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Você sabe o quão antiga Mogi das Cruzes é? Veja a linha do tempo com a história do Brasil e do mundo

Um dos municípios mais antigos do Brasil, Mogi entrou para o mapa do mundo muito antes de algumas grandes nações da atualidade e viu guerras e revoluções acontecerem ao redor do globo

Linha do tempo

Foto do Carrosel

A história de Mogi e a história do mundo | Arte Josué Suzuki

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A história de Mogi e a história do mundo | Arte Josué Suzuki

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Reportagem de: Fabricio Mello

Em 1º de setembro de 2025, Mogi das Cruzes completa 465 anos desde seus primeiros registros na história. Sendo um dos municípios mais antigos do Brasil, chega a ser difícil dimensionar há quanto tempo a cidade está nos mapas, livros e documentos. Para se ter uma noção, tomando como base os registros de 1560, Mogi das Cruzes teria atravessado seis séculos, sendo quatro destes por inteiro.

Antes de ter prefeitos e vereadores, Mogi foi terra de exploradores, aldeões e já chegou até a ser visitada por um príncipe regente. Enquanto algumas nações ao redor do mundo sequer começavam a se formar, Mogi já celebrava a sua tradicional Festa do Divino Espírito Santo; e ao mesmo tempo em que revoluções e guerras eram travadas para definir o curso de outras histórias, Mogi se consolidava como cidade, comarca e assim por diante.

Por isso, em comemoração ao aniversário da cidade, O Diário resgatou a linha do tempo e te ajuda a entender o rumo de Mogi ao longo de todos esses anos.

1560

A primeira questão a ser discutida é, claro, a fundação da cidade. Segundo uma das versões mais conhecidas da história de Mogi, em 1560 a região se consagrou como um ponto de descanso do infame bandeirante Braz Cubas ao longo de suas caminhadas pela mata. Apenas 60 anos após a chegada dos portugueses no Brasil (até então conhecido como Pindorama) em 22 de abril de 1500, as terras que viriam a se tornar Mogi passaram a ser utilizadas como local de repouso por outros bandeirantes e exploradores.

Essas expedições para desbravar as terras do então chamado Novo Mundo vinham acontecendo, oficialmente, desde 1532, sob as ordens do rei de Portugal da época, Martim Afonso de Souza. Foram através delas que as primeiras vilas e povoados do Brasil, como São Vicente e São Paulo de Piratininga, começam a ser estabelecidos. Nessa época, as terras da futura Mogi ainda eram habitadas por indígenas.

Com o local de passagem dos bandeirantes ganhando popularidade, em 1601 – já no século seguinte – foi construída a primeira estrada entre São Paulo e Mogi das Cruzes, favorecendo a inda e vinda de muita gente, como o fundador Gaspar Vaz. Com isso, os primeiros colonos começam a se estabelecer nas terras de Mogi, formando um povoado com cerca de 20 famílias.

1611

É a partir do ano 1611 que a história de Mogi das Cruzes começa oficialmente. Em 17 de agosto, surge a Vila de Sant’anna das Cruzes de Mogi. A região foi reconhecida oficialmente como “sítio de grande importância” no projeto de povoamento do Brasil em 1º de setembro, data que viria a se tornar o aniversário da cidade.

Esse reconhecimento, apesar de soar simples, marca uma grande etapa na formação do Brasil e do estado de São Paulo porque, até a metade do século 16, existiam apenas 14 vilas criadas no litoral brasileiro.

E enquanto Mogi das Cruzes subia ao status de vila, um outro conflito começava a se armar do outro lado do mundo. Na Inglaterra, crescia a insatisfação do Parlamento com o rei Carlos I, da dinastia Stuart.

No contexto histórico dessa época, a Inglaterra havia encerrado há pouco a dinastia Tudor, terminada na rainha Elizabeth I, que deixou como legado políticas mercantilistas mais agressivas e a posição de potência naval para a Inglaterra. Sem descendentes diretos, os Stuart assumiram e, em 1640, depois um período de crescentes tensões, a primeira crise do Antigo Regime começava na Europa.

