‘Acordei às 2h tremendo e não dormi mais, de tanto frio’, diz sem-teto de Mogi
Oito meses em situação de rua, Anderson Prestes Farias, de 43 anos, disse que a madrugada mais difícil de todas para ele foi a desta quinta-feira (29). Às 2h, ele já dormia próximo ao prédio II da Prefeitura de Mogi das Cruzes, na rua Francisco Franco, quando foi acordado pelo frio da madrugada e não […]
29/07/2021 09h10, Atualizado há 61 meses
Oito meses em situação de rua, Anderson Prestes Farias, de 43 anos, disse que a madrugada mais difícil de todas para ele foi a desta quinta-feira (29). Às 2h, ele já dormia próximo ao prédio II da Prefeitura de Mogi das Cruzes, na rua Francisco Franco, quando foi acordado pelo frio da madrugada e não dormiu mais.
Às 6h30, Anderson conversou com a reportagem de O Diário na praça Sacadura Cabral, no Centro. Ainda tremendo, ele tomava um café e tentava se esquentar no blusão que ganhou de um companheiro de rua, minutos antes. O termômetro marcava a temperatura mais baixa do dia, com 5ºC. No entanto, o vento deixava a sensação muito mais gelada.
O vício em álcool levou Anderson à rua. “Eu sou nascido e criado ali na região da rua São João. A minha mãe já é de idade e como eu ficava saindo pra tomar o álcool, ela ficou com medo da pandemia e me colocou para fora de casa”, conta.
Antes de dormir, o sem-teto tinha recebido doação de comida, com bolo, suco e refrigerante. Apesar de a cidade ter registrado temperaturas menores há duas semanas, para ele a última noite foi mais difícil para ele.
“Eu coloco um cobertor no chão, mas é este sapeca neguinho que a gente chama, o cobertor é muito fininho e entra muito vento. Ainda estava com uma jaqueta de couro, que não esquenta nada. Eu tremia, mas não tinha muito o que fazer”, diz.
Apesar de cruzar a cidade de oeste a leste, foi no bairro do Mogilar que a reportagem encontrou a maior parte de pessoas em situação de rua. A maior parte se abrigava nas marquises da avenida Francisco Rodrigues Filho. Muitos deles já acordados, talvez pelo frio, às 5h04.
Um sem-teto dormia no portão do Centro POP, no Mogilar, que acolhe as pessoas em situação de rua.
Nesta quarta-feira (28), a Secretaria de Assistência Social de Mogi anunciou uma ampliação nos serviços de abordagem e acolhimento a pessoas em situação de rua, em complemento ao que já vinha sendo feito pela Operação Inverno, com aumento na oferta de vagas em acolhimentos institucionais e também acréscimo no horário do Serviço de Abordagem Social.
Além disso, as equipes de abordagem que atuavam diariamente, das 8h às 22h, ampliaram até as 23h.