Maio roxo: 6 hábitos que ajudam no controle das doenças inflamatórias intestinais
Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), cerca de 10 milhões de pessoas convivem com Doenças Inflamatórias Intestinais (DIIs) no mundo. No Brasil, estima-se que mais de 100 mil pacientes tenham algum tipo de DII, de acordo com a Sociedade Brasileira de Coloproctologia. Neste contexto, a campanha Maio Roxo busca conscientizar a população sobre essas […]
19/05/2026 11h00, Atualizado há 2 horas
Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), cerca de 10 milhões de pessoas convivem com Doenças Inflamatórias Intestinais (DIIs) no mundo. No Brasil, estima-se que mais de 100 mil pacientes tenham algum tipo de DII, de acordo com a Sociedade Brasileira de Coloproctologia.
Neste contexto, a campanha Maio Roxo busca conscientizar a população sobre essas condições crônicas que afetam o trato gastrointestinal, ampliando o conhecimento sobre sintomas, diagnóstico precoce e tratamento, além de incentivar a busca por acompanhamento especializado e combater o preconceito em torno das doenças.
Doenças inflamatórias intestinais mais comuns
As DIIs são condições caracterizadas por uma inflamação crônica do trato intestinal, sendo a doença de Crohn e a retocolite ulcerativa as formas mais conhecidas. Embora apresentem sintomas semelhantes, elas possuem diferenças importantes. Enquanto a primeira pode afetar qualquer parte do sistema digestivo, da boca ao ânus, comprometendo todas as camadas da parede intestinal, a segunda atinge principalmente o intestino grosso e o reto, causando uma inflamação mais superficial.
Entre os sintomas mais frequentes, estão diarreia persistente, dores abdominais, sangue nas fezes, perda de peso, fadiga e urgência para evacuar. Em alguns casos, os pacientes também podem apresentar manifestações fora do intestino, como alterações nas articulações, na pele e nos olhos.
Causas e origens das DIIs
Segundo a Dra. Ana Cristina Amaral, gastroenterologista e professora da Afya Brasília, as DIIs possuem origem multifatorial. “Existe uma interação entre genética, sistema imunológico, fatores ambientais, medicamentos, infecções, tabagismo e até alterações da microbiota intestinal. O paciente possui uma predisposição genética e, em algum momento da vida, um gatilho pode desencadear esse processo inflamatório crônico”, explica.
Apesar dos avanços da medicina, a origem exata dessas doenças ainda não é totalmente compreendida. De acordo com o Dr. Thalles Valente, proctologista e professor da Afya Itajubá, ainda existem importantes lacunas sobre o funcionamento das DIIs.
“A doença inflamatória intestinal ainda não é totalmente compreendida pela medicina. Sabemos que ocorre uma ativação importante do sistema imunológico, que passa a atacar as próprias células do intestino, causando inflamação e lesões que podem atingir até toda a parede intestinal”, afirma.

Importância do diagnóstico das doenças
O Dr. Thalles Valente destaca que o diagnóstico precoce faz diferença no prognóstico do paciente. “Quanto mais cedo conseguimos levar o paciente à remissão da doença, menores são os riscos de complicações, cirurgias e danos permanentes ao intestino”, ressalta.
Segundo ele, o diagnóstico tardio ainda é um dos principais desafios no manejo das DIIs, pois inflamações prolongadas podem deixar cicatrizes e tornar a doença mais grave e difícil de tratar.
Tratamentos para as DIIs
A boa notícia é que, atualmente, existem diversas opções terapêuticas capazes de controlar as doenças e proporcionar qualidade de vida aos pacientes. “Hoje temos um cenário muito melhor do que há 15 anos. Existem muitos medicamentos disponíveis e novas terapias em desenvolvimento, com excelentes taxas de resposta, inclusive para pacientes que já falharam em tratamentos anteriores”, destaca a Dra. Ana Cristina Amaral.
Hábitos que ajudam no controle das DIIs
A seguir, os médicos listam hábitos que ajudam no controle das doenças inflamatórias intestinais:
- Praticar atividade física regularmente: exercícios ajudam na saúde imunológica, no fortalecimento muscular e na redução do estresse;
- Cuidar da saúde mental: o estresse pode influenciar diretamente a resposta imunológica e piorar os sintomas das DIIs;
- Evitar bebidas alcoólicas: o álcool agride a mucosa intestinal e pode aumentar a inflamação e a permeabilidade do intestino;
- Manter uma alimentação equilibrada: consumir frutas, verduras, legumes e fibras pode auxiliar no funcionamento intestinal e no controle inflamatório;
- Reduzir alimentos ultraprocessados: excesso de carnes processadas, conservantes, corantes e ultraprocessados pode favorecer processos inflamatórios;
- Evitar automedicação e manter acompanhamento médico: o tratamento adequado e individualizado é fundamental para controlar as doenças e prevenir complicações.
Por Beatriz Felicio