Portanto, Mogi já estava no mapa mundial antes das monarquias europeias começarem a entrar em declínio.

É, também no século 17, que a cidade começa a se delinear da maneira como é conhecida hoje. Além de doações e transferências de terras, foi por volta dessa época que a Ordem do Carmo chegou em Mogi das Cruzes e o desenho de ruas extremamente movimentadas da atualidade – como a Prof. Flaviano de Melo e Dr. Deodato Wertheimer – era traçados nos mapas da época.

Planta da Vila de Santa Ana das Cruzes de Mogi Mirim, século XVII | Reprodução/História Colonial de Mogi das Cruzes: Elites e Formação da Vila

1613

Ainda no mesmo período, é em 1613 que uma importante tradição de Mogi das Cruzes começa a se formar: a Festa do Divino Espírito Santo. A primeira referência da Festa aparece há 412 anos, em uma ata da Câmara Municipal.

Apesar de breve, o registro comprova e atesta a Festa do Divino mogiana como uma das mais antigas de todo o Brasil.

Final do século 17

Ainda na primeira metade do século 17, em 1640, Mogi teria a sua primeira “polêmica” política. Segundo constam os registros da época, José Preto – uma das autoridades da Vila de Sant’anna – participou de uma reunião na Câmara de São Paulo, representando a vila, e fez parte do consenso que decidiu pela expulsão dos jesuítas das vilas.

O motivo dessa medida era o posicionamento contrário dos jesuítas sobre escravizar os indígenas, tema que chegou a ser motivo de divisão na Coroa Ibérica pela falta de acordo.

Alguns anos mais tarde, já mais próximo do final do século, a vila de Mogi era elevada ao status de município. Enquanto isso, a União Ibérica perdia força e chegava ao seu fim, fazendo com que o Brasil perdesse influência da Espanha e voltasse a pertencer a Portugal.

Século 18

Ao longo do século 18, a história de Mogi é marcada pelo crescimento cada vez mais expressivo de sua população. Segundo um recenseamento da população da capitania de São Paulo, datado de 1766, Mogi já contava com 2.138 habitantes.

Enquanto isso, do outro lado do globo terrestre, a Revolução Industrial – um marco na mudança dos métodos de produção de bens – ganhava força na Inglaterra. Além disso, o Movimento Iluminista também se espalhava pelo solo europeu.

Onze anos mais tarde, em 1777, os vereadores da Câmara de Mogi escreveriam uma carta para a Rainha D. Maria I. Na mensagem, eles pediam que a Coroa isentasse a população da cidade do pagamento do imposto para a reconstrução de Lisboa, que havia sofrido grandes danos por conta de um terremoto em 1755. Esse desastre, futuramente, seria conhecido como o “Sismo de Lisboa”.

Terremoto em Lisboa (1755), pintura de João Glama (1708-1792)

Pouco mais de uma década depois, o principal símbolo e nome da Inconfidência Mineira – movimento separatista da elite de Minas Gerais – era preso no Rio de Janeiro. Um fato curioso é que Tiradentes, alvo das autoridades portuguesas, foi preso na casa de Domingos Fernandes, mogiano que estava morando nas terras cariocas.

Alguns anos mais tarde, já no século seguinte, um novo censo atualiza novamente os registros sobre a população de Mogi das Cruzes. Segundo os dados de 1808, Mogi tinha cerca de 7.700 moradores. Entretanto, a população indígena da região já não eram mais citada nos documentos, marcando o fim de sua presença nas terras da cidade.

1822

A próxima data marcante da história de Mogi das Cruzes acontece anos – ou séculos – mais tarde. Enquanto o mundo se recuperava da agitação do movimento Iluminista na Europa e diversas monarquias temiam destinos similares à francesa, Mogi já era uma vila movimentada, com muitos de seus pontos marcantes já estabelecidos.

