Ortopedista do Imot detalha tipos ortobiológicos utilizados em procedimentos da medicina regenerativa
Embora sejam substâncias biológicas, doutor Marcos Antonio Nali detalha as indicações de cada uma delas
28/07/2026 15h44, Atualizado há 1 hora
Ortobiológicos são usados em tratamentos da ortopedia | Divulgação

A medicina regenerativa é o tratamento do momento em diversos diagnósticos ortopédicos. A área está em rápida evolução com o uso dos ortobiológicos, que nada mais são do que substâncias biológicas que podem ser coletadas, manipuladas e utilizadas a favor da recuperação do próprio organismo do paciente.
O ortobiológico mais conhecido do público é o ácido hialurônico, amplamente utilizado no tratamento da artrose do joelho e de outras articulações. Embora o produto aplicado em consultório não venha diretamente do corpo do paciente, geralmente vem de matriz aviária ou de processos enzimáticos bioteconológicos, ele é considerado um ortobiológico por mimetizar perfeitamente a substância que já existe nas nossas articulações. Ele age como um lubrificante e amortecedor, melhorando a mobilidade e reduzindo a dor.
Recentemente, a ortopedia brasileira viveu um marco histórico: o Conselho Federal de Medicina (CFM) liberou o uso do PRP na prática clínica corrente. Antes, o uso era restrito a protocolos experimentais de pesquisa, o que nos deixava atrás de outros países onde o PRP já é usado como primeira opção de tratamento para artrose.
Para obter o PRP, é realizada uma coleta de sangue periférico comum (punção venosa). Esse sangue é centrifugado em um equipamento especial para separar e concentrar as plaquetas. O benefício da técnica está nas plaquetas, que são ricas em substâncias com potente ação anti-inflamatória e analgésica, aliviando os sintomas do processo degenerativo.
Em nossa conduta clínica no IMOT, frequentemente associamos o PRP ao ácido hialurônico. Isolados, eles já são ótimos, mas quando aplicados juntos, criam um efeito sinérgico, em que um potencializa o outro, oferecendo um resultado muito superior no tratamento do joelho.
Há também hoje o uso do BMA (Bone Marrow Aspirate) é o próximo passo em complexidade. É importante desmistificar um erro comum: as pessoas frequentemente confundem a medula espinhal (do sistema nervoso) com a medula óssea. A medula óssea é o “tutano” que fica dentro do osso, responsável por produzir o nosso sangue (sistema hematopoético).
Diferente do PRP, a coleta não é feita na veia. É preciso introduzir uma agulha específica dentro do osso para colher esse aspirado. O material também é centrifugado e pode ser associado ao ácido hialurônico. Esse tecido é riquíssimo em células mesenquimais, que funcionam como células-tronco adultas e têm a capacidade de se transformar em outras células de suporte articular. É uma excelente opção para joelho, quadril e ombro.
Se o objetivo é encontrar a maior concentração de células mesenquimais por mililitro, o tecido adiposo (a gordura do corpo) ganha de todos os outros tecidos. O procedimento realiza a retirada de uma pequena quantidade de gordura do paciente, semelhante a uma minilipoaspiração (retira-se cerca de 100 ml). Esse material passa por um processo de lavagem e microfragmentação em um sistema fechado, resultando em cerca de 20 a 40 ml de um composto altamente concentrado, que é injetado no joelho. Os resultados práticos que observamos em casos avançados são muito significativos. Por ser uma técnica um pouco mais invasiva, requer um procedimento anestésico mais estruturado em ambiente cirúrgico.
O importante é que a medicina regenerativa abre portas para tratamentos menos invasivos e com alta segurança biológica. No IMOT, embora utilizemos as técnicas avançadas de medula e gordura para casos específicos, a nossa base diária de sucesso e alta eficiência em consultório permanece sendo a associação do ácido hialurônico com o Plasma Rico em Plaquetas (PRP).
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