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ONG de Poá apoiada por Rayssa Leal muda a vida de crianças da região

Há uma década nascia em Poá a ONG Social Skate, com proposta um tanto ousada de unir a prática da modalidade à educação, cultura e inclusão, além de uma meta clara: a formação lúdica de crianças e adolescentes. Para os fundadores, foi difícil manter a ideia no início, mas justamente a insistência deste sonho garantiu […]

Por O Diário
07/11/2021 13h24, Atualizado há 56 meses

Há uma década nascia em Poá a ONG Social Skate, com proposta um tanto ousada de unir a prática da modalidade à educação, cultura e inclusão, além de uma meta clara: a formação lúdica de crianças e adolescentes. Para os fundadores, foi difícil manter a ideia no início, mas justamente a insistência deste sonho garantiu uma tremenda vitória: a mais nova medalhista olímpica do Brasil, Rayssa Leal, a ‘Fadinha’ – que está em pleno voo na carreira – destinará 50 mil dólares, cerca de R$ 250 mil, para a instituição. O valor vem do prêmio internacional Visa Awards de 2021, que reconheceu atletas que melhor representaram o espírito olímpico.

A informação sobre o prêmio foi confirmada nesta terça-feira pelo Comitê Olímpico Internacional (COI) e o Comitê Paraolímpico Internacional (IPC) no início do mês passado. 

Manter projetos sociais deste nível no Brasil sempre foi uma missão complicada. Quem dirá chegar até a marca de 10 anos na ativa. O dinheiro, que ainda passa por etapa burocrática, ajudará em breve a ONG a ampliar os projetos, que, cabe dizer, servem de inspiração para demais cidades do Alto Tietê. Algumas regras deverão ser impostas para a utilização, mas é certo que ajudará a manter as atividades para a garotada. 

Atualmente, a ONG Social Skate – que foi fundada e é administrada por Sandro Soares, skatista conhecido como ‘Testinha’, e a pedagoga Leila Vieira, atua no bairro Calmon Viana, em Poá, onde são oferecidas, de forma interdisciplinar, atividades voltadas ao esporte, educação, cultura e lazer. Hoje são atendidos cerca de 150 alunos, com projetos mistos, que ensinam o skate para a garotada e encontram formas de aplicar isso na vida das crianças.  

Muita coisa deve continuar mudando, como dizem, o “mundo dá voltas”. Há 10 anos, quando foi fundada a organização, o skate ainda era um esporte marginalizado. Essa sina tem mudado com histórias inspiradoras como a de Rayssa. O skate acaba de ganhar um boom após entrar na lista de competições olímpicas. 

E que melhor inspiração para os jovens que a Fadinha, que aos 13 anos já é gigante do skate mundial, ícone de sua geração? Após o sucesso repentino, ela já se encontrou com as ‘pequenas fadas’ do Social Skate, no mês passado. 

As atividades são todas desenvolvidas em uma quadra abandonada pelo poder público, onde anos atrás funcionava como ponto de tráfico de drogas. Foi o fundador que convenceu traficantes a cederem o espaço. Na sequência, o local foi revitalizado pela ONG. A organização foi criada sem planejamento financeiro. Entre as metas não estão desenvolver grandes profissionais, mas colaborar com a criação de cidadãos melhores.

Para o fundador Sandro Soares, foi a longevidade do trabalho da ONG que pesou na decisão de Rayssa. Os fundadores levaram um susto quando descobriram sobre o destino da grande premiação. Logo, o número de seguidores da Social Skate saltou de 30 para 40 mil. 

Os fundadores mantêm a missão de usar o skate como uma ferramenta pedagógica e lúdica, um meio de fortalecer vínculos sociais. 

Essa trajetória começou anos antes. O projeto já atuou na Fundação Casa. Sandro e Leila notaram a dificuldade de recuperação de jovens que cumpriam medidas socioeducativas. Hoje, o foco da ONG é um trabalho preventivo. “O esporte salva vidas” destacam os fundadores. O projeto surgiu do bolso dos próprios criadores, daí veio um aperto, mas logo começou a ganhar mais fama. Nomes como o famoso skatista Bob Burnquist doaram equipamentos que hoje são usados pela criançada. 

O caminho de Rayssa com os fundadores da Social Skate se cruzaram antes da pandemia e do boom das olimpíadas. Eles se encontraram em premiações que Rayssa já dava show e foram mantendo contado. Talvez, o fato de trabalharem na educação de crianças tenha sido um diferencial que chamou a atenção da fadinha e sua equipe. 

Mais novidades são aguardadas em breve. Fica a dica para ampliar projetos deste nível em Mogi das Cruzes e demais cidades da região. 

A premiação 

Com informações de Agência Brasil

Rayssa Leal foi eleita, em votação online, a atleta que melhor representou os valores olímpicos, entre todas as modalidades, na Olimpíada de Tóquio (Japão). 

Durante a competição do skate street, Rayssa chamou atenção por vibrar a cada manobra das adversárias e abraçar efusivamente a japonesa Nishiya Momiji, que ficou com o ouro na disputa com a própria brasileira. Entre as eliminatórias e as finais, a brasileira também roubou a cena ao gravar uma dancinha com a filipina Margielyn Didal, que ficou em sétimo lugar.

Além de Rayssa, o Brasil foi ao pódio outras duas vezes no skate em Tóquio. Kelvin Hoefler foi o segundo colocado no street masculino, enquanto Pedro Barros também levou a prata, mas no park masculino.

 

Conquistas

A Fadinha está em pleno voo. No último final de semana, ela sagrou-se campeã da segunda etapa da Street League de skate, circuito mundial da modalidade, em Lake Havasu, no Arizona, nos Estados Unidos. 
Após ser ultrapassada na rodada final pela japonesa Momiji Nishiya, campeã na Olimpíada de Tóquio (Japão), a maranhense de 13 anos obteve a nota 6,3 (seis décimos acima do que precisava) na última chance e ficou com o troféu. Pâmela Rosa ficou na quarta posição e Gabriela Mazetto terminou em sexto.
A brasileira, que nasceu em Imperatriz (Maranhão), já havia conquistado a primeira etapa da Street League de skate, em Salt League City, em agosto.

Novo centro
Após o sucesso do skate brasileiro na Olimpíada de Tóquio (Japão) – três pratas com Kelvin Hoefler, Rayssa Leal e Pedro Barros, na estreia da modalidade nos Jogos – os atletas ganharão o primeiro Centro Olímpico voltado ao esporte sobre quatro rodinhas. O complexo com mais de 3.100 metros quadrados será erguido na cidade de Campinas (SP), até o final de 2022. Esta é a previsão da Confederação Brasileira de Skate (CBSK), que firmou parceria com a prefeitura da cidade paulista, o Ministério da Cidadania e Secretaria Especial do Esporte.

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