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7 práticas que podem contribuir para um ambiente de trabalho mais saudável

Quando se falava em doença relacionada ao trabalho, era comum pensar primeiro em problemas físicos. Por décadas, eles fizeram parte das discussões sobre saúde e segurança no trabalho. A dinâmica profissional, porém, mudou. A dificuldade de estabelecer limites entre vida pessoal e profissional, o excesso de demandas, jornadas desgastantes e conflitos colocaram a saúde mental […]

Por Edicase Conteúdo
13/08/2026 15h03, Atualizado há 1 hora

Quando se falava em doença relacionada ao trabalho, era comum pensar primeiro em problemas físicos. Por décadas, eles fizeram parte das discussões sobre saúde e segurança no trabalho. A dinâmica profissional, porém, mudou. A dificuldade de estabelecer limites entre vida pessoal e profissional, o excesso de demandas, jornadas desgastantes e conflitos colocaram a saúde mental no centro de uma discussão antes muito mais concentrada nos riscos físicos.

“Durante muito tempo, pensávamos principalmente nas consequências físicas. Hoje, precisamos ampliar esse olhar. Assim como determinadas condições podem provocar uma lesão ou uma doença no corpo, determinadas condições de trabalho também podem contribuir para o adoecimento mental”, explica a advogada trabalhista e previdenciária Priscila Arraes, autora do livro “Burnout tem Lei”.

Com a inclusão dos riscos psicossociais no Gerenciamento de Riscos Ocupacionais (GRO), a prevenção também passa a considerar fatores relacionados à organização do trabalho.

A especialista destaca 7 práticas que podem contribuir para relações profissionais mais equilibradas. Confira! 

1. Respeitar os momentos de descanso

Pausas, intervalos, férias e períodos de desconexão fazem parte de uma rotina de trabalho saudável. A dificuldade de se desligar das atividades profissionais, inclusive fora do expediente, pode indicar que os limites entre trabalho e vida pessoal precisam ser observados.

2. Estabelecer metas e expectativas de forma clara

Metas fazem parte da realidade profissional, mas a forma como são estabelecidas e cobradas pode influenciar a rotina dos trabalhadores. Objetivos pouco claros, cobranças constantes ou expectativas incompatíveis com os recursos disponíveis podem aumentar a sobrecarga.

Duas mulheres conversando no trabalho, uma tem o cabelo liso, longo e está usando blusa marrom e saia cinza e a outra está de costas com o cabelo preso e usando camisa azul
Relações profissionais baseadas em respeito contribuem para um ambiente mais equilibrado (Imagem: GaudiLab | Shutterstock)

3. Construir relações baseadas em respeito

Um ambiente saudável não significa ausência de cobrança ou conflitos. Significa que essas situações podem ser conduzidas sem humilhações, ameaças ou medo constante. A forma como erros são tratados, críticas são feitas e conquistas são reconhecidas interfere na relação das pessoas com o próprio trabalho.

4. Estabelecer limites e manter uma comunicação aberta

Informações contraditórias, mudanças sem orientação e dificuldade para esclarecer dúvidas podem gerar insegurança e aumentar a tensão no dia a dia. Também é importante que existam canais adequados para comunicar dificuldades, conflitos e situações que estejam comprometendo a rotina profissional.

5. Observar sinais de sobrecarga

Cansaço persistente, irritabilidade, dificuldade de concentração, perda de motivação e alterações no desempenho podem aparecer em situações de sobrecarga. Esses sinais não significam, isoladamente, uma doença relacionada ao trabalho, mas indicam que uma situação pode precisar de atenção antes de se agravar.

6. Levar os riscos psicossociais a sério

Saúde e segurança no trabalho não envolvem apenas riscos físicos. Excesso de demandas, falta de autonomia, jornadas inadequadas, conflitos, assédio e pressão excessiva também podem contribuir para sofrimento e adoecimento.

“Quando falamos em prevenção, não estamos falando apenas de oferecer uma palestra sobre saúde mental ou disponibilizar um aplicativo de terapia. É preciso olhar para aquilo que está acontecendo dentro da própria relação de trabalho”, afirma Priscila Arraes.

7. Valorizar pessoas sem transformar produtividade em única medida

Reconhecer resultados e esforços pode fortalecer o vínculo das pessoas com o trabalho. Mas a produtividade não deve ser o único parâmetro utilizado para avaliar um profissional. Uma relação de trabalho equilibrada precisa considerar os resultados, mas também as condições oferecidas para que eles sejam alcançados.

Um novo olhar para a saúde no trabalho

A especialista reforça que a prevenção também precisa acompanhar os novos desafios do ambiente profissional. “Assim como aprendemos que um ambiente de trabalho pode adoecer o corpo, precisamos compreender que determinadas condições também podem adoecer a mente. A prevenção precisa acompanhar essa realidade”, conclui Priscila Arraes.

A transformação da dinâmica profissional e o crescimento dos afastamentos e das discussões judiciais relacionadas à saúde mental mostram que os riscos psicossociais já fazem parte dos desafios da saúde ocupacional e precisam ser tratados com a mesma atenção que, ao longo das décadas, passamos a dedicar aos riscos físicos.

Por Ana Paula Gonçalves

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