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Agricultores de Mogi receberão apoio de R$ 300 mil

Agricultores de Quatinga e outros bairros de Mogi das Cruzes receberão R$ 300 mil da Fundação Banco do Brasil. Os recursos serão utilizados para a confecção de cestas básicas que atenderão a 2,5 mil famílias atendidas por Organizações Não Governamentais (ONGs) da cidade. Além de auxiliar na sobrevivência dessas pessoas, o recurso evita o desperdício nas […]

Por O Diário
18/04/2021 17h35, Atualizado há 64 meses

Agricultores de Quatinga e outros bairros de Mogi das Cruzes receberão R$ 300 mil da Fundação Banco do Brasil. Os recursos serão utilizados para a confecção de cestas básicas que atenderão a 2,5 mil famílias atendidas por Organizações Não Governamentais (ONGs) da cidade.

Além de auxiliar na sobrevivência dessas pessoas, o recurso evita o desperdício nas plantações, já que a distribuição para supermercados e quitandas diminuiu muito durante as recentes fases restritivas da batalha contra a Covid-19.

O apoio faz parte da campanha de ajuda humanitária “Proteja e Salve Vidas”, que repassou, em 2020, R$ 1 milhão para pequenos produtores rurais da cidade. No novo pacote, o município – único em todo o Estado a ser contemplado – recebe atenção mais uma vez, pelo trabalho da Cooperativa de Produtores Rurais de Jundiapeba e Região (COOPRAJUR).

Assim como em 2020, a verba dá fôlego aos agricultores, que vão providenciar 2,5 mil cestas básicas de 18 quilos, sendo metade do peso em “alimentos secos”, como arroz, feijão e farinha e a outra metade em “produtos frescos”, como frutas, verduras e legumes. A previsão é que pelo menos 17 entidades recebam os kits, em formato de doação, durante o mês de maio.

A ajuda vem em boa hora, já que, com a baixa saída, mais uma vez a produção começou a se acumular. “Com a volta da fase vermelha e o fechamento do comércio, o consumo é reduzido e os alimentos acabam acumulando”, conta a produtora rural Simone Silotti, de 54 anos, responsável pelo projeto #FaçaumBemINCRÍVEL, que lhe rendeu o Prêmio Empreendedor Social em Resposta à Covid-19. Segundo ela, os produtores de Quatinga têm a mentalidade do “desperdício zero”.

Tanto é que, na última semana, fizeram “a doação de uma tonelada e meia de cogumelo Shimeji e uma tonelada de hortaliças”. Ao todo, a iniciativa de recolher a produção que não foram vendida e que está no limite de colheita, entregando-os para ONGs e comunidades carentes já doou 180 toneladas de alimentos, e já movimentou R$ 1,2 milhão.

Pelo menos 13 municípios da Região Metropolitana de São Paulo, Cubatão, Praia Grande, Taubaté e Campinas já foram beneficiados. Estima-se que 200 mil famílias tenham sido alimentadas por meio desse trabalho.

 

Vaquinha

Desde antes de receber atenção da Fundação Banco do Brasil, o projeto conta com uma campanha de financiamento coletivo, uma “vaquinha” online. E esta ação continua, sob o título “Agricultores de Quatinga não joguem fora! Doaremos a produção!”, em http://vaka.me/965999.

“As doações continuam acontecendo, mas os recursos têm entrado em menor quantidade, principalmente de dezembro pra cá, quando houve período de recesso e planejamento estratégico das empresas”, conta Simone.

Segundo ela, a plataforma costuma receber doações de R$ 25 à R$ 500, mas a partir deste valor elas podem ser feitas de maneira direta, à combinar pelo telefone 11 99758-1923.

Aliás, por este número ela propõe uma mudança de pensamento na hora de doar. “Muitas pessoas fazem doações de cestas básicas, o que é ótimo. Mas se elas puderem adquirir alimentos dos pequenos produtores, além de fazer a doação, com o mesmo recurso ajuda também quem produz os alimentos. Ou seja, assim tanto os pequenos produtores como as ONGs recebem apoio”.

Em outras palavras, é possível doar cesta básica com qualidade superior  às industrializadas e disponíveis em  supermercados, pois os kits contém alimentos frescos, como hortaliças. E ainda dá para combinar o dia de entrega, em um processo é 100% transparente, garante a organização.

O doador pode escolher qual entidade receberá as verduras e legumes, e ainda é convidado para acompanhar a entrega, que é registrada em vídeo e documentada a partir de um recibo oficial.

 

Apoio de empresas

Embora seja um “apoio excelente”, o repasse financeiro da Fundação Banco do Brasil “precisa ser replicado por outras empresas”, na avaliação de Simone, que aponta outras demandas, como a necessidade de “mais parcerias para as Cozinhas Solidárias, que também passam por dificuldades na aquisição de alimentos”.

O que ela propõe é que empresas – sejam de pequeno, médio ou grande porte – patrocinem a aquisição da feira para as cozinhas, garantindo assim um melhor planejamento para a confecção das marmitas.  “Com mais empresas adquirindo com a gente os produtos, será possível organizar os cardápios com antecedência e se planejar”.

 

Consequências no campo

Simone Silotti traz ainda informações alarmantes. “Muitos produtores reduziram o plantio, o que implica em demissões no campo, em não ter o que colher, em faltar mercadoria daqui dois ou três meses, em toda a população pagar caro por isso”.

Além da crise financeira e sanitária, o clima não tem ajudado. “As últimas chuvas e Mogi destruíram produções”, conta a produtora, que teve inclusive prejuízos relacionados a estruturas físicas estragadas pela forte ação do vento.

Embora alguns grupos decidam jogar fora os alimentos não comercializados, como forma de protesto, os produtores de Quatinga se posicionam contra esta opção. Por defenderem o desperdício zero, insistem no projeto que “beneficia os agricultores”, mas não só isso.

“É uma iniciativa que beneficia a economia do município, já que o dinheiro quase sempre gira dentro da cidade, prestigiando o comércio local. Beneficia também as ONGs locais e as pessoas assistidas por essas entidades, proporcionando alimentação de qualidade”, finaliza a coordenadora.

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