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Advogado Marco Soares assina carta de número 58 contra o pedágio

O advogado Marcos Soares, ex-secretário municipal de Governo, assina mais uma carta endereçada ao  governador João Doria (PSDB) sobre os motivos de Mogi das Cruzes contra a instalação de um pedágio na rodovia Mogi-Dutra, como prevê edital de concessão lançado pelo Governo do Estado em abril passado para as rodovias litorâneas. Soares foi candidato a […]

Por O Diário
03/08/2021 17h09, Atualizado há 61 meses

O advogado Marcos Soares, ex-secretário municipal de Governo, assina mais uma carta endereçada ao  governador João Doria (PSDB) sobre os motivos de Mogi das Cruzes contra a instalação de um pedágio na rodovia Mogi-Dutra, como prevê edital de concessão lançado pelo Governo do Estado em abril passado para as rodovias litorâneas.

Soares foi candidato a prefeito de Mogi das Cruzes, em 2012, pelo PT.  Para ele, a instalação dos pedágios na região mogiana “inverte a lógica das coisas”, porque “o pedágio tem como condicionante a efetiva melhoria das rodovias”, o que não está previsto nos planos apresentados pela Artesp.

Esta é a carta de número 58 publicada por O Diário desde maio passado, com opiniões de lideranças sobre o projeto em questão.

Ao Governo do Estado

Ao Excelentíssimo Senhor João Dória, Governador do Estado de São Paulo.

O livro “Alice através do espelho”, de Lewis Caroll, de 1.871, apresenta um
mundo fantástico. Caótico, neste mundo tudo está ao contrário. Correr faz você
ficar no mesmo lugar e os textos estão escritos de trás para frente. Lá há uma
subversão da lógica e do razoável, o que fascina uma multidão de leitores há
décadas. Especialmente crianças.

A instalação dos pedágios na região mogiana inverte a lógica das coisas. O
pedágio tem como condicionante a efetiva melhoria das rodovias, por meio de
obras estruturantes e de manutenção, beneficiando quem as utiliza. Potencializa
o modal viário e fomenta o desenvolvimento local. Mas no caso mogiano, o
contrário acontece, tal qual no mundo dos contrários de Alice.

No projeto, a rodovia Mogi Dutra, construída em 2005, não terá qualquer
melhoria efetiva, limitando-se a manter o que existe e a inserção de itens tão
somente a atender o pedágio. Em contrapartida, Mogi e região serão seriamente
prejudicados. O escoamento da produção agrícola do cinturão verde do Estado
será gravemente afetado, influindo no preço final dos produtos. O cidadão que
trabalha em São Paulo arcará com algo perto de R$ 8,00 para um trecho de cerca
de 17km até a próxima praça de pedágio… Para voltar pagará mais… É fácil
vislumbrar os prejuízos ao desenvolvimento econômico, social, comercial,
industrial e no emprego local. A cidade restará dividida. Serão 11 bairros
divididos e isolados pelo pedágio.

O plano diretor de Mogi, instrumento de
planejamento urbano de maior importância de qualquer município, será
severamente afetado.

Para muito pior. Instrumento básico da política de
desenvolvimento e expansão urbana, o plano diretor da cidade será jogado na
lata do lixo. E, com ele, o futuro de Mogi das Cruzes. Parece dramático? De fato
é. Se um viaduto mal planejado interfere sensivelmente na vida de uma cidade,
imagine 7? O elevado Pres. João Goulart, o famoso minhocão, será demolido ou
transformado em parque. Resolverá os problemas de poluição, urbanismo e 
permitirá a requalificação de espaços públicos na cidade de São Paulo.
O pedágio representa pensamento inverso. Significa danos irreversíveis à cidade
e a região. À luz de políticas públicas regionalizadas, é fácil chegar a mesma
conclusão. A região será asfixiada a fim de beneficiar interesses privados e
eventual melhoria nas rodovias do litoral sul.

É razoável privilegiar a duplicação de rodovias, que nenhuma relação possui com a região, em detrimento de uma
população de 500 mil pessoas e do futuro de uma cidade? Sob uma análise fria e
meramente financeira, o custo não vale eventuais benefícios. Ou seja, sob
qualquer ângulo que se analise a questão, a resposta é negativa.
Rogo ao senhor que não subverta a lógica e o bom senso. Deixe a narrativa
falaciosa de lado, própria de estórias mirabolantes, e ajude-nos a construir o
futuro de nossa região. Sem pedágio.

Marco Soares é advogado e foi candidato a prefeito de Mogi das Cruzes

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