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Operação mira esquema de lavagem de dinheiro e adulteração de combustíveis em Mogi das Cruzes e Arujá

Ação da Receita Federal e MPSP é a segunda fase da Operação Carbono Oculto e cumpre 59 mandados de busca e apreensão em cinco estados

Por Daniel Angel
28/05/2026 10h07, Atualizado há 1 hora

Operação apreendeu valores e bens dos investigados | Divulgação/Receita Federal

Uma força-tarefa composta pelo Ministério Público de São Paulo (MPSP), Receita Federal, polícias Civil e Militar, além de outros órgãos de controle, deflagrou na manhã desta quinta-feira (28) a Operação Fluxo Oculto. Segundo a Receita, a ação tem como objetivo desmantelar um esquema bilionário de sonegação fiscal, lavagem de dinheiro e adulteração de combustíveis, com 59 mandados de busca e apreensão sendo cumpridos em municípios paulistas, como Arujá e Mogi das Cruzes, e em outros estados.

Ainda segundo a Receita, a operação é um desdobramento da Operação Carbono Oculto, deflagrada há nove meses, e foca na desarticulação de um ecossistema financeiro usado pelo crime organizado.

De acordo com o MPSP, a organização criminosa criou um “balcão financeiro marginal” composto por seis fintechs, que atuavam como bancos paralelos. Entre 2022 e 2025, essas instituições movimentaram mais de R$ 26 bilhões.

O esquema utilizava o que os investigadores chamam de “contas bolsão”, que centralizavam e dispersavam recursos ilícitos, dificultando o rastreamento do dinheiro. Além disso, a organização utilizava quatro fundos de investimento para ocultar a identidade dos reais beneficiários dos lucros. Atualmente, segundo a Receita, o patrimônio desses fundos é estimado em R$ 205 milhões, valor que cresceu mais de 200% em apenas um ano.

Organograma da Operação Fluxo Oculto – Divulgação/Receita Federal

Além da lavagem de dinheiro, a operação investiga um esquema de adulteração de combustíveis. Ainda segundo a Receita, a quadrilha desviava nafta petroquímica (solvente com tributação diferenciada para fins industriais) e a misturava a tanques de combustíveis automotivos.

O produto adulterado era então distribuído em postos revendedores ligados à organização criminosa. Apenas nesta frente, o prejuízo aos cofres públicos por sonegação de impostos é calculado em cerca de R$ 200 milhões em dois anos. A estrutura criminosa para viabilizar o desvio contava com a abertura serial de empresas de fachada em diversos estados, utilizando nomes de pessoas vulneráveis ou até de presos para esconder os verdadeiros donos dos negócios.

A Operação Fluxo Oculto conta com a participação de cerca de 135 auditores fiscais da Receita Federal e dezenas de servidores do GAECO, ANP, Secretaria da Fazenda e Procuradoria-Geral do Estado. Os 59 mandados de busca e apreensão estão sendo executados em São Paulo, na Capital, Arujá, Atibaia, Barueri, Itupeva, Jardinópolis, Mogi das Cruzes, Paulínia, Rafard, Santos, São José do Rio Preto, Sorocaba e Votorantim. Além disso, a operação ocorre em outros estados, como no Paraná (Cascavel e Paranavaí), Mato Grosso do Sul (Iguatemi), Minas Gerais (Belo Horizonte) e Rio de Janeiro (capital).

  • Daniel Angel é estagiário e escreveu está matéria sob supervisão da redação de O Diário.

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