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Entenda como a alimentação pode impactar a saúde do cérebro

A alimentação exerce um papel fundamental na saúde do cérebro em todas as fases da vida. Isso porque os nutrientes obtidos por meio dos alimentos participam da formação, do funcionamento e da proteção das células cerebrais. O cérebro humano possui cerca de 86 bilhões de neurônios e centenas de trilhões de sinapses (conexões), responsáveis por […]

Por Edicase Conteúdo
21/07/2026 17h02, Atualizado há 2 horas

A alimentação exerce um papel fundamental na saúde do cérebro em todas as fases da vida. Isso porque os nutrientes obtidos por meio dos alimentos participam da formação, do funcionamento e da proteção das células cerebrais.

O cérebro humano possui cerca de 86 bilhões de neurônios e centenas de trilhões de sinapses (conexões), responsáveis por funções como memória, aprendizagem, raciocínio, emoções, movimentos e tomada de decisões. Por isso, cuidar da saúde cerebral significa também preocupar-se com a alimentação.

“Hoje, a nutrição é reconhecida como um dos pilares da saúde e do funcionamento cerebral. Estudos mostram que determinados padrões alimentares podem reduzir o risco de declínio cognitivo, depressão e doenças neurológicas e neurodegenerativas, incluindo a doença de Alzheimer, a doença de Parkinson, o acidente vascular cerebral (AVC), a epilepsia e a enxaqueca”, explica o Prof. Dr. Durval Ribas Filho, nutrólogo, presidente da Associação Brasileira de Nutrologia (ABRAN) e palestrante do CBN 2026.

A importância do cuidado com a alimentação é ainda maior diante do crescimento das condições neurológicas. “Segundo estimativas da Organização Mundial da Saúde e do estudo Global Burden of Disease 2021, mais de 3 bilhões de pessoas vivem com alguma condição neurológica, tornando esse grupo de doenças a principal causa de incapacidade no mundo”, alerta o médico.

Cuidar da alimentação é cuidar da saúde do cérebro

Para o Prof. Dr. Durval Ribas Filho, a saúde cerebral não é construída em um único momento, mas representa um compromisso que precisamos assumir ao longo da vida. “Ela depende não apenas da ausência de doenças, mas também da preservação das funções cognitivas, como memória, aprendizagem e regulação emocional”, ressalta.

Além disso, conforme o médico, há uma comunicação contínua por meio do eixo intestino-cérebro. “Uma microbiota equilibrada produz substâncias que influenciam funções como humor, memória, sono e aprendizagem, além de contribuir para o controle da inflamação e da saúde metabólica, fatores relacionados ao menor risco de demências. Esse equilíbrio é favorecido por uma alimentação rica em fibras, frutas, verduras, legumes e alimentos fermentados”, explica.

Alimentação benéfica para o cérebro

Conforme o nutrólogo, embora não exista uma dieta única ou capaz de prevenir doenças sozinha, as evidências científicas mostram que alguns padrões alimentares estão associados à proteção da saúde cerebral. Entre os mais estudados estão a dieta mediterrânea e a Dieta MIND. “Ricas em frutas, verduras, legumes, peixes, azeite de oliva, oleaginosas, grãos integrais e leguminosas, elas ajudam a reduzir a inflamação, combater o estresse oxidativo, preservar a comunicação entre os neurônios e diminuir o risco de doenças neurodegenerativas”, afirma.

Além disso, alguns alimentos também ajudam a proteger o cérebro. “Peixes ricos em ômega 3 (salmão, sardinha e atum), azeite de oliva extravirgem, frutas vermelhas, oleaginosas, vegetais verde-escuros, ovos, leguminosas, alimentos fermentados, como iogurte e kefir, além de cacau e chocolate com alto teor de cacau. A hidratação também é indispensável para preservar a memória, a atenção e a concentração”, lista o Prof. Dr. Durval Ribas Filho.

Nutrientes essenciais para o cérebro

Abaixo, o Prof. Dr. Durval Ribas Filho lista alguns nutrientes importantes para a saúde do cérebro:

  • Antioxidantes (vitaminas C, E e polifenóis): são protetores contra o envelhecimento cerebral;
  • Zinco e ferro: contribuem para a atenção e o desempenho cognitivo;
  • Colina: participa da formação da acetilcolina, neurotransmissor relacionado à memória;
  • Magnésio: atua na aprendizagem e na comunicação entre os neurônios;
  • Vitamina D: desempenha papel relevante na proteção cerebral e na função cognitiva;
  • Vitaminas B6, B9 e B12: auxiliam na produção de neurotransmissores;
  • Ômega 3 (DHA e EPA): importante para a formação dos neurônios, a memória e a aprendizagem.
Mãos feminina segurando bowl com brócolis, cenoura, abacate, arroz, cogumelo e grão-de-bico
Uma alimentação saudável pode reduzir o risco, retardar o aparecimento e desacelerar a progressão do comprometimento cognitivo (Imagem: Kulkova Daria | Shutterstock)

Alimentação e funcionamento do cérebro

Conforme o médico, a alimentação ajuda a prevenir doenças neurodegenerativas, mas não age sozinha. “Mas uma alimentação saudável pode reduzir o risco, retardar o aparecimento e desacelerar a progressão do comprometimento cognitivo. Os benefícios são potencializados quando associados à prática de atividade física, ao sono adequado, ao controle das doenças crônicas e ao estímulo das funções cerebrais”, ressalta.

O que comemos influencia diretamente a memória, a concentração e o raciocínio. “O cérebro é um órgão metabolicamente muito ativo e utiliza cerca de 20% da energia consumida pelo organismo. Para funcionar adequadamente, depende de um fornecimento contínuo de nutrientes. Uma alimentação equilibrada favorece a comunicação entre os neurônios, a produção de neurotransmissores e a proteção contra processos inflamatórios e oxidativos”, explica o Prof. Dr. Durval Ribas Filho.

Alimentos que podem impactar negativamente o órgão

Alimentos ultraprocessados podem prejudicar a saúde do cérebro. “O consumo frequente está associado ao aumento da inflamação e do estresse oxidativo, podendo favorecer pior desempenho da memória e da concentração, além de aumentar o risco de depressão, ansiedade, envelhecimento cerebral acelerado e doenças neurodegenerativas”, alerta o nutrólogo.

Além disso, é importante se atentar ao consumo do açúcar. “O excesso de açúcar favorece a resistência à insulina, condição associada ao comprometimento da função cerebral. Por isso, alguns pesquisadores descrevem a doença de Alzheimer como uma possível ‘diabetes tipo 3’, embora essa denominação ainda não seja oficialmente reconhecida”, finaliza.

Por Edna Vairoletti 

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