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Caso Fernanda: suspeito teria se relacionado com mãe e irmã de vítima, diz delegado

Em entrevista ao O Diário, delegado Estevão Castro explicou a hipótese trabalhada pela polícia e os próximos passos da investigação

Por Fabricio Mello
29/08/2025 14h01, Atualizado há 10 meses

Delegado Estevão Castro, do 4º DP de Mogi | Fabrício Mello/O Diário

O delegado do 4º Distrito Policial de Mogi das Cruzes, Estevão Castro, explicou que a principal hipótese trabalhada pela Polícia Civil no Caso Fernanda Tiemi, adolescente de 16 anos que foi encontrada morta dentro da própria casa, é que o crime tenha sido praticado pelo ex-padastro da vítima, motivado por “um misto de ciúme, revanche e vingança. Em entrevista ao O Diário nesta sexta-feira (29), o delegado explicou que o suspeito chegou a se relacionar com a mãe e irmã da vítima ao longo de sete anos, mas que a relação com a família da jovem era conturbada. A investigação segue em andamento (leia mais abaixo).

Carlos Ovidio Batista, de 60 anos, foi preso nesta semana, na terça-feira (26). A prisão temporária do ex-padastro da vítima foi decretada após o mesmo prestar depoimento no 4º DP, onde o caso está registrado.

Segundo explicado pelo delegado Castro, Carlos mantém uma relação estável com outra mulher, com quem teve três filhos. Ainda assim, o suspeito mantinha relações extraconjugais e, há sete anos, começou a se relacionar com a família de Fernanda Tiemi.

“Sete anos atrás, ele começou a se relacionar com a mãe da Fernanda [Raquel Ferreira dos Santos], ficou com ela por aproximadamente cinco anos e, aí, decidiu ‘trocar’ a mãe pela irmã da Fernanda. Ele começou a namorar a irmã e, nessa época, a mãe teria expulsado o Carlos e a filha mais velha de casa.”

Por conta disso, o delegado conta que Carlos teria alugado uma casa para morar com a irmã de Fernanda. “Então ele dividia o tempo dele entre, vamos dizer, a ‘casa oficial’, com a esposa, e a casa que ele tinha alugado para ficar com a irmã da Fernanda“, explica. Foi, ainda, durante o período em que moravam juntos, que a irmã de Fernanda teria engravidado de Carlos. Atualmente, ela está no oitavo mês de gestação.

O relacionamento entre os dois, entretanto, teria não dado certo. Carlos e a irmã de Fernanda começaram a se desentender e ela pela separação, voltando a morar com a mãe e a irmã mais nova. Foi nessa época que ela entrou com uma medida protetiva contra o ex-companheiro, alegando estar sendo ameaçada por Carlos.

“Desde março deste ano, há essa [medida] protetiva e o Carlos não poderia se aproximar nem da irmã da Fernanda e nem de nenhum outro familiar dela, não poderia frequentar a casa dela ou manter algum tipo de contato com a família. Acontece que ele vinha, reiteradamente, descumprindo essa ordem.”

O delegado conta que a irmã de Fernanda apresentou vídeos onde o carro de Carlos aparece próximo à residência da família e o próprio Carlos na porta da casa delas, querendo falar com ela, mesmo com a medida em vigor. “Ele continuava ameaçando a irmã da Fernanda, tanto que a última ameaça foi na véspera do falecimento da Fernanda“, conta. “Ele disse que se a medida protetiva não fosse retirada, ele não iria registrar o filho como sendo dele“.

“Em razão desses relacionamentos amorosos turbulentos – união estável com uma, aí começa a namorar com a mãe, abandona a mãe para ficar com a filha – tanto a mãe quanto a filha relataram que, ao longo desses sete anos de relacionamento, sempre houve ameaças dele contra elas. E, também, em razão dela [ a irmã] não retirar a medida protetiva e não querer mais contato com o Carlos, a gente entende que haveria esse ciúme por parte dele e, também, esse sentimento de vingança.”

A partir daí, a hipótese da polícia é que Carlos teria se aproveitado do fato de que Fernanda estaria sozinha em casa no dia do crime e cometido o assassinato.

Perícia e investigação

O delegado Castro explicou que, agora, diante das suspeitas levantadas e dos depoimentos coletados até o momento, a polícia aguarda o resultado da perícia para avançar na investigação. No mesmo dia em que Carlos foi preso preventivamente, o delegado determinou a apreensão do carro e do celular do suspeito.

Um dos objetivos da perícia é determinar o paradeiro da arma do crime, que ainda não foi localizada. Além disso, a polícia deve analisar e investigar a veracidade do depoimento de outras pessoas, como o ex-namorado de Fernanda, que ainda não tiveram a suspeita totalmente descartada.

O que diz o ex-padrasto?

Segundo o delegado, em seu depoimento, Carlos negou que tenha cometido o crime ou ameaçado a irmã de Fernanda e sua família. A redação do O Diário segue tentando contato com a defesa dele e a matéria segue aberta para sua eventual manifestação.

Relembre o caso

Fernanda Tiemi, de 16 anos e mãe de uma menina de 1 ano e três meses, foi encontrada morta em sua própria casa no Parque São Martinho, em Mogi das Cruzes. A mãe da vítima foi quem teria descoberto o corpo da jovem, que apresentava ferimentos no pescoço.

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