Fenômeno de Uhthoff: o calor pode piorar os sintomas da esclerose múltipla?
Para algumas pessoas, um dia muito quente, um banho demorado com água quente ou até mesmo a prática de atividade física podem provocar uma sensação inesperada: sintomas da esclerose múltipla parecem ficar mais intensos. Essa relação entre aumento da temperatura corporal e piora temporária de sintomas é conhecida como fenômeno de Uhthoff. O nome pode […]
27/08/2026 19h02, Atualizado há 1 hora
Para algumas pessoas, um dia muito quente, um banho demorado com água quente ou até mesmo a prática de atividade física podem provocar uma sensação inesperada: sintomas da esclerose múltipla parecem ficar mais intensos. Essa relação entre aumento da temperatura corporal e piora temporária de sintomas é conhecida como fenômeno de Uhthoff.
O nome pode parecer pouco familiar, mas o fenômeno é uma manifestação conhecida da esclerose múltipla e pode interferir significativamente na rotina de quem convive com a doença, conforme explica o neurologista Dr. Mário Braga, professor do curso de Medicina da Faculdade Pitágoras.
“A elevação da temperatura corporal pode provocar uma piora transitória de sintomas neurológicos em algumas pessoas com esclerose múltipla. Isso pode acontecer, por exemplo, durante a exposição ao calor, após atividade física ou durante um banho quente”, explica.
Por que o calor interfere nos sintomas?
A esclerose múltipla é uma doença neurológica que afeta o sistema nervoso central. Em termos simplificados, o aumento da temperatura corporal pode interferir temporariamente na condução dos impulsos nervosos em regiões que já foram afetadas pela doença.
“Em uma região do sistema nervoso que sofreu desmielinização, pequenos aumentos da temperatura podem dificultar temporariamente a transmissão dos sinais nervosos. Por isso, uma pessoa pode perceber mais fraqueza, fadiga, alterações visuais, desequilíbrio ou outros sintomas que já fazem parte de sua condição”, explica o Dr. Mário Braga.
O neurologista salienta que o fenômeno não significa necessariamente que a doença tenha piorado ou que uma nova lesão tenha surgido. A característica mais importante é justamente a transitoriedade. Quando a temperatura corporal retorna ao normal, os sintomas tendem a diminuir e voltar ao padrão habitual.

Como diferenciar uma piora temporária de uma crise?
Essa é uma das principais dúvidas de quem convive com a esclerose múltipla. “Nem toda piora de um sintoma significa uma nova crise. A relação temporal com o calor é uma pista importante, mas qualquer alteração nova, persistente ou diferente do padrão habitual deve ser discutida com o neurologista”, alerta o Dr. Mário Braga. A recomendação é não fazer uma autodiagnose. Sintomas neurológicos novos ou que persistem precisam ser avaliados individualmente.
Entre as iniciativas que podem ajudar pacientes que apresentam maior sensibilidade ao calor, o médico indica:
- Hidratação adequada;
- Evitar exposição prolongada ao sol e água quente no banho;
- Planejamento para uma rotina de atividade física;
- Estar sempre informado e em contato com a equipe médica para esclarecimento de dúvida e suporte no tratamento adequado para cada caso.
“A pessoa pode perceber que está andando pior, que a visão ficou mais embaçada ou que a fadiga aumentou em um dia muito quente e interpretar isso como uma piora definitiva. Na realidade, quando se trata do fenômeno de Uhthoff, essas alterações tendem a ser temporárias e relacionadas ao aumento da temperatura corporal”, reforça o neurologista.
Conhecer o próprio corpo e entender os sinais da doença pode, portanto, ajudar o paciente a lidar melhor com situações do cotidiano.
Por Camila Souza Crepaldi