Djokovic deve encontrar dificuldades para disputar outros torneios na temporada
Novak Djokovic lutou contra várias adversidades desde que começou a jogar tênis. Ele se desdobrou para tornar-se um campeão, emergindo da antiga Iugoslávia apesar das dificuldades econômicas e de um conflito que transformou a Sérvia, sua terra natal, em pária internacional, o que dificultou para ele treinar e viajar. Já no circuito, teve que enfrentar […]
11/01/2022 16h11, Atualizado há 54 meses
Novak Djokovic lutou contra várias adversidades desde que começou a jogar tênis. Ele se desdobrou para tornar-se um campeão, emergindo da antiga Iugoslávia apesar das dificuldades econômicas e de um conflito que transformou a Sérvia, sua terra natal, em pária internacional, o que dificultou para ele treinar e viajar. Já no circuito, teve que enfrentar Roger Federer e Rafael Nadal, no caminho de se tornarem dois dos maiores jogadores da história do tênis. Djokovic os alcançou e, agora, detém vantagem contra os dois rivais. Além disso, o sérvio liderou o ranking por 356 semanas, um recorde.
Djokovic teve lutas mais duras em sua carreira do que a que enfrentou este mês com o governo australiano por causa de seu visto. Mas esta batalha, que continua, é diferente de qualquer outra que ele já viveu. Isso pode causar danos duradouros a ele, apesar de sua surpreendente vitória na segunda-feira, quando um tribunal australiano revogou o cancelamento de seu visto. A decisão ainda não garante que ele não será deportado pelas autoridades de imigração antes do Aberto da Austrália, que começa segunda-feira.
A detenção de cinco dias de Djokovic, encerrada pelo tribunal, é minúscula em comparação com as de alguns requerentes de asilo com quem ele dividia seu hotel em Melbourne. Djokovic, ao contrário de alguns deles, também estava livre para deixar o país a qualquer momento. Mas a experiência tinha que ser desgastante, e veio depois de uma temporada fenomenal, mas emocionalmente difícil, na qual ele chegou a perder o US Open para Daniil Medvedev e foi derrotado nas Olimpíadas e no ATP Finals pelo alemão Alexander Zverev.
Com base nas transcrições fornecidas ao tribunal federal, ele desembarcou em Melbourne perto da meia-noite de quarta-feira acreditando que todos os seus documentos estavam em ordem, incluindo sua isenção médica de vacinação. Ele logo soube o contrário.
Embora seja altamente improvável que Djokovic, um cético declarado em relação às vacinas, se veja isolado novamente em qualquer outro país por questões de visto, o problema em Melbourne é um presságio dos ventos contrários que ele poderá enfrentar nos próximos meses se continuar tentando viajar o mundo sem ser vacinado contra a Covid-19.
Os governos estão ficando sem paciência em debater obrigatoriedade de vacinas, e algumas autoridades do tênis também. Além disso, o ritmo e o caminho da pandemia do novo coronavírus e suas variantes são desconhecidos.
Os principais torneios depois do Australian Open são os Masters 1.000 de Indian Wells, na Califórnia, e Miami, que começam em março. Mas os Estados Unidos agora exigem que os visitantes sejam totalmente vacinados para viajar ao país de avião, a menos que sejam cidadãos americanos, residentes permanentes legais ou viajando com visto de imigrante dos EUA. Apenas exceções limitadas se aplicam, e não está claro se Djokovic se qualificaria para um – ou até mesmo tentaria se qualificar – após o imbróglio australiano.
O Aberto da França, que é o próximo Grand Slam após o Aberto da Austrália, começa em maio e parece menos problemático. A ministra do Esporte da França, Roxana Maracineanu, disse à rádio nacional francesa na semana passada que esperava que Djokovic pudesse entrar no país e competir se não fosse vacinado, por causa dos protocolos de saúde planejados para grandes eventos esportivos internacionais na França. Mas, na mesma entrevista, Maracineanu enfatizou que qualquer atleta, francês ou estrangeiro, residente na França, seria obrigado a apresentar comprovante de vacinação para ter acesso às instalações esportivas. Algumas ligas profissionais deixaram brechas, mas as lacunas também estão diminuindo para os não vacinados.
Djokovic, que há muito tempo mantém visões não tradicionais sobre a ciência e adota abordagens pouco ortodoxas para sua saúde, encontra-se em uma minoria distinta, uma vez que mais de 90% dos 100 melhores jogadores do ATP Tour estão vacinados. Se a ATP não fez declarações de apoio a Djokovic, talvez não seja porque Djokovic lidera um grupo que tem criticado a organização, mas porque a ATP vem pressionando cada vez mais para que seus membros sejam vacinados.
Em 2022, o circuito profissional não exigirá que os jogadores vacinados façam mais do que um teste inicial assim que chegarem a um torneio, a menos que desenvolvam sintomas. Jogadores e estafe não vacinados terão que ser testados regularmente, e a ATP não cobrirá mais o custo desses outros testes para os não vacinados.
Isso não representará dificuldades para Djokovic, que ganhou cerca de US$ 154 milhões em prêmios em dinheiro na carreira e centenas de milhões a mais fora das quadras. Mas as regras enfatizam que Djokovic e os poucos jogadores não vacinados restantes são uma minoria.
Djokovic provavelmente não teria arriscado ir para a Austrália se tivesse entendido que o governo federal não considerava o fato dele ter testado positivo recentemente como motivo para uma isenção. Mas enquanto vencia nos tribunais, ele sem dúvida perdeu o apoio no tribunal da opinião pública, embora tenha se tornado um mártir do movimento antivacina e entre seus compatriotas.