Seu pet sofre quando fica sozinho? Veterinária explica sinais e como lidar com o problema
Sinais podem incluir latidos e miados em excesso, destruição de objetos e alteração no apetite do animal
26/08/2026 18h09, Atualizado há 0 horas
Foto: Reprodução/Freepik
A rotina de deixar o pet sozinho em casa pode ser um desafio para alguns tutores. O período sem companhia pode ser acompanhado por comportamentos como destruição de objetos e alterações no apetite. Segundo Thays Rossignoli, médica-veterinária e professora do Centro Universitário Braz Cubas, muitas vezes esses comportamentos podem ser os primeiros sinais de que o pet esteja sofrendo de problemas relacionados à separação (PRS).
De acordo com a especialista, o termo ansiedade de separação em pets não engloba o que acontece com alguns animais, por isso a nomenclatura PRS. Thays explica que a reação do cão ou gato à ausência do tutor pode envolver mecanismos emocionais distintos como frustração e medo, não só a ansiedade.
“Na prática, definimos o quadro como sofrimento comportamental e fisiológico que acontece só quando o tutor está ausente, seja de forma real ou percebida pelo animal. Fisiologicamente, esse sofrimento envolve a ativação do eixo do estresse, com liberação de cortisol, o principal hormônio relacionado a situações de ameaça ou desconforto. É por isso que falamos em sofrimento fisiológico, e não só comportamental: o corpo do animal reage de forma mensurável, mesmo quando o comportamento visível é discreto”, afirma a veterinária.
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A profissional afirma ainda que o comportamento varia entre cachorros e gatos, sendo que os felinos costumam demonstrar menos, com reações mais discretas. Entre os sinais estão: latidos ou miados em excesso, destruição de móveis ou objetos e urina ou fezes fora do lugar habitual. Outros sinais incluem saliva em excesso, tremedeira, tentativas de fuga e mudanças de apetite.
“Em casos mais graves, tanto em cães quanto em gatos, pode aparecer o comportamento de se lamber demais até causar ferida, uma forma de automutilação ligada ao estresse”, alerta Thays.
Para alguns tutores, lidar com problemas relacionados à separação já faz parte da rotina. A estagiária Fernanda Amorim, de 27 anos, relata vivenciar esse problema com a cadela Hannah Montana, de 5 anos. Segundo a moradora de São Paulo, o animal costuma latir muito e “chorar” quando está sozinho. “Quando eu volto, ela fica desesperada, a ponto de chegar a fazer xixi de tanta felicidade”, conta.
Fernanda relata que ainda não procurou a ajuda de um veterinário ou adestrador, mas pretende buscar orientação profissional futuramente para lidar com o problema.


Como identificar se o pet sofre com PRS?
Para diferenciar se o animal sofre com problemas relacionados à separação, é necessário verificar se os sinais aparecem somente na ausência do tutor. Caso os comportamentos ocorram em outras situações, eles podem indicar outros problemas, conforme orienta a Veterinária.
Segundo Thays, uma reação leve como seguir até a porta ou ficar quieto por alguns minutos é normal, o que caracteriza o problema é a intensidade dele e a repetição, além do prejuízo real que causa ao animal.
No entanto, é necessário permanecer alerta. “O sofrimento pode existir mesmo sem sinais visíveis o bastante para o tutor perceber, então muitos casos leves acabam não sendo notados ou tratados. O tutor geralmente só procura ajuda quando o quadro já está mais avançado, com destruição visível em casa ou reclamação de vizinho por causa do latido ou miado”, afirma a profissional.
A professora explica que esse tipo de comportamento costuma aparecer devido à mudanças de rotina, como alteração nos horários em que o tutor sai de casa, mudanças de residências e a perda de uma figura de apego, seja ela uma pessoa ou animal que esteja presente de forma constante. Um exemplo citado pela veterinária foi a pandemia de COVID-19, em que muitos pets se acostumaram com a rotina constante do tutor e não souberam lidar com o retorno do trabalho presencial.
Como lidar?
A recomendação principal da veterinária é não punir o animal ao identificar os sinais. Ela explica que punir o pet pode elevar ainda mais os níveis de cortisol – hormônio do estresse – além de piorar o quadro e poder criar uma associação negativa ao retorno do tutor.
Outra orientação é gravar o pet enquanto ele estiver sozinho, principalmente nos primeiros 20 minutos, que é quando os sinais costumam aparecer. Além disso, evitar despedidas ao sair, aumentar a previsibilidade da rotina quando possível e oferecer brinquedos podem ajudar o animal a lidar com a ausência.
Thays recomenda procurar ajuda veterinária sempre que os sinais forem recorrentes, intensos ou estiverem causando prejuízo real para o animal ou para a família. “Também vale procurar ajuda sempre que houver dúvida sobre o diagnóstico, já que várias condições médicas imitam esse quadro e só um exame clínico completo consegue diferenciar com segurança”, finaliza.