Aumento do combustível e seu impacto na economia e rotina dos condutores
Medidas do Governo Federal buscam amenizar impactos da alta do combustível para o consumidor final
16/03/2026 19h04, Atualizado há 1 mês
Preço do diesel sobe de uma semana para a outra em Mogi das Cruzes| Foto/ Laura Batista
Na última semana, o aumento do preço do combustível tornou-se foco de preocupação entre as pessoas que utilizam de seus veículos para trabalhar. Em Mogi das Cruzes, a média de valores do óleo diesel é de R$7,27 e o aumento dos preços ainda é esperado. Segundo a Petrobras, a mudança repentina veio devido à guerra dos Estados Unidos com o Irã, e segue sob monitoramento diário.
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SOBRE A GUERRA
Quando os Estados Unidos, juntamente de Israel atacou o Irã, a capital do país, Teerã, respondeu ampliando o conflito na região e fechando o Estreito de Ormuz, isso fez com que os preços do barril de petróleo dispararam de US$ 60 para quase US$ 120 na segunda feira segunda-feira (9). A maior alta já registrada em um único dia. Em seguida, voltaram a cair, estabilizando-se em torno de US$ 90.
“Esse aumento atual se dá pela guerra lá com os Estados Unidos, foi fechado o Estreito de Ormuz, por onde passa a maior parte do petróleo. Então começa a faltar e o preço vai lá em cima, o aumento foi por causa disso, aí vem pra gente mais caro e o valor acaba aumentando. A gente até conseguiu segurar por uns dias, mas é difícil, pois o aumento foi muito alto”, explicou Carla Lopes, proprietária de posto de gasolina em Santa Isabel.
Após a mudança de valores repentina, no Brasil, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, assinou um decreto na última quinta-feira (12), zerando os impostos referente a importação e comercialização do diesel, a fim de diminuir os impactos para quem trabalha como motorista.
Roberto Pimenta (64), trabalha como taxista na região do Alto Tietê e compartilha sobre os desafios enfrentados pelos condutores que utilizam de sues veículos para trabalhar. “Na época do ex-presidente Bolsonaro esteve mais alto, mas agora tá chegando a quase sete reais. O ganho já está ruim e com o aumento do combustível, cai mais ainda. Dependendo do serviço, eu abasteço duas vezes por semana, mas toda vez que abasteço vai quase 280 reais, agora com o preço novo, vai chegar aos 300 reais, no mínimo. Já tá difícil, ainda fica pior! E isso tudo, até mesmo quem não te carro acaba pagando, porque vai pros mercados, todos pagam, ninguém escapa”, afirmou o motorista.
Além disso, uma Medida Provisória publicada autoriza a subvenção econômica para importadores e produtores de diesel. Com isso, o governo pode pagar R$0,32 por litro, desde que esse desconto seja repassado à cadeia de preços, baixando o custo ao consumidor final.
“Com essa tensão de guerras, a tendência é aumentar. O frete e o serviço ficam mais caros, aumenta o combustível e consequentemente interfere em toda a economia, então as despesas de mercadoria também encarecem”, comentou o Bruno da Silva (29), caminhoneiro desde 2016.
O economista e conselheiro do Conselho Regional de Economia de São Paulo (Corecon-Sp), Adenauer Rockenmeyer, afirma que o principal risco associado ao conflito é a diminuição da oferta de combustíveis derivados de petróleo no Brasil, o que pode afetar os preços, a inflação e, consequentemente, os custos para os caminhoneiros e transportadores. A dependência do transporte rodoviário no país agrava essa situação.
“A Petrobras, acompanhando a variação do preço internacional, promoveu um reajuste no preço do diesel no Brasil, de 38 centavos por litro. É importante ressaltar que a composição do preço final do combustível envolve diversos agentes, incluindo distribuidores e postos de combustíveis”, complementa o economista.
Juntas, as duas medidas representam alívio de R$0,64 por litro. As iniciativas são um enfrentamento à alta do preço do petróleo no mercado internacional, causada pela guerra.
“Na primeira semana, a gente aumentou em média 42 a 45 centavos. Nesta semana foi de 20 a 25 centavos, mas falam que a tendência é aumentar mais. Eles falam pra gente que já está faltando [diesel], eles mandam cotas, a gente faz o pedido e eles falam ‘até o final do dia a gente passa se vai conseguir realmente mandar’, pelo o que eles passam pra gente, a tendência é aumentar”, concluiu Carla.
Ainda segundo o economista Adenauer, a normalização dos preços permanece incerta, devido à complexidade da precificação, que considera os custos de risco e a dinâmica da oferta e da demanda. A estabilização dos preços no mercado interno dependerá da evolução do cenário internacional e das medidas adotadas pelas autoridades.
Laura Batista é estagiária e escreveu esta material sob supervisão da edição de O Diário.