a última pessoa que conversou com este paciente. Por isso, peço Deus para que tudo isso acabe o quanto antes”, conta. Rotina difícil Para os profissionais da área de saúde, o alívio após a diminuição de casos depois do primeiro pico de infecções do novo coronavírus no país durou pouco, e a tempestade voltou com céu ainda mais nublado. Em Mogi das Cruzes, os hospitais vivem os momentos mais críticos da históriae chegaram ao colapso. O sentimento vai de cansaço à tristeza e até revolta com o comportamento de pessoas que poderiam evitar se contaminar. Entre a rotina de muito trabalho destes profissionais está acompanhar o sofrimento de familiares dos internados e a angústia do que ainda estar por vir nesse novo ano.

Como enfermeiro que escuta histórias da pandemia todos os dias, ele reforça o alerta, que para ele está longe de ser exagerado ou servir apenas para criar pânico: “Muita gente desobedece e quer burlar (a quarentena), mas não tem jeito. Se você pega passa para os seus familiares”. Diante da lotação dos leitos de UTI e de enfermaria para Covid-19 nos hospitais públicos e particulares de Mogi, o secretário municipal de Saúde, Henrique Naufel, anunciou nesta quinta- -feira (11), em entrevista à TV Diário, que nove leitos de UTI da Santa Casa de Mogi serão usados para internação de pacientes com o novo coronavírus e, nos próximos dias, mais 48 leitos de enfermaria, também terão a mesma finalidade. Ao todo, Mogi e região do Alto Tietê devem receber 227 leitos exclusivos para Covid-19 nas próximas semanas. 

“Se cada um de nós não fizer nossa parte, teremos meses difíceis”

Mesmo após um ano da confi rmação do primeiro caso de Covid-19 na região, ainda não é possível prever como serão os próximos meses da pandemia no Alto Tietê, porém a situação pode melhorar se cada um fi zer a sua parte, conforme reforça a coordenadora da Câmara Técnica de Saúde do Condemat, Adriana Martins.

“Neste um ano de pandemia, vivemos inúmeros desafi os e o maior deles ainda persiste, que é a conscientização dos cidadãos do quanto as atitudes individuais impactam na vida do coletivo. Neste sentido, os próximos meses são ainda mais desafi adores, porque temos ainda o agravante das novas variantes do vírus, a superlotação dos leitos que, mesmo diante das ampliações realizadas nos municípios não tem atendido a crescente demanda e, principalmente, a conduta da população. Se cada um de nós não fi zer a nossa parte, teremos meses ainda mais difíceis pela frente”, pontua.

Mogi vivencia a situação mais preocupante da pandemia, exatamente na semana em que o primeiro caso confi rmado da doença completa um ano no Alto Tietê. Foi em 11 de março de 2020 que o teste comprovou que uma moradora de Ferraz de Vasconcelos havia sido infectada pelo novo coronavírus. 

Drive thru continua 

A Secretaria Municipal de Saúde retoma neste sábado (13) a aplicação de primeira dose da vacina contra a Covid-19 para pessoas com 77 anos ou mais. O atendimento será feito no drive thru do Pró Hiper, das 9 às 15 horas, com entrada pela avenida Cívica.

Para receber a vacina, os idosos devem comparecer munidos de RG ou documento com foto, CPF e comprovante de endereço.

Quem puder, também pode adiantar o cadastro no site “Vacina Já”, do Governo do Estado, para antecipar o registro dos dados. O preenchimento no www.vacinaja.sp.gov.br não é obrigatório, mas contribui para agilizar a campanha de imunização.

Não haverá drive thru no domingo (14). A aplicação da primeira dose para idosos continua na segunda (15) e prossegue até quarta-feira (17) ou enquanto durar o estoque. Nesta semana, Mogi das Cruzes recebeu 3.810 novas doses, sendo 515 para complementar o atendimento de pessoas de 77 a 79 anos e 3.295 para iniciar a aplicação em quem tem entre 75 e 76 anos. As quantidades representam cerca de 90% do público estimado para as idades no município. 

Na segunda (15) e terça-feira (16), a vacinação será realizada no drive thru e também em 19 unidades de saúde (relação abaixo). Já na quarta (17), o atendimento será exclusivo no drive thru do Pró Hiper. Nas duas ações, as equipes trabalharão com a distribuição de senhas para evitar aglomerações.

Cabe ressaltar que não chegaram novas vacinas para profissionais de saúde que ainda não receberam a primeira aplicação; novidades deverão ser divulgadas nos próximos dias. 

Programação

1ª dose para idosos

Sábado, dia 13 de março

77 anos ou mais

Drive trhu – Mogilar 

Segunda-feira, dia 15 de março

76 anos ou mais 

Drive trhu – Mogilar

+

19 unidades de Saúde

Terça-feira, dia 16 de março

75 anos ou mais 

Drive trhu – Mogilar

+

19 unidades de Saúde

Quarta-feira, dia 17 de março

75 anos ou mais 

Drive trhu – Mogilar

Unidades que atenderão nos dias 15 e 16 de março

19 Postos de Saúde:

• Alto Ipiranga

• Braz Cubas

• Jardim Camila

• Ponte Grande

• Santa Tereza

• Vila Natal

• Vila Suíssa

• Jardim Universo

• Jundiapeba 

• Mineração

• Botujuru

• Santo Ângelo

• Jardim Ivete

• Jardim Maricá

• Vila da Prata

• Vila Jundiaí

• Vila Nova Aparecida

• Vila Moraes

• Sabaúna

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