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Ditadura na Nicarágua expõe divergência na esquerda brasileira

Em um assunto espinhoso para a esquerda, o PSOL acusou, em nota, o regime de Daniel Ortega, na Nicarágua, de perseguir dissidentes políticos. O posicionamento diferencia o partido do PT em relação a esse assunto. Em novembro do ano passado, o ex-presidente Lula minimizou a ditadura naquele país, e o PT celebrou, em seu site, […]

Por O Diário
22/02/2022 10h39, Atualizado há 52 meses

Em um assunto espinhoso para a esquerda, o PSOL acusou, em nota, o regime de Daniel Ortega, na Nicarágua, de perseguir dissidentes políticos. O posicionamento diferencia o partido do PT em relação a esse assunto. Em novembro do ano passado, o ex-presidente Lula minimizou a ditadura naquele país, e o PT celebrou, em seu site, a reeleição de Ortega, rejeitada pelos governos das principais democracias ocidentais. Após a repercussão negativa, a presidente do partido, Gleisi Hoffman, afirmou que o texto não tinha sido submetido à direção da sigla, mas não criticou seu teor.

A nota do PSOL foi motivada pela condenação da ativista Dora Maria Téllez, figura histórica da Revolução Sandinista, que levou Ortega ao poder, e hoje faz oposição a seu regime. No texto intitulado “PSOL contra perseguição a militantes na Nicarágua”, o partido expressou “preocupação” com a condenação de Dora e de outros militantes históricos e jovens ativistas nicaraguenses.

“Dora Téllez foi uma das principais mulheres na liderança da Revolução Sandinista e teve papel importante na tomada do Palácio Nacional de Manágua, em 1978, sendo ainda ministra do governo Ortega. Hoje, ela responde a um processo jurídico arbitrário motivado pela perseguição política do governo Ortega”, diz a nota publicada no site do PSOL no último dia 12.

Em novembro do ano passado, o PT divulgou uma nota em sua página classificando as eleições na Nicarágua como “uma grande manifestação popular e democrática”. O pleito que deu vitória a Ortega, segundo os números oficiais com 75% dos votos, foi realizado após uma série de prisões de opositores, incluindo dissidentes sandinistas e sete possíveis adversários na disputa, dentre eles sua principal oponente, Cristiana Chamorro.

No dia seguinte, a presidente do PT, Gleisi Hoffman, afirmou que a nota assinada por Romênio Pereira, secretário de Relações Internacionais da sigla, não foi submetida à direção partidária e, portanto, não tinha validade.

Sem condenar o conteúdo da nota anterior, Gleisi disse que a “posição do PT em relação a qualquer país é a defesa da autodeterminação dos povos, contra interferência externa e respeito à democracia, por parte de governo e oposição”, escreveu a presidente do PT, no Twitter, ressaltando que a prioridade do partido era debater o Brasil.

Após o episódio, o ex-presidente Lula relativizou o regime de Ortega em entrevista ao “El País”. Ele chegou a comparar a longa permanência do nicaraguense no poder com o tempo de governo da ex-chanceler alemã Angela Merkel, eleita pelo sistema democrático.

Na ocasião, as declarações do petista foram criticadas por Ciro Gomes (PDT), que chamou Ortega de “grande ditador” e disse que a postura de Lula mostraria que ele “é a favor de um esquerdismo corrupto para compensar seu conservadorismo aqui dentro”.

Porém, o próprio PDT chegou a divulgar um texto na página oficial do partido saindo em defesa de Ortega. “Nicarágua votou pelo desenvolvimento com inclusão e contra o neoliberalismo”, dizia a nota, que posteriormente foi removida do site da sigla.

O PSB, que negocia a criação de uma federação com o PT, não se manifestou sobre o assunto. Já o PCdoB, que também negocia uma federação com os petistas, saudou a reeleição de Ortega em novembro do ano passado. “As eleições se deram em um contexto de resistência às tentativas de desestabilização do país, que ocorrem desde 2018, com comprovada ingerência externa, especialmente dos Estados Unidos e da instrumentalizada OEA”, diz um trecho da nota que segue no ar.

O Globo questionou PT, PSB, PCdoB e PDT sobre a atual posição dos partidos sobre o regime de Ortega, mas não teve retorno.

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