Frio aumenta riscos à saúde dos pets e exige atenção dos tutores, alerta veterinária
Especialista alerta que as baixas temperaturas favorecem o aumento de doenças respiratórias em cães e gatos
30/06/2026 17h00, Atualizado há 3 horas
Médica veterinária Atthila Becker | Foto: Acervo pessoal
Com a chegada do inverno, as baixas temperaturas exigem cuidados redobrados com cães e gatos, explica a médica veterinária Atthila Becker. Segundo a especialista, o número de casos relacionadas à doenças respiratórias, principalmente em animais mais fragilizados e sensíveis, costuma aumentar nessa época do ano.
“O frio intenso pode causar um ‘cold stress’, que é um estresse térmico para o organismo, fazendo o corpo gastar mais energia para manter a temperatura corporal equilibrada. Além disso, nessa época os vírus respiratórios tendem a se espalhar com mais facilidade, principalmente em ambientes fechados e menos ventilados. Doenças como traqueobronquite infecciosa canina, conhecida como gripe canina, e até a cinomose podem ter maior circulação no período frio”, explica Atthila.
A especialista destaca que cada animal reage de forma diferente às baixas temperaturas. Atthila ressalta que pets de pequeno porte, muito magros, idosos, filhotes, de pelo curto, doentes ou com problemas articulares costumam ser mais sensíveis ao inverno.
“Os filhotes ainda não conseguem regular tão bem a temperatura corporal. Já os idosos normalmente têm mais dificuldade para lidar com o frio e podem sentir mais dores no corpo nessa época. Por isso, é importante oferecer ambientes aquecidos, evitar vento e observar qualquer mudança de comportamento”, reforça a veterinária.
É importante ficar atento caso os animais apresentem sinais como tremores, extremidades mais frias e mudanças no apetite e na disposição, conforme alerta a especialista. Segundo Atthila, cães costumam demonstrar com mais facilidade quando estão com frio, ao contrário dos gatos que, normalmente, procuram lugares escondidos para se aquecer.
Caso o tutor perceba que o pet está sofrendo com as baixas temperaturas, a principal medida é garantir conforto térmico ao animal. A veterinária recomenda usar mantas, manter a cama do cão ou gato longe do vento, evitar o chão gelado e manter o pet protegido da umidade. Além disso, ela destaca que é necessário manter uma boa alimentação, hidratação e vacinação em dia, especialmente no caso de animais mais sensíveis ao frio.
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As roupinhas também podem ajudar a manter a temperatura corporal, mas nem todos os animais se adaptam ao acessório. “Se ele (animal) não aceitar roupinha, podemos investir em mantinhas, camas mais quentinhas, ambientes protegidos do vento e locais secos e confortáveis”, afirma a profissional.
Além disso, segundo a veterinária, a frequência dos banhos pode ser reduzida durante o inverno, principalmente em animais que sentem mais frio ou têm predisposição a problemas respiratórios, no entanto, a necessidade varia de acordo com o estilo de vida de cada pet. A especialista orienta que os tutores utilizem água morna e realizem a secagem completa do animal para evitar a exposição prolongada à umidade.
Sobre a tosa animal, Atthila ressalta que cortes muito baixos devem ser evitados, uma vez que o pelo funciona como um isolante térmico natural. “Tanto no inverno quanto no verão, devemos evitar tosas muito baixas, principalmente em cães mais sensíveis. O ideal é manter um comprimento confortável, que preserve essa proteção natural sem comprometer a higiene e o bem-estar do animal”, afirma.
Cuidados com pets em situação de vulnerabilidade
Em relação aos animais que vivem nas ruas, a veterinária afirma que pequenas atitudes podem fazer a diferença, desde que sejam adotadas com segurança. Segundo a veterinária, disponibilizar água limpa, alimento e um local seco, protegido do vento, já faz diferença. “O frio para um animal em situação de rua pode ser extremamente agressivo, então toda ajuda conta”, destaca.
A profissional acrescenta que caixas de papelão com cobertas podem servir como abrigo temporário e destaca que o ideal é acionar ONGs, protetores independentes ou incentivar a adoção responsável.
Especialistas e entidades de proteção animal orientam que a aproximação de animais que vivem nas ruas deve ser feita com cautela, já que eles podem estar assustados, feridos ou reagir de forma agressiva por medo.
Em Suzano, um grupo de quatro voluntários se mobiliza para ajudar os cães que vivem nas proximidades da estação de trem da cidade. Eles auxiliam em questão de alimentação, água, medicamentos e cuidados veterinários quando necessários. “Vamos atuando conforme as necessidades mais urgentes pois não recebemos nenhum apoio financeiro e tudo é pago com rateio, rifas e quando recebemos alguma doação pelas redes sociais. O nosso objetivo maior é conseguir uma família para cada um desses cães”, explica a atriz Fabiana Tavares, uma das voluntárias. Atualmente, o grupo cuida de 22 cães fixos que vivem nas ruas da área central da cidade e cinco que estão em lar temporário.
“O frio deixa tudo mais intenso e difícil, porque os cães adoecem com mais facilidade e aparecem muitos cães com tosse e gripados no dia a dia. Também enfrentamos dificuldades porque não podemos colocar casinhas. Todos os dias precisamos colocar papelões e cobertas, tirar as roupinhas quando chove e colocá-las novamente depois. Além disso, colocamos os papelões, mas as pessoas acabam tirando, e as roupinhas somem. Na estação quase não há lugar coberto para colocar os papelões e no terminal de ônibus isso não é permitido”, afirma a voluntária.
Além dos cuidados diários com os animais, Fabiana destaca que o grupo se mobiliza para arrecadar doações por meio das redes sociais. Entre os itens mais necessários, ela cita cobertas, roupinhas para os cães e medicamentos.

