Advogado Olavo Câmara assina carta de número 40 contra o pedágio
Nesta terça-feira (29), o advogado Olavo Arruda Câmara, articulista de O Diário, assina a carta publicada pelo jornal endereçada ao Governo do Estado de São Paulo com argumentos contrários à instalação do pedágio na rodovia Mogi-Dutra. Diariamente, desde 1º de maio, o jornal traz uma carta escrita por liderança ou representante da sociedade civil de […]
29/06/2021 14h46, Atualizado há 62 meses
Nesta terça-feira (29), o advogado Olavo Arruda Câmara, articulista de O Diário, assina a carta publicada pelo jornal endereçada ao Governo do Estado de São Paulo com argumentos contrários à instalação do pedágio na rodovia Mogi-Dutra.
Diariamente, desde 1º de maio, o jornal traz uma carta escrita por liderança ou representante da sociedade civil de Mogi das Cruzes e cidades do Alto Tietê, apontando os prejuízos que a praça de cobrança poderá provocar ao município e à região.
O texto não tem interferência editorial do jornal e apresenta as justificativas e defesas do próprio convidado que utiliza o espaço para expor seus argumentos contra o pedágio.
Ao Governo do Estado
Venho através desta manifestar-me ao Governo do Estado de São Paulo e à Artesp (Agência Reguladora de Transporte do Estado de São Paulo) e seu respectivo edital de licitação do Lote Litoral Paulista com a pretensão de implantar praça de pedágio na rodovia Mogi Dutra, cidade de Mogi das Cruzes, e promover intervenções, principalmente no território deste município.
Ora, senhor governador e diretores da Artesp, a rodovia Mogi-Dutra foi construída com verbas do município sem qualquer ajuda do Governo do Estado. Mogi das Cruzes é o município com extensão territorial de mais de 700 quilômetros quadrados. Há bairros que para atingir o centro precisam passar pela área onde se pretende implantar o pedágio e outros cujos moradores precisam sair para levar os filhos na escola e retornar para, posteriormente, ir buscar os filhos no final das aulas. Neste caso, teriam que pagar o pedágio duas vezes, o que será um absurdo.
Destaque-se ainda que muitos paulistanos e moradores de cidades circunvizinhas que passam pela rodovia para visitar Bertioga deixarão de passar pela rodovia em virtude da praça de pedágio e buscarão outros caminhos. Vale citar que a rodovia Mogi-Bertioga também foi construída com verbas do município em décadas passadas.
Mogi das Cruzes possui a maior área de produtos hortifrutigranjeiros que abastece a capital (Ceagesp), o grande centro de estoque de alimentos. Pense senhor governador nos produtores rurais que todos os dias transportam toneladas de alimentos para o Ceagesp indo e retornando até duas ou mais vezes por dia.
A Artesp e o governador pensem menos nos lucros e busca de recursos para os interesses do Estado. A crise atual é profunda. Pense na floresta e não nas árvores. No município de Mogi das Cruzes, 1.211 estabelecimentos comerciais, industriais e de prestação de serviços foram fechados gerando desemprego. Procurar aumentar tributos de toda ordem (impostos, taxas e outros) é nada mais do que insensibilidade governamental. A indignação é geral e total dos mogianos que residem neste município glorioso, criado pelos bandeirantes no ano de 1560, cujo nome é indígena (M-Boigi que significa rio das cobras) originário de uma grande extensão.
Senhor governador e dirigentes da Artesp revisem e não implantem uma nova praça de pedágio na Mogi-Dutra. Além de absurdo, a insensibilidade seria um ato irresponsável.
Não permita que haja impacto negativo na economia da região e do município de Mogi das Cruzes. PEDAGIO NÃO.
Olavo Arruda Câmara é advogado