A fila cresce: espera por consulta chega a mais de três meses em Mogi
Serviço público de primeira grandeza, a Saúde de Mogi das Cruzes fecha o ano com realidades como a espera de 103 dias – pouco mais de três meses, por uma consulta para clínica médica na rede de postos e incógnitas envolvendo o futuro da rede de urgência: em maio de 2024 vence o contrato entre […]
02/01/2024 17h15, Atualizado há 27 meses
Serviço público de primeira grandeza, a Saúde de Mogi das Cruzes fecha o ano com realidades como a espera de 103 dias – pouco mais de três meses, por uma consulta para clínica médica na rede de postos e incógnitas envolvendo o futuro da rede de urgência: em maio de 2024 vence o contrato entre a Prefeitura e a Santa Casa de Mogi das Cruzes para a operação do PS municipal mantido no hospital centenário. Outra pendência: abrir o prédio já construído para operar uma maternidade pública e municipal.
Há notícias contadas pela secretária-adjunta de Saúde, Rosângela Cunha, conhecida como ‘doutora Nenê’ que sinalizam ajustes para reduzir, em breve, a espera pela consulta básica. Mogi espera a resposta ao pedido feito ao governo federal para a liberação de mais 50 profissionais do programa Mais Médicos. Porém, persistem pendências outras como acelerar as consultas com especialidades: pacientes com doenças vasculares, atualmente estão sendo tratados em outras cidades, como Itaquera, por falta de médicos nesta área.
Muito embora questões específicas (veja na próxima página) tenham ocupado o noticiário em 2023, um ano marcado pelo enfraquecimento da demanda criada pela Covid-19, mas o surgimento de doenças outras, o setor segue deficitário para reduzir a fila por cirurgia não eletiva e a espera por leito hospitalar.
O famoso conceito, o de enxugar gelo, vale para a saúde, segmento que se debate com índices preocupantes de mortalidade de infantil (não apenas em Mogi, mas em toda a região), e a demora por leito para internação. Problema, aliás, que está na gênese da crise do PS da Santa Casa e até de UPAs, em determinados momentos (que superlotam de uma hora para outra porque pacientes após receberem o primeiro pronto ou emergencial atendimento não têm rápido acesso a uma vaga hospitalar).
Rosângela Cunha afirma que a saúde notou avanço com a liberação dos leitos que estavam sendo ocupados há meses por pacientes à espera de vagas em clínicas locais de hemodiálise. Porém, ela afirma que acertos reivindicados pela gestão municipal, como a ampliação de vagas de clínica cirúrgica e médica, é que vão equalizar a distorção entre demanda e a capacidade regional de tratar as pessoas.
No balanço do ano está cuidar a sequelas da Covid. A doença elevou casos de patologias cardíacas, vasculares e outras. Além disso, a alta do custo dos planos de saúde fez parte da população. Esse quadro, adverte a médica, fez crescer a procura por consultas nos postos.
Antes da pandemia, relativiza, a central do Sistema Integrado de Saúde (SIS) registrava procura menor, algo que cresceu nos últimos meses.
Ela espera mudanças positivas nesse quadro caso o governo federal, dentro do programa Previne Brasil, atenda ao pedido da Secretaria Municipal de Saúde para ampliar a cota do programa Mais Médicos. Mogi pediu 50 médicos após receber 2 profissionais neste ano.
A espera do mogiano até chegar à frente do médico na consulta básica é maior em unidades de regiões como Jundiapeba, mesmo com a oferta de estratégias como a abertura de postos de saúde aos sábados e mutirões, como o dedicado à Saúde do Homem.
A mecânica da resolutividade da saúde ainda depende dos recursos físicos e humanos, da Prefeitura, mas também do paciente. O setor procura meios de reduzir a conhecida falta às consultas, exames e demais procedimentos. O absenteísmo, segundo a Secretaria, está em cerca de 20%, de uma maneira geral. Mas alcançou, no último mutirão específico dedicado aos homens, a 50%.
A pasta afirma investir na conscientização e comunicação, por meio de mensagens por celular enviadas aos pacientes. Mesmo assim, as faltas acontecem e azedam a engrenagem (distribuição da agenda dos médicos e horários disponíveis) porque o SIS não consegue, ainda, alterar a consulta, num mesmo dia, quando o paciente falta ao compromisso.
Perspectiva
Uma aposta da secretária é a parceria com o Estado para a abertura do prédio construído para ser a segunda maternidade da cidade, ao lado do Hospital de Braz Cubas. Ela cita a promessa do secretário estadual de Saúde, Eleuses Paiva, de ajuda para trazer para o local os cerca de 450 partos/mês realizados pela Santa Casa – que, por sua vez, poderá aplicar seus esforços em cirurgias ortopédicas e outras especialidades. Isso poderá dar um salto na qualidade da assistência na cidade.
