10 dos 24 deputados mais votados na região dizem não ao pedágio
Em uma mesma semana, foram ligados dois motores de pressão política contra a inclusão de Mogi das Cruzes e a instalação de um pedágio na rodovia Mogi-Dutra (SP-88) na concessão de rodovias litorâneas. Enquanto a Câmara Municipal de Mogi das Cruzes estuda criar a Frente Parlamentar contra o projeto do Governo do Estado, o Movimento […]
10/07/2021 09h40, Atualizado há 61 meses
Em uma mesma semana, foram ligados dois motores de pressão política contra a inclusão de Mogi das Cruzes e a instalação de um pedágio na rodovia Mogi-Dutra (SP-88) na concessão de rodovias litorâneas. Enquanto a Câmara Municipal de Mogi das Cruzes estuda criar a Frente Parlamentar contra o projeto do Governo do Estado, o Movimento Pedágio Não confirmou a adesão à luta de 10 dos 24 de-putados estaduais que mais receberam votos na cidade e municípios do Alto Tietê.
Todos os 24 parlamentares eleitos com os votos da maioria dos 2,8 milhões de eleitores já receberam contatos dos integrantes do Pedágio Não, por telefone ou e-mail.
Os 10 primeiros que já se posicionaram ouviram, em encontros virtuais, os argumentos contra o plano da concessão para Mogi, e já firmaram o compromisso de apoiar politicamente essa bandeira. Além desses, outros três deputados se ali-nharam a esse objetivo (veja abaixo).
A meta do movimento é a-trair o maior número possível de deputados para pressionar o Governo do Estado a abandonar o plano que irá comprometer a economia da região e de milhares de mogianos re-sidentes em bairros vizinhos à Mogi-Dutra e à Via Perimetral.
Apesar de contar com os representantes de Mogi, Suzano e Guararema, Paulo Boccuzzi, do Movimento Pedágio Não, acredita que a força de outros líderes, “mais combativos”, e menos atrelados ao governo, poderá somar positivamente. Ele cita, por exemplo, que o Movimento Brasil Livre, o MBL, designou um grupo para estudar alguma uma saída contra o pedágio, “outros pontos falhos que possam contribuir com a derrubada desse pedágio”.
Inicialmente, Boccuzzi iria percorrer gabinetes na Assembleia Legislativa, na companhia do prefeito Caio Cunha (PODE), o que foi adiado por causa do recesso parlamentar.
Em análise
Alguns meses após a posse, a nova composição da Câmara Municipal aprovou, nesta semana, o projeto que propõe a criação da Frente Parlamentar de Vereadores contra o Pedágio em Mogi. Para sair do papel, no entanto, a ideia dependerá do “sim” das comissões permanentes e, somente após isso, vai a voto no plenário.
O maior engajamento do Legislativo mogiano nesta luta partiu do grupo de vereadores do Podemos, integrantes também do Movimento ‘Vamos Ocupar a Cidade’, formado por Eduardo Ota, Johnross Jones Lima, Maurino José da Silva e Malu Fernandes (SDD).
Na justificativa para a pressão do Legislativo por Mogi, os vereadores elencaram os prejuízos sociais e econômicos debatidos há algum tempo. Um dos mais fortes é o preço da tarifa, calculada em R$ 8,60 nos dois sentidos da Mogi-Dutra, “um custo que prejudicará a vida e bolso de motoristas e moradores da região, e comprometerá o desenvolvimento regional, econômico e social”, realçam eles.
Eles dizem NÃO
Dez dos 24 deputados estaduais que mais receberam votos em Mogi das Cruzes já aderiram à luta da cidade contra a instalação do pedágio na rodovia Mogi-Dutra, como prevê o edital de licitação para a concorrência das estradas litorâneas, lançado pelo Governo do Estado.
A busca por esses apoios começou a ser articulada pelo Movimento Pedágio Não há alguns semanas, e já conseguiu o apoio de nomes conhecidos por terem recebido muitos votos como a deputada Janaina Paschoal (PSL), a recordista da última eleição no Estado de São Paulo, e outros atores de expressão como Arthur do Val (PATRI), Caio França (PSB), Carlos Giannazi (PSOL), Gil Diniz (sem partido), Maurici Moraes (PT) e Rodrigo Gambale (PSL) – no quadro, ao lado, é possível acompanhar quem ainda será contactado pelos organizadores.
O objetivo do movimento, afirma o empresário Paulo Boccuzzi, é ganhar força no enfrentamento no campo político para pressionar o governador João Doria, ou quem venha a ser eleito, a sepultar de vez um projeto que trará prejuízos a Mogi das Cruzes.
Boccuzzi afirma que, por conta da pandemia e do recesso parlamentar, os contatos estão sendo realizados em reuniões virtuais com os parlamentares.
E os resultados começaram a chegar com a circulação de depoimentos nas redes sociais do Pedágio Não e dos próprios deputados, seus partidos e apoiadores, com os argumentos que os levaram a se engajar na luta mogiana e regional.
“É interessante porque, cada um a seu modo, como o deputado Arthur do Val e Caio França, quie têm pensamentos mais liberais e favoráveis à privatização, estão entendendo como a decisão sobre esse pedágio foi feita de maneira arbitrária e desconsiderando os interesses de Mogi e do Alto Tietê”, observa, acrescentando que a meta do grupo é não se prender a partidos ou ideologias. “O nosso compromisso é com a luta contra o pedágio”, impõe.
Nessas primeiras conversas, estão sendo decantadas outras maneiras de se tentar inibir a continuidade da concorrência pública, inclusive, com alguma ação parlamentar que possa derrubar o ato do Poder Executivo estadual.
Isso, no entanto, ainda faz parte de primeiras conversas após os apoios obtidos.
Outros deputados
Após planejar a conquista da adesão de quem mais foi votado pelo eleitorado mogiano, Boccuzzi diz que, além desse grupo que tem a obrigação de representar os interesses dos mogianos, outros parlamentares foram procurados e já aderiram à campanha. Os três primeiros, nesta condição, são Castello Branco (PSL), Marcia Lia (PT) e Bruno Lima (PSL). Além desse viés, o da pressão política, o movimento prepara novas ações judiciais contra o pedágio em Mogi.