O Diário Explica: o que é o El Niño, como ele se forma e de que maneira afeta o clima no Brasil
Durante o fenômeno, ventos perdem intensidade e a massa de água quente permanece acumulada na costa da América do Sul gerando um "efeito dominó" no clima global
27/07/2026 09h57, Atualizado há 0 horas
O satélite GOES-West observou quatro ciclones tropicais agitando o Pacífico em 1º de setembro de 2015, durante um evento El Niño. Imagem cedida pelo projeto GOES da NASA/NOAA.
Seja pelas altas temperaturas fora de época, por tempestades volumosas no Sul ou por longos períodos de estiagem no Norte e Nordeste, o termo El Niño virou se tornou termo comum no dia a dia. Mas você sabe o que realmente causa esse fenômeno climático e por que ele mexe tanto com a rotina dos brasileiros?
Segundo o Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação do Governo Federal, o El Niño é o nome dado ao aquecimento anormal e prolongado das águas superficiais do Oceano Pacífico Equatorial, a faixa do oceano que fica próxima à linha do Equador. Em anos normais, os ventos sopram no sentido leste-oeste, empurrando a água aquecida em direção ao continente asiático.
Durante o fenômeno, esses ventos perdem intensidade, o que faz com que a massa de água quente permaneça acumulada na costa da América do Sul. Essa alteração na temperatura do mar muda o transporte de umidade no ar e gera um “efeito dominó” no clima global.
Impactos no Brasil
Ainda segundo o Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação, por conta do tamanho do território brasileiro, o fenômeno provoca efeitos bem distintos em cada região do país:
- Região Sul: Registro de chuvas acima da média, aumento no volume dos rios e riscos de alagamentos e tempestades.
- Norte e Nordeste: Redução no volume de chuvas, favorecendo secas e episódios de estiagem prolongada.
- Sudeste e Centro-Oeste: Tendência de elevação das temperaturas, com ocorrência de ondas de calor frequentes e chuvas.
Quanto tempo dura e qual a diferença para o La Niña?
De acordo com o Instituto Nacional de Meteorologia (INMET), o El Niño não tem uma duração exata, mas tem ciclos que costumam durar entre 9 e 12 meses, podendo em alguns casos se estender por até dois anos. Ele costuma se repetir em intervalos de 2 a 7 anos.
Quando acontece o processo oposto, ou seja, o resfriamento anormal das águas do Pacífico Equatorial, o fenômeno recebe o nome de La Niña, trazendo efeitos climáticos opostos, como aumento de chuvas no Nordeste e tempo mais seco no Sul.