Presidente do Republicanos critica fim da 6×1 e diz que ‘ócio demais faz mal’
Em entrevista à Folha de S. Paulo, Marcos Pereira também disse que o projeto irá prejudicar a competitividade de empresas brasileiras
27/02/2026 10h06, Atualizado há 2 meses
Deputado Marcos Pereira | Najara Araújo/Gabinete parlamentar
O presidente do Republicanos, o deputado federal Marcos Pereira, de São Paulo, criticou o projeto que visa o fim da jornada de trabalho 6×1 e disse estar preocupado com a proposta e sua eventual votação. Em entrevista à Folha de S. Paulo, o parlamentar também questionou se o tempo livre adicional seria usado de forma adequada.
“Eu acho que quanto mais trabalho, mais prosperidade. Claro, tem que ter lazer, mas ócio demais faz mal. […] Vai ficar mais exposto a drogas, a jogo de azar. Pode ser o contrário, ao invés de lazer, pode ser o mal. Qual é o lazer de um pobre numa comunidade? Ou no sertão lá do Nordeste?”
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Além da declaração, Pereira disse que conversou com o presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), sobre as suas preocupações com o tema. Segundo ele, o ano eleitoral é “muito sensível” para votar a PEC e pode acabar expondo a Câmara. “O eleitor pode não entender bem se você votar contra, por exemplo“, explicou.
Outro ponto criticado pelo deputado é em relação a competitividade das empresas brasileiras. Pereira disse que a aprovação do fim da 6×1 prejudicaria o setor. Segundo ele, apesar da demanda pela redução da jornada trabalhista ser válida, a medida só teve sucesso em países de “primeiro mundo”.
“A gente tem um abismo, e essa é a reclamação da indústria nacional sobre o acordo Mercosul com a União Europeia. Não dá para comparar o custo trabalhista, o custo da burocracia e tributário daqui com o de lá. Concorrência com a China então, que não tem legislação trabalhista, não tem nada”, afirmou.
PL e União Brasil
O presidente nacional do PL, Valdemar Costa Neto, também se manifestou contra a PEC que prevê a redução da jornada de trabalho. Costa Neto disse, ao empresariado paulista nesta semana, que o partido vai se mobilizar para que o projeto não seja votado no Congresso.
“Difícil um cidadão que é candidato a deputado federal e senador votar contra. Nós temos que trabalhar para não deixar votar de jeito nenhum. O que nós pretendemos fazer? Trabalhar com o presidente da Câmara e segurar isso aí na CCJ (Comissão de Constituição e Justiça), é onde vai ser a guerra”, disse Costa Neto.
A movimentação para “barrar” o avanço da pauta também deve receber apoio do União Brasil. Antônio Rueda, que preside a legenda, também disse ter uma posição contrária ao fim da 6×1 e que a chegada di projeto ao plenário da Câmara seria “avassaladora”.