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Colesterol alto mesmo com alimentação saudável? Entenda por que isso acontece

Manter uma alimentação equilibrada, evitar frituras, consumir frutas e verduras e praticar atividades físicas são hábitos importantes para a saúde cardiovascular. Ainda assim, algumas pessoas se surpreendem ao receber exames que apontam colesterol elevado, mesmo seguindo uma rotina considerada saudável. Isso acontece porque os níveis de colesterol no sangue não dependem exclusivamente da alimentação. Fatores […]

Por Edicase Conteúdo
21/10/2026 14h02, Atualizado há 2 horas

Manter uma alimentação equilibrada, evitar frituras, consumir frutas e verduras e praticar atividades físicas são hábitos importantes para a saúde cardiovascular. Ainda assim, algumas pessoas se surpreendem ao receber exames que apontam colesterol elevado, mesmo seguindo uma rotina considerada saudável.

Isso acontece porque os níveis de colesterol no sangue não dependem exclusivamente da alimentação. Fatores genéticos, alterações hormonais, condições metabólicas e até determinados medicamentos podem influenciar os resultados.

Segundo o cardiologista Dr. Raphael Boesche Guimarães, a ideia de que o colesterol alto está sempre relacionado a uma alimentação inadequada é um dos principais equívocos sobre o assunto. “O colesterol é uma substância essencial para o funcionamento do organismo, utilizada na produção de hormônios e na formação das membranas celulares. Grande parte dele é produzida pelo próprio corpo, principalmente pelo fígado. Por isso, mesmo quem mantém uma alimentação saudável pode apresentar níveis elevados”, explica.

Abaixo, veja alguns fatores que podem interferir nos níveis de colesterol no organismo.

1. A genética pode influenciar o colesterol

Algumas pessoas apresentam predisposição genética para produzir ou manter níveis elevados de colesterol no sangue, independentemente dos hábitos alimentares. Uma das condições mais conhecidas é a hipercolesterolemia familiar, alteração hereditária que compromete a capacidade do organismo de remover o colesterol LDL, conhecido como colesterol ruim, da circulação.

“Existem pessoas que seguem uma alimentação equilibrada, praticam exercícios e, ainda assim, apresentam colesterol elevado desde jovens. Nesses casos, precisamos considerar a influência genética, especialmente quando há histórico familiar de colesterol alto ou doenças cardiovasculares precoces”, destaca o cardiologista.

2. Alterações na tireoide também podem elevar os níveis

O funcionamento da tireoide interfere diretamente no metabolismo das gorduras. Quando a glândula produz menos hormônios do que o necessário, condição conhecida como hipotireoidismo, o organismo pode apresentar maior dificuldade para eliminar o colesterol LDL do sangue. Em alguns casos, o colesterol elevado é identificado antes mesmo de outros sintomas da alteração hormonal.

“Quando encontramos níveis elevados de colesterol, especialmente sem uma causa aparente, é importante avaliar se existem condições associadas, como alterações da tireoide. Tratar a doença de base pode contribuir para melhorar o perfil lipídico”, orienta o Dr. Raphael Boesche Guimarães.

Um relógio despertador rosa pequeno posicionado ao lado de um disco de madeira que exibe o símbolo do gênero feminino estampado em rosa, ambos sobre uma superfície de madeira diante de uma parede cinza.
A transição para a menopausa pode provocar mudanças no perfil lipídico, mesmo sem grandes alterações nos hábitos cotidianos (Imagem: Faizal Ramli | Shutterstock)

3. Menopausa pode provocar mudanças no colesterol

As alterações hormonais que acontecem durante a transição para a menopausa também podem interferir nos níveis de colesterol. A redução do estrogênio está associada a mudanças no metabolismo das gorduras, podendo favorecer o aumento do colesterol LDL e alterações na distribuição da gordura corporal.

Isso significa que mulheres que mantêm os mesmos hábitos alimentares e a mesma rotina de exercícios podem perceber mudanças nos exames ao longo dessa fase. “A menopausa representa um período importante de atenção à saúde cardiovascular feminina. Mesmo sem grandes mudanças no estilo de vida, podem ocorrer alterações no colesterol e em outros fatores de risco, o que reforça a importância do acompanhamento médico”, afirma o especialista.

4. Resistência à insulina e diabetes interferem no metabolismo

Condições metabólicas, como resistência à insulina e diabetes tipo 2, também podem alterar o perfil de gordura no sangue. Nesses casos, é comum observar aumento dos triglicerídeos, redução do colesterol HDL, conhecido como colesterol bom, e mudanças nas características das partículas de LDL.

“Não basta avaliar apenas a alimentação. O metabolismo influencia diretamente a forma como o organismo produz, transporta e elimina as gorduras. Por isso, o colesterol precisa ser analisado em conjunto com outros indicadores de saúde”, explica o cardiologista.

5. Alguns medicamentos podem interferir nos resultados

Determinados medicamentos também podem contribuir para alterações no colesterol e nos triglicerídeos. Entre eles, estão alguns corticoides, imunossupressores, retinoides e medicamentos utilizados em tratamentos específicos.

Isso não significa que esses remédios devam ser interrompidos, mas que seus possíveis efeitos metabólicos precisam ser considerados durante o acompanhamento. “Quando o colesterol aumenta sem uma explicação evidente, também avaliamos os medicamentos utilizados pelo paciente. Essa análise ajuda a identificar possíveis fatores associados e definir a melhor conduta, sem comprometer outros tratamentos”, ressalta.

Alimentação saudável é suficiente para controlar o colesterol?

Embora a alimentação tenha papel fundamental na prevenção cardiovascular, ela nem sempre é suficiente para manter o colesterol dentro das metas recomendadas. A resposta depende da predisposição genética, das condições de saúde e, principalmente, do risco cardiovascular individual.

Além disso, nem toda alimentação considerada saudável tem necessariamente o mesmo efeito sobre o colesterol. A quantidade de gorduras saturadas, o consumo de fibras e a composição geral da dieta também fazem diferença.

“Adotar hábitos saudáveis continua sendo indispensável, mas algumas pessoas precisam de tratamento medicamentoso para reduzir adequadamente o colesterol. Isso não representa uma falha na alimentação ou na prática de exercícios, e sim uma necessidade individual de controle do risco cardiovascular”, esclarece o Dr. Raphael Boesche Guimarães.

Foto e uma profissional de saúde sorridente consultando o peito de um homem idoso com um estetoscópio durante uma consulta
O acompanhamento médico permite avaliar os níveis de colesterol e identificar fatores que podem aumentar o risco cardiovascular (Imagem: fizkes | Shutterstock)

Quando o colesterol alto exige tratamento?

O colesterol elevado geralmente não provoca sintomas, o que torna os exames de sangue importantes para sua identificação. A necessidade de tratamento, por sua vez, não depende apenas de um resultado isolado. O médico considera fatores como idade, pressão arterial, diabetes, tabagismo, histórico familiar e presença de doenças cardiovasculares.

Pessoas com risco cardiovascular elevado podem precisar de metas de colesterol LDL mais rigorosas, enquanto outras podem ser inicialmente orientadas a intensificar mudanças no estilo de vida. “O objetivo não é simplesmente melhorar um número no exame, mas reduzir o risco de infarto, acidente vascular cerebral (AVC) e outras complicações cardiovasculares. Por isso, a avaliação precisa ser individualizada. Mesmo quem se alimenta bem e pratica exercícios deve acompanhar seus níveis de colesterol”, conclui o Dr. Raphael Boesche Guimarães.

Por Daiane Bombarda

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