Em 1808, enquanto tropas francesas invadiam Portugal, a família do rei D. João VI chegavam ao Brasil. Com isso, a então colônia experimentou um desenvolvimento acelerado através de diversas medidas implementadas pelo monarca e o desejo separatista começava a ganhar força.

Foi em 1822, poucos anos depois da vinda da Família Real Portuguesa ao Brasil, que Mogi das Cruzes recebia o príncipe regente D. Pedro. Na ocasião, ele voltava de viagem do Rio de Janeiro e seguia com destino a São Paulo após a Proclamação da Independência, com o grito às margens do Rio Ipiranga (se este, de fato, aconteceu).

Segundo os registro da história, ele teria chegado na cidade em 9 de setembro e descansado no Convento do Carmo. No dia seguinte, continuou sua viagem, levando um documento que atestava o apoio da vila à independência do Brasil

Os eventos que se seguem marcam, principalmente, a história de emancipação do país. Em meio à tensão política, a monarquia de D. Pedro I enfrentaria os grandes centros de resistência no Pará, Bahia, Maranhão e Cisplatina (ou Uruguai, como é conhecido atualmente), mas continuaria com o objetivo de consolidar a independência nacional.

Cidade e comarca

Parte da principal rota para São Paulo, não demorou até que Mogi das Cruzes continuasse a crescer. Em 13 de março de 1865, acontecia a elevação do município ao status de cidade, reconhecendo a evolução do povoado da Vila de Santa Ana. Quase uma década depois, em 14 de abril de 1874, Mogi foi elevada novamente, dessa vez à comarca, o que garantiu mais autonomia aos juristas da região.

Essa última medida, vale destacar, permanece em vigor até hoje quando se discute assuntos do meio Judiciário. A comarca de Mogi das Cruzes ainda abrange, além da própria cidade, os municípios de Ferraz de Vasconcelos, Guararema, Itaquaquecetuba, Poá e Suzano.

Igreja da Nossa Senhora do Rosário em 1898 | Reprodução/Arquivo/PMMC

Foi, por volta dessa mesma época que, em 1867, a Câmara de Vereadores de Mogi das Cruzes assinava o decreto que proibia que os mortos fossem enterrados em igrejas. Com isso, ficava determinado que os enterramentos fossem realizados apenas no cemitério público. Por conta da demanda gerada através da medida, em 1871, o cemitério São Salvador foi instalado em Mogi.

Enquanto isso, no âmbito nacional, outros importantes eventos da história do Brasil aconteciam pelo país. 14 anos após a elevação de Mogi à comarca, a luta do movimento abolicionista alcançava sua vitória mais memorável em 13 de maio, quando a princesa Isabel assinou a Lei Áurea. O movimento vinha trabalhando pela liberdade dos escravos desde a década de 1870 e estima-se que mais de 700 mil escravos tenham sido libertos pela assinatura da lei.

A medida, entretanto, também acabaria alimentando outro movimento na sociedade brasileira: o Movimento Republicano. Em meio às crises do Segundo Reinado, militares e civis insatisfeitos com os monarcas regentes do Brasil se uniram as elites da época e viram na República uma solução para os problemas do governo no final do século 19.

Com isso, no ano seguinte, em 15 de novembro de 1889, era proclamada a República no Brasil, marcando o fim do período monarquista.

Indústria e Imigração Japonesa

Alguns anos mais tarde, já no século 20, acontecia um importante marco para a comunidade nipo-brasileira: a chegada do navio Kasato Maru, em 18 de junho de 1908, no porto de Santos. Na época, estavam abordo da embarcação 165 famílias japonesas, todas com destino às lavouras de café espalhadas pelo estado de São Paulo. Com isso, muitos desses imigrantes também se assentariam em Mogi das Cruzes.

