Presidente do TSE suspende pesquisa do Instituto AtlasIntel que apontava queda de Flávio Bolsonaro
Para o ministro Kassio Nunes Marques, há suspeitas de indução ao eleitor; pedido de suspensão foi feito pelo PL, partido do senador
08/06/2026 18h51, Atualizado há 1 hora
Senador Flávio Bolsonaro | Foto: Geraldo Magela/Agência Senado
O presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), o ministro Kassio Nunes Marques, determinou a suspensão da divulgação da pesquisa eleitoral AtlasIntel, que apontou queda nas intenções de voto do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ). A decisão foi divulgada nesta segunda-feira (8) e atende parcialmente a um pedido apresentado pelo Partido Liberal (PL).
Segundo a legenda, o questionário divulgado no mês passado foi construído para “induzir respostas que prejudicaram o senador”. O instituto AtlasIntel nega as acusações (leia mais abaixo). Em análise preliminar, Nunes Marques entendeu que há indícios de contaminação dos resultados, entre eles a divulgação de áudio entre Flávio e o banqueiro Daniel Vorcaro. No diálogo, o senador pediu dinheiro ao empresário para financiar o filme “Dark Horse”, uma cinebiografia do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).
A decisão liminar deve ser levada a referendo na sessão colegiada do TSE nesta terça-feira (9).
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“Sustenta, em síntese, que a pesquisa impugnada, em vez de proceder à simples ordem de perguntas acerca do cargo eletivo, induziu os entrevistados de forma negativa em relação ao Senador Flávio Bolsonaro, pré-candidato do partido representante, com questionamentos referentes, em sua maior parte, às investigações envolvendo o Banco Master”, escreveu Nunes Marques.
O ministro destacou que a liminar parcial, que suspende a divulgação e a promoção da pesquisa nos canais oficiais da empresa, não representa risco caso a metodologia do levantamento seja posteriormente considerada regular.
Nunes Marques também determinou que a empresa apresente, no prazo de dois dias após a publicação da decisão, documentação técnica complementar para demonstrar a regularidade da pesquisa, especialmente em relação ao uso do áudio citado na ação.
O Instituto AtlasIntel se manifestou após a decisão e afirmou que o áudio entre Flávio e Vorcaro só foi mostrado aos entrevistados apenas depois da conclusão da pesquisa. “Após o encerramento definitivo do questionário — sem qualquer possibilidade de retornar às perguntas anteriores ou alterar respostas já registradas — os participantes eram redirecionados para uma página completamente separada do questionário, onde eram convidados a registrar suas reações enquanto ouviam o áudio”, explicou.
“Pesquisas de opinião realizadas posteriormente por diferentes institutos identificaram o mesmo padrão de impacto do episódio sobre as intenções de voto do candidato do Partido Liberal, em alguns casos apontando efeitos de magnitude ainda superior à observada pela AtlasIntel”, escreveu o instituto.
O CEO da empresa, Andrei Roman, se manifestou por meio da rede social X e negou qualquer viés político na pesquisa. “Ao longo do tempo, muitos tentaram atacar a reputação da AtlasIntel quando os resultados não convinham. Quando mostramos Bolsonaro e Trump fortes em 2022, fomos atacados pela esquerda. Quando antecipamos a derrota de Orban na Hungria, fomos atacados pela direita. A reputação se constrói lentamente, a partir de um trabalho árduo. A realidade que se impõe hoje é que não existe uma empresa de pesquisa a nível global com a trajetória que a AtlasIntel construiu. Depois de cada ataque injusto, a AtlasIntel se consolidou mais e é justamente isso que vai continuar acontecendo”, publicou Roman.