Um mês após bate-boca com enfermeiro, Lintz volta à Santa Casa, mas tem entrada barrada
Vereador diz ter sido impedido, mas lei garante o direito da instituição de impedir a livre circulação dentro do próprio prédio
06/02/2026 09h08, Atualizado há 5 meses
Lintz ficou em frente à Santa Casa por cerca de 2h antes de desistir do acesso | Fotos: Divulgação/Santa Casa e Reprodução/Redes Sociais
O vereador Felipe Lintz (PL), de Mogi das Cruzes, voltou a visitar a Santa Casa de Misericórdia de Mogi das Cruzes na noite desta quarta-feira (4), novamente sob a prerrogativa de fiscalizar a instituição. Entretanto, dessa vez, a Santa Casa teria negado o acesso do vereador ao prédio. A nova visita acontece um mês depois de Lintz se envolver em um desentendimento com um profissional da unidade (leia mais abaixo).
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O caso foi documentado nas redes sociais do próprio vereador. Segundo Lintz, por volta de 19h45, munícipes teriam o acionado para verificar uma demora no atendimento da Santa Casa. Entretanto, na sequência, o vereador publicou outro story onde disse ter sido impedido de fiscalizar.
“Eu pedi para bater a escala dos médicos, para acessar o andar superior do hospital. Sabe o que a Diretoria me disse? Que eu como vereador não tenho competência para visitar o andar superior e verificar a escala dos profissionais. Poxa, eu sou um vereador”, disse Lintz.
O parlamentar continuou, por pelo menos mais duas horas. Na mesma publicação, Lintz afirmava que fiscalizaria o ambiente mesmo que tivesse que “acionar a GCM (Guarda Civil Municipal) e a PM (Polícia Militar)“. Por volta de 21h45, Lintz fez uma última publicação dizendo que seguiu sem ter o acesso autorizado.
Vale lembrar que, por lei, a Santa Casa, enquanto instituição filantrópica privada, tem o direito de restringir a livre circulação dentro do próprio prédio. No caso de uma fiscalização, como alegado pelo vereador, é necessário autorização judicial para acessar a entidade. Além disso, apesar do vínculo com o município, a tentativa do vereador de vistoriar, sem o respaldo legal, violaria o direito à propriedade privada e à autonomia administrativa da entidade, uma vez que a Santa Casa não é um equipamento do município.
O que diz a Santa Casa?
A redação do O Diário procurou a assessoria da Santa Casa que, em nota, disse que tem a prerrogativa de autorizar ou negar a livre entrada no prédio e a circulação de pessoas em suas dependências.
“Contudo, a filantrópica mantém bom relacionamento com vereadores da Cidade e demais políticos do Alto Tietê que têm interesse em visitar suas instalações e são sempre bem-vindos, após agendamento junto à Provedoria. Vale frisar que a entrada irrestrita de agentes políticos com objetivo de fiscalizar sem prévio agendamento encontra óbice em princípios e direitos constitucionais”, explicou a instituição.
Ainda em nota, a Santa Casa ressaltou que “o acesso às dependências da instituição sem autorização da entidade somente é admissível em hipóteses excepcionais“, como ordem judicial e em ações conduzidas por órgãos legalmente competentes, como o Ministério Público, o Tribunal de Contas, a Vigilância Sanitária ou Conselhos Profissionais.
Sobre os depoimentos de supostos pacientes publicados por Lintz, a Santa Casa disse que “o hospital cumpriu rigorosamente o fluxo regular, não havendo qualquer ingerência externa, embora o referido filme procure mostrar que o vereador interveio de algum modo“.
Bate-boca com enfermeiro
A nova tentativa de visita do vereador acontece um mês após o mesmo parlamentar se envolver em uma discussão com um profissional da Santa Casa. Na madrugada do dia 7 de janeiro, Lintz esteve no prédio da filantrópica, também sob a justificativa de fiscalizar o atendimento, e se desentendeu com um enfermeiro.
Nas imagens, que circularam pelas redes sociais na época e que foram publicadas pelo próprio parlamentar, Lintz e o funcionário discutem sobre a acusação de negligência.
“O senhor é um péssimo profissional e vai ser demitido por justa causa, por negligência”, acusa Lintz.
“Eu sou o que? Fala mais alto, para o pessoal lá dentro te ouvir. Você é doido!”, retruca o funcionário.
“Você está negando acompanhamento para o paciente, está descumprindo uma lei federal!”, insiste o parlamentar.
Na ocasião, em nota, a Santa Casa de Mogi das Cruzes informou que registrou um “lamentável incidente, motivado pela soma de superlotação e ânimos exaltados“. A entidade afirmou, também, que a Provedoria iria apurar o caso e que o episódio só prejudicou o atendimento à população, sem fazer parte da solução.