Imigrantes japoneses deixam o porto de Santos com destino a São Paulo | Arquivo/Alesp

Mais tarde, já em 1939, eles se reuniriam para formar a Associação Regional da Liga Central do Brasil, sob a presidência de Kinzaburo Sato. Esse grupo, 20 anos mais tarde, passaria a adotar o nome “Bunkyo”, representando uma das comunidades que compõe a diversidade cultural de Mogi das Cruzes.

Em 1978, a comunidade nipônica de Mogi receberia a visita do príncipe Akihito e da princesa Michiko como parte das celebrações dos 70 anos da imigração japonesa no Brasil. Durante a sua visita, o Bunkyo lançava a pedra fundamental de sua nova sede, na Vila Industrial.

Mas de onde vem o nome “Vila Industrial”? Para entender a origem desse bairro, é necessário voltar alguns anos na história e acompanhar a movimentação de outro grupo importante para a construção de Mogi como conhecemos hoje: a família Jafet.

No início dos anos de 1940, mais precisamente em 1944, os Jafet construíram uma grande siderúrgica em Mogi, a MGB (Mineração Geral do Brasil). Essa mesma fábrica, que anos mais tarde se tornaria a Cosim (Companhia Siderúrgica de Mogi das Cruzes), foi responsável pelo surgimento da Vila Industrial, formada pelos trabalhadores do meio industrial da cidade.

Um dos líderes da MGB, Jaber João Macari, se tornaria, inclusive, o primeiro diretor do CIESP (Centro das Indústrias do Estado de São Paulo) Mogi das Cruzes, ao se reunir com outros 22 representantes do setor na região em setembro de 1961. Na ocasião, o grupo, que futuramente passaria a ser o CIESP Alto Tietê, se reuniu na sede da Elgin Máquinas de Costura S/A para debater medidas para fomentar o setor.

Entretanto, enquanto setor industrial se desenvolvia de Mogi das Cruzes, o Brasil como um todo mergulharia, nos anos seguintes, em um dos períodos mais violentos e sombrios de sua história. Em 1º de abril de 1964, o então presidente João Goulart seria retirado do poder, com o seu lugar tomado pelos militares. O período marcado pela censura, restrição da liberdade civil e perseguição política ficou conhecido como Ditadura Militar e durou até a década de 80 quando, em 1985, a população brasileira pode realizar outra eleição direta para presidente.

Encerrando o século 20 e marcando um dos primeiros eventos da cidade no século 21, o primeiro canal de TV aberta de Mogi das Cruzes vai ao ar. Em 1 de maio de 2000, a TV Diário faz a sua estreia ao meio-dia, retransmitindo a programação da Rede Globo.

Sede temporária da TV Diário, na rua Navajas, no Centro | Arquivo/TV Diário

No ano seguinte, em 26 de abril de 2001, o ex-prefeito de Mogi das Cruzes, Waldemar Costa Filho, morre vítima de um câncer recém-descoberto no pulmão. Líder político na cidade, Costa Filho chegou a ser prefeito da cidade por quatro mandatos e abriu caminho, principalmente, para a ascensão do filho, Valdemar Costa Neto (PL), na política nacional.

Mais tarde, naquele mesmo ano, aconteceria o Atentado às Torres Gêmeas, nos Estados Unidos. O ataque terrorista vitimou quase 3 mil pessoas em 11 de setembro. Por conta disso, mais tarde, o então presidente George W. Bush deixaria como marca registrada de seu governo a invasão ao Afeganistão, ainda em 2001, e ao Iraque, dois anos mais tarde.

E a história continua

Da expedições dos bandeirantes à queda da monarquia brasileira, Mogi das Cruzes esteve na rota da história diversas vezes ao longo dos séculos. A cidade segue escrevendo sua própria história até os dias de hoje, seja no mundo real ou não.

Entretanto, há quem conteste essa versão da história e apresente provas de que, talvez, Mogi das Cruzes não seja tão antiga assim. Mas isso, caro leitor, você pode conferir na próxima reportagem da série “Histórias de Mogi”, que será publicada neste mesmo canal às 8h de segunda-feira, 8 de setembro.