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Canetas emagrecedoras: o que dizem os especialistas e os riscos do uso sem prescrição

Até que ponto elas são seguras, quem realmente deve utilizar o protocolo e quais os perigos da automedicação

Por Victoria Freitas
21/02/2026 18h45, Atualizado há 1 mês

Canetas emagrecedoras | Foto: Tatsiana Volkava

As chamadas canetas emagrecedoras ganharam popularidade nos últimos meses e passaram a fazer parte das conversas e pesquisas de quem busca o emagrecimento, seja por necessidade de saúde ou estética. Mas, junto com os resultados prometidos, surgem dúvidas importantes sobre riscos, efeitos colaterais e a utilização dos protocolos sem acompanhamento médico.

Segundo dados do Atlas Mundial da Obesidade 2025 (World Obesity Atlas 2024), da Federação Mundial da Obesidade (World Obesity Federation – WOF), 68% da população no Brasil vive acima do peso ideal, baseado no Índice de Massa Corporal (IMC). Dessas, 31% tem obesidade e 37% tem sobrepeso. Em casos como esses, que são clínicos, as canetas emagrecedoras podem ser grandes aliadas ao tratamento, mas quando a busca é por estética corporal, sem a real necessidade de utilização, o cenário muda e as medicações podem trazer malefícios.

Para saber mais sobre até que ponto essas medicações são seguras, quais são os métodos que garantem resultados tão bons quanto os prometidos pelas ‘canetas emagrecedoras‘ e quais os perigos da automedicação, ouvimos a endocrinologista Julyana Navajas, o nutricionista e educador físico Mateus Mello e uma pessoa que fez uso das canetas sem prescrição médica, contando a própria vivência.

Moradoras de Mogi das Cruzes, que fizeram o uso das canetas emagrecedoras sem indicação médica compartilharam suas experiências com a reportagem. As mulheres, que têm 20 e 29 anos e preferiram não se identificar, relataram que as maiores influências para o uso da medicação foram as redes sociais e amigos e familiares que também utilizaram o protocolo, mas que não chegaram a fazer pesquisas sobre os métodos e nem procuraram por profissionais especializados.

Entre o principais sintomas citados por elas estão náuseas, vômito, fraqueza, tontura e visão turva. Apesar dos sintomas desencadeados pelo uso do medicamento, elas dizem que não há arrependimento pela utilização. “Se pudesse tomaria novamente” e “estou magra, não estou?” são afirmações das jovens.

O que dizem os especialistas?

Para início de conversa, a especialista em endocrinologia Julyana Navajas explica que as medicações que ganharam popularidade nos últimos meses são, na verdade, metabólicas e não para emagrecimento, como ficaram conhecidas. A Semaglutida, comercializada como Ozempic ou Wegovy e a Tirzepatida, conhecida como Mounjaro, atuam em hormônios intestinais que regulam fome, saciedade, controle glicêmico e resposta insulínica, reduzindo o apetite, aumentando a sensação de saciedade e ajudando no controle metabólico.

A médica endocrinologista reforça sobre a utilização dos procedimentos sem prescrição ou acompanhamento médico, prática que pode acarretar diversos problemas como dose incorreta (super ou subdosagem), náuseas intensas, vômitos, dor abdominal, constipação, desidratação, perda excessiva de massa muscular e uso em pacientes com contraindicações.

Segundo a especialista, as medicações não devem ser aplicadas sozinhas e, para quem busca os protocolos com canetas emagrecedoras como métodos de emagrecimento, o primeiro passo é sempre procurar um médico habilitado, preferencialmente com experiência em obesidade e metabolismo.

“Essas medicações são ferramentas modernas e poderosas da medicina metabólica. Elas facilitam o processo, reduzem a fome, ajudam o paciente a sair do ciclo compulsão-culpa, mas o que sustenta o resultado é a mudança de estilo de vida”, ressalta a médica.

O nutricionista e educador físico Mateus Mello afirma que o uso das medicações são eficazes do ponto de vista clínico, especialmente para pessoas com obesidade ou doenças metabólicas como diabetes, hipertensão, resistência à insulina.

“Do ponto de vista profissional eu não indicaria como primeira estratégia, mas utilizaria quando há indicação clínica real e acompanhamento médico, quando a obesidade já esta há muito tempo instalada, com tentativas anteriores bem acompanhadas e sem efeitos concretos, ainda mais quando ha compulsão alimentar, risco metabólico elevado. Só não indico quando a pessoa quer resultados estéticos, pra ‘secar rápido”, afirma o especialista.

Mateus ainda reforça os métodos para emagrecimento saudável e sem riscos como a reeducação alimentar com um déficit calórico adequado, quantidades de proteína certas, água e isenção de produtos ultra processados. Alinhado com treinamento de força e aeróbico, horas regulares de sono e controle do estresse, além de controle hormonal com endocrinologista e terapia, especialmente em casos de compulsão alimentar.

Os profissionais ainda defendem a ideia de que o tratamento ideal deve ser multidisciplinar, envolvendo endocrinologista, nutricionista e psicólogo.

A parcela de culpa das redes sociais

As redes sociais têm alimentado cada vez mais a busca pelo corpo ideal, emagrecimento rápido e resultados extraordinários. O impacto disso na vida real, muitas vezes acaba em frustração. A endocrinologista Julyana Navajas afirma que o que mais compromete os resultados não é a medicação, mas a expectativa irreal alimentada pelas redes sociais.

A psicóloga Naiara Amaral explica que a psicoterapia é de extrema importância no processo de emagrecimento, principalmente quando existe compulsão alimentar. Pois a psicoterapia auxilia na construção de uma relação saudável com a comida, desfazendo padrões de comportamentos que mantém a comida no lugar de conforto emocional.

“As redes sociais são grandes redes influenciadoras no comportamento das pessoas. Influenciam em como as pessoas se vestem, estilos de vida, como educarem os filhos, os produtos que devem ou não consumir e com certeza, influenciam em qual é o corpo ideal. É utilizado o marketing emocional; quando a venda de um produto ou procedimento vem da exploração da insegurança que as pessoas tem sobre seus corpos e a ideia constante de que algo precisa ser corrigido” afirma a especialista.

Ela ainda reforça como as redes promovem comparações sociais, na frequente exposição de padrões irreais de corpos e estilos de vida, muitas vezes criando associações disfuncionais entre corpo e valores pessoais. Por exemplo: corpo magro e definido é sinônimo de sucesso e aceitação.

“Acredito que a busca excessiva por emagrecimento podem sim estar ligadas a questões psicológicas. Questões com a autoestima são muito comuns, dependendo do contexto social e do estilo de vida do indivíduo, essa dor emocional pode ficar em evidência, levando a pessoa a buscar formas de alívio por meio da adequação a padrões corporais socialmente estabelecidos”, complementa.

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