Em primeiro discurso, Lula prega ‘reconstrução’ do país, combate à fome e preservação ambiental
Em seu primeiro discurso do terceiro mandato como presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva (PT) pregou neste domingo uma reconstrução do País e da democracia. Lula repetiu o discurso de posse de 2003, quando assumiu pela primeira vez o cargo, ao enfatizar que seu governo terá como compromisso o combate à fome, tema […]
01/01/2023 16h29, Atualizado há 40 meses
Em seu primeiro discurso do terceiro mandato como presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva (PT) pregou neste domingo uma reconstrução do País e da democracia. Lula repetiu o discurso de posse de 2003, quando assumiu pela primeira vez o cargo, ao enfatizar que seu governo terá como compromisso o combate à fome, tema que apontou como “sintoma da devastação no País nos anos recentes”.
— Ao retornar a este plenário da Câmara dos Deputados, onde participei da Assembleia Constituinte de 1988, recordo com emoção os embates que travamos aqui democraticamente para inscrever na Constituição o maior conjunto de direitos sociais, individuais e coletivos em benefício da população e da soberania nacional. Vinte anos atrás, iniciei o discurso de posse com a palavra mudança. Disse naquela ocasião que a missão de minha vida estaria cumprida quando cada braseiro pudesse fazer três refeições por dia. Ter que repetir este compromisso hoje diante do avanço da miséria e da fome que havíamos superado é o mais grave sintoma da devastação no País nos anos recentes. Hoje, a mensagem ao País é de esperança e reconstrução — relembrou Lula.
O petista também usou sua fala no plenário da Câmara para pregar “democracia para sempre” e indicou que seu mandato não terá “nenhum ânimo de revanche”, mas que “quem errou responderá por seus erros”.
— Não temos nenhum ânimo de revanche, mas vamos garantir o primado da lei. Quem errou responderá por seus erros, com direito à ampla defesa dentro do devido processo legal. Ao ódio responderemos com amor, à mentira com verdade, ao terror e violência com as leis e suas mais duras consequências. Antes dizíamos “ditadura nunca mais”. Depois do terrível desafio que superamos, devemos dizer: “Democracia para sempre”. Para confirmar essas palavras, teremos de reconstruir em vases sólidas a democracia em nosso País — afirmou o petista.
Com críticas à gestão de Jair Bolsonaro (PL), Lula citou ainda um diagnóstico “estarrecedor” da equipe de transição de governo, ao se referir ao legado deixado pelo seu antecessor.
— O diagnóstico que recebemos do governo de transição é estarrecedor. Esvaziaram os recursos da saúde, desmontaram educação, cultura, ciência e tecnologia. Destruíram a proteção ao meio ambiente. Não deixaram recurso para merenda, vacinação. Desorganizaram a governança da economia, dos financiamentos públicos, do apoio às empresas e aos empreendedores. Dilapidaram estatais e bancos públicos.
Como resposta, o presidente anunciou medidas para reorganizar estrutura do Poder Executivo, retomada de obras paralisadas política de valorização permanente do salário mínimo, financiamento e cooperação internacional e nacional e a atuação dos bancos públicos como indutores de crescimento e inovação. O petista pontou ainda a necessidade de revogar medidas em diversas áreas, como a facilitação do acesso às armas, e prometeu revogar o teto de gastos, ao ao falar da importância do Sistema Único de Saúde (SUS) na pandemia e da necessidade de recursos para a saúde. Lula também enfatizou o peso da agenda ambiental no seu governo e relembrou o compromisso de campanha de alcançar o desmatamento zero na Amazônia.
— Caberá ao Estado articular a transição digital e trazer a indústria brasileira para o século 21. Fortaleça a ciência e tecnologia e garanta acesso com recursos adequados. O futuro permitirá quem investir na indústria do conhecimento. Nenhum outro País tem as condições do Brasil para se tornar uma nova potência ambiental. Vamos iniciar a transição energética e ecológica para um agropecuário e uma mineração sustentáveis, uma agricultura familiar mais forte
Outra tônica do discurso de Lula foi a diversidade. O presidente lembrou a criação do Ministério dos Povos Indígenas e apontou “dívida histórica” do País com a população indígena.
— Uma nação não se mede apenas pelas estatísticas. Se expressa pela alma de seu povo. A alma do Brasil reside na diversidade inigualável de nossa gente e das manifestações culturais — pontuou.