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‘Ela era o Sol, a luz e a vida’, família relembra legado de Fernanda Moretti no Dia da Mulher

No Dia Internacional da Mulher, O Diário presta uma homenagem à Fernanda Moretti, artista com 30 anos de atuação em Mogi das Cruzes e região

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Fernanda Moretti | Reprodução/Instagram

Reportagem de: Laura Batista

“Ela era o Sol, a luz e a vida para nós e para todos que a cercavam”, assim Fernanda Moretti foi definida pela mãe, a dona Norma. A artista, com uma trajetória de quase três décadas, foi pilar no desenvolvimento da Cultura em Mogi das Cruzes, lembrada por sua visão artística e projetos que inspiraram e mudaram vidas. No dia Internacional da Mulher, O Diário relembra seu legado, que segue vivo entre amigos e familiares. 

Fernanda iniciou sua carreira nas artes ainda na infância, incentivada pela família. Segundo Norma, os três filhos aprenderam a tocar piano, mas Fernanda demonstrou interesse pela dança desde muito cedo. “Aos cinco anos, ela pediu para fazer ballet”, conta.

Ainda de acordo com a mãe, foi nas aulas de dança que Fernanda começou a desenvolver vínculos e a fortalecer sua relação com o universo artístico. “No ballet, ela foi se envolvendo com as pessoas. Há uma genética na família”, acrescenta

A bailarina sonhava em ser pintora, cantora e “dançora”, como brincou Tião, um de seus irmãos. De fato, Moretti seguiu, anos depois, a carreira de dançarina. Apesar do caminho artístico, ela se formou em Direito e atuou como advogada na juventude. 

“Como artista, ela tinha um olhar minucioso para além do óbvio, atravessou e cruzou caminhos com muitas pessoas”, destacou Tião. Ainda segundo ele, a filosofia de vida de Fernanda era “diferente”. 

“[Ela] vivia poeticamente, e tinha uma personalidade livre, gostava dos animais. Sua conexão com a natureza era presente e, por isso, Fernanda tinha tantas inspirações para a arte”, complementa Tião. 

Além de dançarina, Fernanda era educadora e uma mulher muito ativa nas pautas femininas. O sagrado feminino era algo muito presente no que estudou. [Sua arte] não era só intuição e sensibilidade. Tinha muito estudo psicanalítico e cultural”, completou o irmão. 

Legado

Para Tião, o legado deixado por Fernanda ultrapassa o espaço da escola de dança e permanece vivo nas pessoas que conviveram com ela e participaram de seus projetos.

“Acho que o maior legado está dentro da gente, de tentar viver a vida poeticamente, artisticamente. Ela deixou um legado na cultura com projetos que não se resumem apenas a uma escola de dança. Ali existe toda uma incubadora de outras iniciativas culturais”, diz.

Uma das suas últimas produções foi “A Bella Não Adormecida”, releitura do tradicional conto de fadas. “Ela tinha esse olhar de remodelar as histórias de acordo com suas experiências”, acrescentou o professor e bailarino Cleiton Costa, atual diretor da escola de dança Fernanda Moretti, Arte do Movimento.

Costa também ressalta que Fernanda tinha uma preocupação que ia além do resultado artístico apresentado ao público. De acordo com ele, a artista valorizava o processo criativo e o impacto que cada projeto poderia causar nas pessoas envolvidas.

“Para além da arte, Moretti se preocupava com o impacto que cada trabalho causaria nos artistas envolvidos no projeto, antes mesmo de pensar na mensagem ou no público final”, conta.

Morte

A bailarina, educadora e produtora cultural Fernanda Moretti morreu aos 53 anos, na manhã de 29 de dezembro, em São Paulo, em decorrência de um câncer. Referência nas artes cênicas e na dança contemporânea em Mogi das Cruzes e na região do Alto Tietê, ela estava internada no Hospital Beneficência Portuguesa desde o dia 22 daquele.