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Quase metade dos idosos brasileiros precisa de prótese dentária; veja como a saúde bucal impacta o envelhecimento

Envelhecer não significa necessariamente perder os dentes. Ainda assim, a perda dentária continua sendo uma realidade para uma parcela significativa dos brasileiros mais velhos e pode trazer consequências que vão muito além da aparência. Problemas de saúde bucal podem dificultar a mastigação, alterar a alimentação, prejudicar a fala e até fazer com que a pessoa […]

Por Edicase Conteúdo
17/08/2026 19h02, Atualizado há 1 hora

Envelhecer não significa necessariamente perder os dentes. Ainda assim, a perda dentária continua sendo uma realidade para uma parcela significativa dos brasileiros mais velhos e pode trazer consequências que vão muito além da aparência.

Problemas de saúde bucal podem dificultar a mastigação, alterar a alimentação, prejudicar a fala e até fazer com que a pessoa deixe de sorrir ou participar de situações sociais. Por isso, manter os cuidados com a boca ao longo da vida também é uma forma de preservar autonomia e bem-estar.

Dados da Pesquisa Nacional de Saúde Bucal SB Brasil, do Ministério da Saúde, ajudam a dimensionar o cenário. Entre brasileiros de 65 a 74 anos avaliados pelo levantamento, 49,58% disseram precisar de próteses dentárias para substituir dentes perdidos. Além disso, 55,37% consideraram necessitar de tratamento odontológico.

Perda de dentes ainda é comum entre idosos

Apesar dos avanços registrados nas últimas décadas, a perda dentária permanece expressiva entre a população idosa. Segundo o SB Brasil, a proporção de pessoas de 65 a 74 anos que haviam perdido todos os dentes caiu de 53,7%, em 2010, para 36,3%, em 2023.

O número representa uma melhora importante, mas também mostra que mais de um terço dos idosos avaliados ainda apresentava perda total dos dentes. Para Marcelo Rodrigues, dentista da Oral Sin Implantes, os números reforçam a importância de não encarar a perda dentária como uma consequência natural do envelhecimento.

“Os números ajudam a mostrar que envelhecer não precisa significar conviver com limitações relacionadas à saúde bucal. O diagnóstico precoce e a manutenção de hábitos preventivos podem evitar que problemas inicialmente controláveis evoluam para situações mais complexas”, destaca.

Saúde bucal também interfere na alimentação

Quando faltam dentes ou a mastigação fica comprometida, alguns alimentos podem se tornar mais difíceis de consumir. É comum, nesses casos, que alimentos mais consistentes ou fibrosos sejam substituídos por opções mais macias.

Essa mudança pode interferir na qualidade da alimentação, especialmente quando se mantém por longos períodos. “Quando a pessoa perde dentes, ela também perde eficiência para mastigar. Como consequência, muitas vezes passa a evitar alimentos mais fibrosos ou consistentes. E aí ela substitui por opções mais macias que nem sempre são mais nutritivas. Ao longo do tempo, isso pode afetar o estado nutricional e a saúde geral”, afirma Marcelo Rodrigues.

A boca também participa de funções essenciais, como a fala e o início do processo de digestão. Por isso, alterações na saúde bucal podem repercutir em diferentes aspectos da rotina. “A boca é a porta de entrada do organismo. Ela participa de funções essenciais, como mastigar, falar e iniciar o processo de digestão dos alimentos. Então, a saúde da boca está diretamente ligada à saúde do restante do corpo”, explica.

Vergonha de sorrir pode afetar a vida social

O impacto da perda dentária não é apenas físico. A aparência dos dentes também pode influenciar a autoestima e a maneira como a pessoa se relaciona. De acordo com o SB Brasil, mais da metade dos idosos avaliados relatou algum impacto das condições bucais nas atividades do dia a dia. Entre as situações mencionadas, estão dificuldade para comer e vergonha de sorrir ou falar. Em alguns casos, a insegurança pode levar à redução da participação em encontros, conversas e outras atividades sociais.

Mulher com cabelo curto, usando camisa azul e com mão na boca em avaliação com dentista
O acompanhamento profissional é parte dos cuidados necessários para manter a saúde da boca (Imagem: Di Studio | Shutterstock)

Envelhecimento da população aumenta atenção ao tema

A discussão sobre saúde bucal ganha ainda mais importância diante do envelhecimento da população brasileira. Segundo projeções do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), a parcela de brasileiros com 60 anos ou mais passou de 8,7% em 2000 para 15,6% em 2023. A estimativa é que esse grupo represente 37,8% da população em 2070. Com mais pessoas chegando à terceira idade, a prevenção e o acompanhamento odontológico passam a ter papel cada vez mais importante na manutenção da qualidade de vida. 

Nem sempre um problema bucal provoca dor logo no início. Por isso, esperar o aparecimento de sintomas para procurar um dentista pode atrasar o diagnóstico. Sangramento durante a escovação, mau hálito persistente, sensibilidade excessiva e dentes moles estão entre os sinais que merecem avaliação profissional. Também é importante observar inchaços, feridas que não cicatrizam, manchas vermelhas ou esbranquiçadas e sangramentos sem causa conhecida.

“Muitas doenças bucais são silenciosas no começo. Então, quanto mais cedo isso for percebido, mais simples é o tratamento e melhor é o resultado”, alerta Marcelo Rodrigues.

Hábitos simples ajudam a preservar a saúde bucal 

A prevenção começa com hábitos simples, mas que precisam fazer parte da rotina. Entre os principais cuidados, estão:

  • Manter uma higiene bucal adequada;
  • Usar fio dental diariamente;
  • Reduzir o consumo excessivo de açúcar;
  • Manter uma alimentação equilibrada;
  • Evitar o tabagismo;
  • Realizar consultas periódicas com o cirurgião-dentista;
  • Cuidar da higienização de dentes, implantes e próteses.

Para quem já perdeu dentes, a reabilitação oral também pode ser uma alternativa para recuperar funções comprometidas.

Implantes podem ajudar na reabilitação oral

Os implantes dentários estão entre as opções utilizadas para substituir dentes perdidos. A indicação, porém, depende de uma avaliação individual, considerando as condições clínicas, a estrutura disponível e as necessidades de cada paciente.

Além de preencher os espaços deixados pela perda dentária, a reabilitação pode contribuir para recuperar a mastigação, a fala e a segurança para sorrir. “O objetivo é devolver ao paciente a capacidade de realizar essas funções que fazem parte da rotina. Quando há perda de dentes, os implantes dentários representam uma das soluções mais modernas”, explica Marcelo Rodrigues.

Cada caso deve ser avaliado individualmente para que o tratamento seja definido de acordo com as necessidades do paciente. “Cada tratamento é planejado de forma individual. O mais importante é entender que a reabilitação oral não devolve só os dentes: ela devolve conforto, segurança e autonomia”, conclui o dentista.

Por Karla Mirela Brook

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