Em ritmo de Guerra: técnico do Mogi Basquete fala sobre reestruturação da equipe
O novo oponente entrou em quadra e segue desafiando o esporte brasileiro. Em março último, os gritos das torcidas cessaram e as competições foram interrompidas, num esforço para frear o novo coronavírus. Hoje, treinos e jogos são retomados, mas, persistem os reflexos do baque da Covid-19 para as mais diversas modalidades. Neste cenário ainda incerto, […]
23/10/2020 13h40, Atualizado há 68 meses
O novo oponente entrou em quadra e segue desafiando o esporte brasileiro. Em março último, os gritos das torcidas cessaram e as competições foram interrompidas, num esforço para frear o novo coronavírus. Hoje, treinos e jogos são retomados, mas, persistem os reflexos do baque da Covid-19 para as mais diversas modalidades. Neste cenário ainda incerto, o basquete e Mogi das Cruzes não são exceções.
No início do ano, o treinador do Mogi Basquete, Jorge Guerra, o Guerrinha, – eleito o melhor técnico do Brasil na temporada 2019/2020 – não podia prever a pandemia, mas sabia que já estava diante de grande desafio quando mostrou desejo em renovar o contrato: reestruturar um time de grande importância para a cidade, em meio a inúmeros obstáculos, como perda de patrocínios e a saída de jogadores. Adversidades agora ainda mais difíceis de serem superadas.
No primeiro momento, a equipe concentrou esforços nos cuidados e na prevenção à Covid. Como o esperado, o período de inatividade trouxe impactos significativos na sequência dos campeonatos. A pandemia também é sentida no bolso, trazendo ainda mais limitações financeiras.
O Mogi segue na disputa do Campeonato Paulista de Basquete, com desempenho não tão satisfatório. Após derrota para o Franca nesta quinta-feira, 22, o time se classificou na terceira posição da Chave A e disputará a próxima fase com outros três times em um quadrangular na Chave D, se preparando para encarar adversários fortes como o São Paulo e Paulistano, daqui a 10 dias.
Em entrevista, Guerrinha elenca contratempos e aponta expectativas para o Paulista e o NBB, além de reforçar a importância de seguir na “luta”, independente das adversidades.
Desafios são destacados
“Estamos encarando os próximos jogos como uma grande missão. Essa é uma temporada muito atípica, não só para o Mogi Basquete, mas para todas as equipes. Precisamos lembrar que nosso time já estava sofrendo, principalmente com a saída do patrocinador máster, que ainda não foi reposto”, ilustra Guerrinha.
O comandante apresenta o que tem sido trabalhado em meio aos desafios da pandemia de Covid-19. “Temos buscado patrocinadores menores, mídias pontuais e atuar com elenco reduzido”, cita ao acrescentar que este é um momento difícil, que demanda seriedade, empenho e dedicação, dentro e fora da quadra. Nas palavras do técnico, esta “é a temporada em que todos os envolvidos no time estão trabalhando mais, mesmo ganhando menos, em busca do sucesso coletivo”, fator que será determinante para a aguardada reestruturação.
No ano passado, o Mogi sofreu duas enormes baixas: o ala Shamell e o pivô JP Batista, pilares da equipe que foi terceira colocada no NBB 2018. Recentemente houve a baixa do ala-pivô Luís Gruber, que segue em trabalho de reabilitação pós-cirurgia no ligamento.
Do outro lado, a equipe recebeu neste mês os reforços dos alas Rafael Previatti (URU) e Dominique Coleman (EUA), e treinou, pela primeira vez, com o elenco completo, em 12 de outubro.
“São jogadores jovens que têm se adaptado bem. O Rafael segue sendo trabalhado enquanto o norte-americano Coleman já é um jogador pronto, no estilo dos EUA, com ótimo desempenho físico e técnico, está animado e é a aposta para resolver um dos diversos problemas”, antecipa ao acrescentar que “com certeza, os dois vão ajudar muito nas próximas temporadas”.
Para Guerrinha, a palavra-chave para melhorar o desempenho é “entrosamento”: “Isso deveria vir de várias temporadas, mas nos últimos três anos temos começado o elenco praticamente do zero, o que dificulta ainda mais. Mas desta vez estamos conseguindo nos entrosar mais rapidamente”.
Questionado sobre novidades na equipe, o técnico frisa que o Mogi Basquete hoje tem necessidades que só poderão ser sanadas com maior aporte financeiro.
“Precisamos de dois jogadores, um lateral e um pivô cinco. Só teremos novidades na hora que tivermos patrocínio agregado, já que, administrativamente, a equipe tem a responsabilidade de trabalhar em cima de uma planilha”, diz.
Em meio ao novo normal, a equipe segue uma série de regras. Antes dos treinos, todo o elenco é testado para a Covid-19 – e todos deram negativo até agora.
Mesmo em meio aos obstáculos, a expectativa de Guerrinha para o Campeonato Paulista é de uma participação competitiva. “Difícil ficar no pódio, já que há equipes por aí investindo muito mais, com jogadores prontos; mas a briga pelo grupo intermediário segue”, conta. O mesmo vale para o NBB, previsto para começar em novembro.
Guerrinha reforça que mantém seu desejo de continuar ajudando o time. “É um orgulho muito grande poder trabalhar e prestar meus serviços para uma equipe como o Mogi, que sempre esteve entre os melhores, não só de São Paulo, mas do Brasil e até das Américas”.
Um outro ponto da pandemia destacado pelo comandante é o vazio deixado pela ausência da torcida nos jogos, que atualmente segue proibida. “Esse é um ponto muito triste para nós. A vibração dos torcedores é um de nossos grandes trunfos. Jogar no nosso ginásio, tendo nossa torcida, é um fator que nos empurra. Quem nos assiste participa, incentiva e às vezes até critica. Mas na hora certa, tudo isso é muito importante”, pontua Guerrinha. “Mas sabemos que é um momento de transição e que logo estaremos juntos”, finaliza.