Porém, isso, ainda está no papel, assim como a concretização da regionalização da Saúde, algo ouvido de interlocutores do Estado no passado, e concretização em etapas tímidas.
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Grupo luta e consegue vagas
Destaque positivo no noticiário da Saúde em 2023 foi o atendimento ao pedido de ajuda feito por um grupo de pacientes renais internados há durante meses no Hospital das Clínicas Luzia de Pinho Melo, no Mogilar, enquanto esperavam uma vaga para ser atendido nas clínicas municipais que oferecem sessões de hemodiálise (lembre aqui).
Durante três, quatro meses, os doentes permaneciam nos leitos do Luzia porque dependiam da hemodiálise. Um vídeo publicado pelos pacientes ganhou as redes sociais e chamou atenção para a demanda.
A reivindicação surtiu efeito: mais de 40 pacientes conseguiram as vagas nas clínicas, desocupando leitos para outras pessoas.
Para a secretária-adjunta de Saúde, Rosângela Cunha, essa situação estava no radar da pasta. Segundo ela, a distribuição dos recursos estaduais, por meio da regionalização anunciada pela Secretaria Estadual de Saúde – que está com novos dirigentes desde que Tarcísio de Freitas assumiu o Estado, e a inauguração do Hospital Regional, em Suzano, poderá aliviar a pressão por leitos hospitalares em 2024. (E.J.)
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Pronto-atendimeto é ampliado
Em um prédio maior do que o anterior, quando o serviço ainda era chamado de Pró-Criança, o Vagalume ampliou a capacidade de atendimento a crianças da cidade e municípios do Alto Tietê. A unidade já chegou a realizar 400 consultas/procedimentos por dia desde que foi inaugurada em março deste ano, com funcionamento 24 horas/dia.
O Hospital Municipal de Braz Cubas também é referência para o pronto-atendimento infantil.
As três UPAS – Rodeio, Oropó e Jundiapeba, a capacidade de recebimento de pacientes por mês é de 350 mil pessoas (150 mil na primeira, e 100 mil nas duas outras). Um outro serviço de peso é ofertado pela UBC do Jardim Universo, que pode atender cerca de 9 mil pessoas/dia.
Esse segmento, o do pronto-atendimento – que muda o conceito do pronto-socorro, é um dos setores que atende a demanda, segundo a secretária-adjunta de Saúde, Rosângela Cunha. Essa rede, mais o PS da Santa Casa, localizado na região central e que se torna referência para o morador que vive nos bairros centrais, mudou o setor que, anteriormente, contava apenas com dois PS (o do Luzia e o da Santa Casa). (E.J.)
O papel do Hospital Municipal
Com uma média de ocupação de 78,48% dos leitos (dado de novembro), o Hospital Municipal de Braz Cubas recuperou a força de atendimento após permanecer como referência para o tratamento da Covid-19.
Atualmente, a unidade opera em capacidade plena, segundo a médica Rosângela Cunha, secretária-adjunta de Saúde. Como o hospital possui quartos com leitos, segundo ela, a capacidade da unidade não atinge os 100% por uma questão de gerenciamento. “Um paciente com uma determinada bactéria, mais resistente, precisa ficar isolado. O Municipal dificilmente, por essa questão de controle da infecção hospitalar, terá a ocupação máxima”.
Atualmente, a unidade realiza cirurgias eletivas (retirada de vesícula, vasectomia, laqueadura, hérnia e outras), além de manter as enfermarias nas áreas de clínica médica, cirurgia e pediatria.
Após se dedicar apenas à Covid, o hospital voltou a exercer o seu papel de atendimento secundário e, com uma nova equipe médica, segundo afirma, tem garantido “resultados importantes e elogiados pelos pacientes”. (E.J.)
A grande aposta: maternidade
Um hospital novinho está à espera de recursos financeiros e equipamentos para atender uma premissa lançada pelo secretário estadual de Saúde, Eleuses Paiva, em uma das primeiras reuniões sobre a regionalização do setor, um processo que está em curso. A história é lembrada pela secretária Rosângela Cunha: “Ele disse que a meta do Estado é ocupar os lugares vazios, e não ampliar o número de construções”.
A Saúde de Mogi centra expectativas para o cumprimento da promessa de ajuda para abrir a Maternidade Municipal, que irá passar a fazer os partos realizados pela Santa Casa. Com isso, o hospital filantrópico muda seu foco para potencializar outras clínicas, como a ortopédica. Tudo isso, no entanto, ainda está no papel. A Maternidade poderá realizar 500 partos por mês e atender cidades da região. Ela tem capacidade para chegar a 6 mil partos/ano.
Outra expectativa é manter o convênio com o PS da Santa Casa, cujo contrato vence em maio. A Secretaria não tem condições, hoje, de abrir um PS próprio, caso não se chegue a um acordo entre as partes. (E.J.)